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Zona de Atrito Atração Imediata

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ZONA DE ATRITO ATRAÇÃO IMEDIATA

Por Rachel Freitas​

"No caos da cidade, o maior perigo não é o trânsito. É o desejo que você não consegue controlar."​Maya Duarte é a mistura perfeita de beleza estonteante e temperamento indomável. De pele morena, curvas de deusa e cabelos cacheados que vão até a cintura, ela não leva desaforo para casa e vive a vida nos seus próprios termos. Mas enfrentar a rotina de um novo emprego e o caos do transporte público no horário de pico testa até os seus limites.​Até que ele entra no ônibus.​Alto, robusto, com o corpo tatuado e um olhar que parece despir a alma, o desconhecido transforma uma viagem sufocante em uma arena de sedução proibida. Presos no aperto de um trânsito infernal, o calor dos corpos se torna inevitável. O que começa com um toque acidental logo vira um jogo perigoso de olhar, provocação e uma tensão s****l prestes a explodir.​Uma mensagem desafiadora na tela do celular selou o pacto silencioso daquela manhã:“Será que na próxima viagem você vai aguentar?”​O que nenhum dos dois esperava é que o destino já tinha marcado o próximo ponto de encontro. Na grande confraternização das empresas, onde todos fingem bom comportamento e usam suas melhores máscaras, a poeira não vai baixar.​Ele é a tentação corporativa. Ela é o perigo em pessoa.Quando as máscaras caírem longe da multidão do ônibus, eles vão descobrir se o que nasceu no anonimato resiste ao mundo real — ou se vão se queimar no próprio fogo que acenderam.

