Cap. 6 - Cuide-se, viva e seja feliz.

1003 Words
Na manhã seguinte ao beijo Charlotte acordou agitada e decidida, não estava nenhum pouco disposta a culpar a bebida. Ela se vestiu com pressa e desceu as escadas correndo, sua tia Mary e Cleves estavam tomando o desjejum e a olharam confuso. - Bom dia querida. - Disse o tio. - Bom dia, aonde vai com tanta pressa? .- Perguntou a tia erguendo a visão em sua direção. - Bom dia tio Cleves, bom dia tia Mary. Eu ... Preciso ver Judith. Mary engoliu em seco, recebera uma notícia durante a manhã e não desejava ser a pessoa a informa-la a Charlotte, mas se levantou e caminhou em passos firmes até a sobrinha. - Há algo que precisa saber ... - Tia, pode ser depois? Eu preciso muito ir, por favorzinho. - Falou em tom de suplica. A tia assentiu sentindo o conforto de saber que tentara alerta-la. Ela olhou para o marido e balançou a cabeça em negação. - Será um baque gigantesco. - Murmurou Cleves antes de chamar a esposa para se sentar ao seu lado novamente. Charlotte saiu pelas ruas de Sorna com tamanha pressa que vez ou outra deixara até de cumprimentar conhecidos, precisava ir até Tom e dizer a ele o que sentia a anos, mas escondera até de si mesma. Quando deparou-se com a pequena casa amarelada que conhecia muito bem ela respirou fundo, reuniu toda a coragem que fora capaz e bateu na grande aldrava. - Coragem Charlotte, você consegue. - Disse para si mesma. Ela retrocedeu alguns passos quando Ana abriu a porta com os olhos vermelhos e inchados. - Tia Ana, está tudo bem? .- A voz de Charlotte saiu mais como um miado estrangulado e ela temeu não ser entendida, então pigarreou e repetiu a pergunta. Ana deu passagem para a menina e quando entrou na casa, Judith estava no sofá e tinha o mesmo semblante que a mãe. - A-aonde está Tom? .- Foi a primeira pergunta que surgira em sua mente. Charlotte apertava a saia de seu vestido para tentar controlar a agonia que crescia dentro do seu peito e o coração comprimia-se um pouco mais a cada segundo. Os dedos trêmulos que antes seguravam a saia levantaram-se de encontro ao colar, ela o apertou com firmeza. Ana caminhou até a mesinha de canto da sala, ela pegou um pequeno papel e entregou a Charlotte. - Ele nos deixou essa carta. Charlotte desdobrou o papel rapidamente e correu os olhos pela calografia perfeita do amigo. '' Querida mãe, Judith e Charlotte ... Devo a vocês três um imenso pedido de desculpa, mas sinto que se eu não for agora acabarei preso em Sorna e nunca mais serei capaz de sair. Desde quando era muito pequeno ouvi meu pai dizer que eu não podia me contentar com a vida aqui na ilha, mas era novo demais para entender a dimensão daquelas palavras, hoje entendo. É com o coração partido que me despeço de vocês, estou indo para algum lugar de Londres, por favor, não tentem me achar. Prometo a vocês que lhes darei uma vida melhor. Mãe, sempre a amarei e serei seu filho zeloso, faço isso para o nosso próprio bem. Espero que um dia possa me perdoar. Judh, nunca esqueça de mim e de tudo que passamos juntos, você completou minha vida irmã. Espero que um dia possa me perdoar. Lottie, sinto muito por não ter tido coragem de lhe dizer isso na noite passada, o plano já está traçado e pelo menos um mês ... Mas eu sabia que se lhe dissesse não me permitiria ir e se me pedisse para ficar, eu certamente faria. Cuide-se, viva e seja feliz. Com amor, Severin. '' Uma lágrima rolou pelo rosto de Charlotte e ela m*l era capaz de se conter. Sentiu vontade de gritar e chutar algo, queria quebrar alguma coisa ou certamente alguém - a cara de Tom, para ser mais especifica -. - Como ele pôde fazer isso? Judith encarou a amiga e correu para o seu abraço. Havia armado a noite anterior com a única intenção de vê-los juntos, essa era a esperança de todos, mas ninguém podia imaginar que Tom iria embora do dia para a noite sem dar nenhuma satisfação para ninguém. - O que houve ontem? .- Sussurrou no ouvido da amiga. - Por favor, fale-me que nada aconteceu ou não serei capaz de me perdoar. A mãe vendo que a filha sussurrava muito baixo constatou que elas precisavam de privacidade e saiu silenciosamente da sala. Charlotte afastou-se do abraço da amiga e a encarou com os olhos avermelhados. - Judh, você será a única pessoa a saber e então, esse assunto nunca mais será tocado, estamos de acordo? .- A amiga engoliu em seco e assentiu. - Nós nos beijamos depois de alguns goles da bebida do tio Cleves, mas isso foi tudo. Judith respirou aliviada e sussurrou um baixo pedido de desculpa para a amiga. - Ele é um maldito canalha. - Falou sentindo uma raiva grande do irmão. - Bom ... Tom culpou a bebida, mas estava claro para mim que foi muito além disso, então vim aqui hoje para que pudessemos conversar. Charlotte jogou o corpo cansado no sofá que outrora a amiga ocupava e apoiou a cabeça com as mãos. Judith logo se juntou a amiga e a abraçou de lado. - Será que um dia tornaremos a vê-lo? .- Perguntou com a voz abafada. - Ou será como se ele tivesse morrido? Reunindo o pouco de força que ainda tinha ela puxou Judith para um abraço terno e forte. Não seria fácil para nenhuma das duas, Judith praticamente perdera o irmão e Charlotte perdera seu melhor amigo, companheiro e o eterno amor de sua vida. Por mais que sentisse vontade de soca-lo de todas as formas possíveis, no fundo lhe desejava toda a sorte do mundo, desejava intensamente que Tom encontrasse a felicidade que tanto procurava, que tivesse uma vida boa e formasse uma nova família um dia.
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