Cap. 3 - Feliz aniversário, Lottie

1027 Words
Um ano havia se passado desde que chegara em Sorna e Charlotte não podia estar mais satisfeita. Os tios haviam planejado uma festa para ela - a primeira que se lembrava -, com direito a um pequeno bolo com calda de chocolate, suco de laranja e guloseimas. - Faça um pedido Lottie. - Gritou Tom animado quando o canção acabou. A menina fechou intensamente os olhos verdes e desejou com intensidade sempre tê-lo em sua vida. Charlotte também amava Judith, haviam se tornado amigas inseparáveis, mas a conexão que tinha com Tom não podia ser comparada, isso porquê Charlotte não gostava muito de brincar de bonecas ou casinha, a menina preferia atirar pedras no lago enquanto competia com Tom qual pedrinha pulava mais. Gostava de subir em árvores, tomar banho de rio, brincar de pega pega e pique esconde e Tom era o companheiro e competidor perfeito, ele não a deixava ganhar por ser menina e nem pegava leve nas competições, ele a tratava como uma igual e isso era o que fortalecia cada vez mais a amizade dos dois. Depois das parabenizações Charlotte estava sentada no chão da sala deliciando-se com seu pedaço de bolo quando Tom se aproximou. O rosto alvo rosado estava um pouco mais rosado do que o habitual e ele se sentou desconcertado ao lado de Charlotte. - Te trouxe um presente. - Sussurrou enrubescendo. Os olhos da menina brilharam intensamente, era incrível como a um tempo não tinha nada e agora tinha tudo e mais um pouco. Tios amorosos que a tratavam como filha, uma amiga e um melhor amigo, isso sem falar em Ana que era como uma terceira mãe para Charlotte. - Para mim? .- Perguntou animada e como resposta Tom apenas assentiu. O menino tirou do bolso uma pequena caixa de veludo avermelhada, ele a estendeu na direção de Charlotte e ela a tomou rapidamente. Animada, abriu a caixinha e viu um brilho reluzir. - Veja. - Disse Tom apontando para o colar. - T e C, são as nossas iníciais juntas. E bom ... Isso devia ser um coração. - Ele arrancou uma risada de Charlotte que lançou-se nos braços do amigo e o abraçou. - Oh Tom, eu amei, amei mesmo. Prometo nunca tira-lo. - E eu prometo que ficaremos sempre assim. - Exclamou sorridente. - Juntos igual a essas letras. Charlotte assentiu animada com a perspectiva de sempre tê-lo em sua vida, a garota virou-se de costas e entregou o colar ao amigo, Tom colocou nela gentilmente antes de receber mais um abraço. - É o melhor presente que já ganhei. - Ela pegou o pequeno pingente e rodeou entre os dedos. - Agora vem, dúvido conseguir lançar a pedra mais longe do que a minha. - Isso é o que veremos. - Respondeu em um tom desafiador e saiu correndo na frente dela. Do canto oposto da sala Mary e Ana observavam as crianças com largos sorrisos nos lábios. Cleves logo se aproximou das duas e abraçou a esposa por trás. - É mesmo a garotinha mais encantadora que já vi. Marry assentiu satisfeita. A muitos anos atrás haviam tido uma filha, mas a criança não passara dos dois anos de idade e logo, a saúde de Mary se deteriorou o que tornou impossível a concepção de mais uma criança, portanto, ela costumava dizer que Charlotte era seu presente de Deus. Não conhecera a garotinha antes, ela era filha de seu irmão distante, quando Mary ainda era bem pequena havia sido mandada para uma cidade distante de André e de todos os outros irmãos porquê os pais não tinham condições de criar todos, com isso, m*l o conhecera e tampouco conhecera sua filha. Charlotte havia passado pela casa dos irmãos mais velhos primeiro, mas nenhum havia dado a garotinha o devido amor, Mary fazia diferente e cuidava da pequena como se fosse sua. Charlotte havia trago alegria para a casa Guzman e já não conseguia imaginar a vida sem ela. - Veja Ana, como ela e seu Tom se dão bem. - Deu um olhar suspeito para a amiga. - Assim como nós querido, lembra-se? .- Perguntou ao marido sentindo uma pequena nostalgia. - Éramos grandes amigos na infância. - Respondeu dando um beijo no topo da cabeça da esposa. - Eu não me espantaria se um dia eles se apaixonarem quando crescerem. - Ana falou em meio a uma risadinha enquanto aninhava a filha. Judith já tinha brincado muito e estava descansando no ombro da mãe. - Eca. - Murmurou arrancando uma risada de todos. - Eles irão mesmo namorar? - Não querida. - Adiantou-se a mãe. - Estamos apenas supondo. Eu também fui muito aiga de seu pai antes de me apaixonar e é assim que as coisas funcionam, entende? Não ... Certamente não entende. - Disse Ana dando uma risadinha e acariciou o rosto da filha. - Mas um dia, daqui muitos e muitos anos irá entender meu amor. - Então daqui muitos e muitos anos saberemos se a Charlotte vai querer namorar com o Tom? Deus, não, ela é muito esperta para ele. Ele nem sabe assoviar. Mais uma vez os adultos caíram na gargalhada e a mãe limitou suas explicações, Juditg certamente não entenderia nenhuma palavra do que ela estava falando, o que era totalmente aceitável visto que a filha era uma criança inocente e indefesa. - Não vamos pensar sobre isso ainda, sim? .- Disse fazendo carinho no cabelo da filha antes de levanta-la. - Agora vá brincar. Judith levantou em um pulo como se toda a sua energia tivesse voltado de uma só vez. Ela foi correndo na direção da amiga e de seu irmão e quando encontrou os dois na beirada do lago cruzou os braços abaixo do peito. - De novo essa brincadeira chata? Os dois deram de ombros e Charlotte mandou uma pedra, a pedra quicou quatro vezes o que era bem mais do que Tom havia conseguido. A menina começou a pular e gritar o quão boa era em vencê-lo. - Judh, não é chata. - Disse o irmão. - Mas a Lottie é. Os três se entreolharam e juntos caíram na risada.
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