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O Primeiro Dia (e a Primeira Parada)
Maya Duarte ​Morar com a minha mãe e o meu padrasto já estava me deixando no limite da paciência. Por isso, quando distribuí currículos para vagas de auxiliar de escritório, só tinha uma exigência em mente: um trabalho que me desse independência, mas que não me fizesse passar a vida inteira longe de casa. O único problema? O transporte público da cidade é um empurra-empurra infernal. ​O alarme tocou e a preguiça tentou me vencer, mas levantei. Escovei os dentes, coloquei um fone de ouvido para carregar e ainda coloquei mais dois carregadores portáteis na bolsa. A viagem até a empresa levaria quase uma hora — isso se não houvesse engarrafamento, protesto ou algum ônibus quebrado no caminho. ​Para quem não me conhece: tenho 25 anos, 1,70m de altura, corpo encorpado e a pele morena jambo — da cor do pecado, como gostam de dizer. Meus cabelos cacheados vão até a cintura e eu sou completamente apaixonada por saltos altos, vestidos de tecido leve e confortável que se moldam ao corpo, e perfumes doces com hidratantes bem marcantes. Além do visual, trago no corpo várias tatuagens e no caráter uma regra simples: não levo desaforo para casa. Comigo não tem meio-termo, é sim ou não. E, bom... eu amo uma aventura. Daquelas que deixam a perna bamba. ​Caminhei até o ponto de ônibus vestindo um terninho preto ajustado, perfeita para o meu primeiro dia. O transporte chegou parecendo uma lata de sardinha. Minha única oração mental era: por favor, que nenhum desavisado fedorento encoste em mim. Eu estava impecável, cheirosa, e não podia chegar no meu novo emprego parecendo que tinha saído de um combate. ​Dei o sinal, o ônibus parou e eu entrei. Consegui me espremer perto da catraca e fiquei mexendo no celular. Pouco depois, um lugar vagou. Sentei e suspirei aliviada. ​O balanço do veículo e o cansaço acumulado me fizeram cochilar pesado por alguns minutos, até que uma freada brusca me despertou. Um monte de gente desceu, mas o triplo subiu logo em seguida. ​E foi aí que ele entrou. ​Um homem alto, forte como um armário, que fez o meu ar sumir por um segundo. A minha sorte foi estar de óculos escuros, porque não consegui disfarçar o olhar. Fiquei torcendo mentalmente: vai para o fundo, vai para o fundo... Mas ele resolveu parar justamente na minha direção. O ônibus foi enchendo cada vez mais, e ele acabou sendo empurrado para perto do meu assento. A simples proximidade dele já estava me deixando desconfortável — de um jeito terrivelmente bom. Peguei o celular e comecei a digitar uma mensagem para a minha amiga, contando sobre o aperto e o "monumento" que tinha acabado de subir. ​De repente, mais uma freada seca. Uma mulher entrou com dois filhos no colo e ninguém se mexeu para dar lugar. Não pensei duas vezes: levantei e cedi o meu assento. A mulher me agradeceu imensamente e sentou. ​Com isso, acabei ficando de pé, presa exatamente à frente daquele homem incrível. Eu continuei fingindo atenção no celular, mas meu corpo inteiro parecia em alerta. Algo lá no fundo me dizia que a aventura que eu tanto procurava tinha acabado de subir naquele ônibus... e eu não ia fugir dela. Fiquei presa naquele espaço hiper-megagigante de tão apertado. Não dava nem para me mexer direito, e aquele "armário" continuava ali, imóvel ao meu lado. ​Com o calor aumentando e a paciência diminuindo, soltei um pouco mais alto para quem quisesse ouvir: — Sera que esse transporte não chega a 120 km/h? Porque isso aqui está uma superlotação, um calor infernal e eu tenho um emprego para conquistar! Não posso chegar atrasada! ​O motorista olhou pelo retrovisor com uma cara de poucos amigos e resmungou: — Quer velocidade, minha filha? Então vai ter velocidade... ​Ele deu um solavanco que fez o ônibus inteiro chacoalhar, jogando as pessoas umas por cima das outras. Mas aquele homem atrás de mim parecia imune à gravidade — não se moveu um centímetro. Eu continuava narrando tudo para a minha amiga pelo aplicativo de mensagens, e do outro lado ela só sabia rir, dizendo que eu parecia estar estrelando um filme de comédia dramática. ​De repente, outra freada seca. Desta vez não consegui segurar e o meu telefone foi direto para o chão. Quando me abaixei para pegar, senti o tecido da minha roupa ajustar e a marquinha do biquíni ficar em evidência. Pelo reflexo, percebi exatamente onde os olhos dele se cravaram. ​Levantei rápido, segurando com força no ferro do teto para não cair de novo. ​Ele devia ter quase 1,90m de altura. Segurou no mesmo ferro, na mesma direção que a minha. A respiração dele batia direto no meu pescoço, e a barba bem feita roçava levemente nos fios do meu cabelo cacheado. Por um segundo, fechei os olhos e puxei o ar: o perfume dele era amadeirado, marcante, exalando masculinidade pura — nada da geração Nutella. ​A superlotação nos espremeu ainda mais. O ônibus parou em um engarrafamento debaixo de um calor infernal. Pela posição do aperto, meu corpo acabou ficando pressionado na direção dele. Minhas costas começaram a fisgar pelo esforço, mas a dor foi completamente ignorada quando senti a proximidade. ​O quadril dele se encostou no meu. Lento. Provocante. ​Olhei pelo reflexo do vidro da janela. Ele encarava a minha imagem no vidro com um olhar pesado, intenso, como se estivesse me despir ali mesmo, na frente de todo mundo. ​Mordi o lábio inferior, intencionalmente. Minhas mãos estavam suadas, o coração acelerado na garganta. Eu queria ver até onde aquilo ia dar... e, pelo sorriso de canto de boca que surgiu nos lábios dele pelo reflexo, ele sabia exatamente disso. ​E o pior — ou melhor — é que ele queria a mesma coisa. O Pulso do Desejo ​Eu sabia que ele estava me observando pelo reflexo do vidro. Mordi meu lábio inferior devagar, intencionalmente, e depois encarei o olhar dele direto no espelho. Não aguentei o mistério. Peguei meu celular e, com as mãos levemente trêmulas, digitei duas perguntas simples, mas provocantes: ​"Qual o seu nome?" e, logo em seguida, “Será que você vai aguentar até lá...?” ​Mostrei a tela do celular para ele pelo reflexo. Ele leu. Vi o sorriso de canto de boca aumentar, e seus olhos ganharam um brilho mais intenso. Ele ia responder, mas, naquele momento, outro salavanco violento sacudiu o ônibus. O motorista parecia estar em um rali. ​A freada brusca jogou todos os passageiros para a frente. Para evitar que eu fosse esmagada ou me machucasse, aquele "armário" se moveu com agilidade impressionante. Ele segurou com força o ferro do teto com uma mão e, com a outra, agarrou firmemente a minha cintura. ​Que pegada! ​Senti a firmeza dos dedos dele se moldando ao meu corpo, e por um instante, vi estrelas. Meu corpo inteiro entrou em alerta máximo. O quadril, numa reação involuntária, empinou-se ainda mais na direção dele. A respiração intensa dele batia no meu pescoço, misturada com o cheiro inebriante de seu perfume. Eu senti um pulsar na minha retaguarda, um pulsar delirante que me deixava em transe, totalmente consciente de cada centímetro da proximidade dele. ​Estávamos tão próximos que a tensão s****l no ar era quase palpável. Eu queria me virar e me entregar àquele desconhecido ali mesmo, no meio do ônibus lotado. ​Mas o ônibus continuou sua jornada. Eu sabia que estava chegando perto do meu ponto. O destino final da minha viagem era dali a poucos minutos. No entanto, para minha surpresa — e uma pontada de decepção —, ele se moveu para descer um ponto antes do meu. ​Ao passar por mim, ele se inclinou levemente, e sua voz, um sussurro baixo e rouco, soprou no meu ouvido: ​— "Meu nome é Gabriel. E pode ter certeza: eu aguento." ​Ele desceu. A porta do ônibus se fechou, levando com ele o calor daquele encontro. Eu fiquei ali, respirando fundo, tentando normalizar o ritmo do meu coração. A viagem acabou, mas a certeza dele me dizendo seu nome e que "aguentava" ecoava na minha mente. ​Cheguei ao trabalho, mas a minha cabeça estava a quilômetros dali. Passei o dia inteiro pensando em Gabriel, no calor do corpo dele, na força da sua mão na minha cintura e no pulsar que me tomou conta. Eu sabia que aquilo não tinha acabado. Estávamos destinados a nos encontrar novamente.

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