Lev Bolshakov
Consegui sobreviver ao banho com Adelie, o que já foi difícil, mas a parte da secagem e de colocar a roupa foi ainda pior. Ela consegue me provocar de tantas formas diferentes que fico na dúvida se essa garota é uma adolescente ou uma adulta que já viveu muito mais do que eu. Enfim, saímos do banho e Adelie atacou a geladeira de Tulio, deixando todos boquiabertos.
Eu conheço essa garota desde criança, e nunca a vi comer tanto como está comendo hoje.
_ Se divertiu? _ A voz de Max preencheu o ambiente, fazendo Adelie parar de comer e olha-lo.
_ Muito, você perdeu um super show! _ Provocou a morena.
Não consegui conter a risada e acabei deixando escapar um sorriso satisfeito. Max estava com um semblante de que a qualquer momento mataria um. Ele sentou no meio da mesa, e quando as funcionárias saíram da cozinha, deixando somente eu, Adelie e Max, o rapaz expressou toda sua chateação com minha noiva.
_ p***a, por que fez isso? Estou bem, posso ser mais útil em campo do que em uma cama! _ Disse ele alisando o braço que levou um tiro.
_ Max, você ainda está fraco, Florzinha disse que está com uma anemia pela perda de sangue e precisa fazer repouso e tomar os remédios corretamente.
_ E precisava ter me derrubado daquela forma tão covarde?
_ Na hora você pareceu ter gostado! _ Me intrometi.
Ele me encarou confuso e Adelie começou a rir.
_ Verdade. Caiu de joelhos em Frente a florzinha, com um olhar todo apaixonado. Aposto que ela cuidou muito bem de você enquanto estava apagado! _ Adelie olhou para ele e piscou enquanto ria.
_ Que mente suja você tem garota! _ Murmurou ele.
_ Dessa vez preciso concordar com cada palavra que Adelie falou! _ Me intrometi novamente, olhando para Max e piscando para Adelie.
Max ficou sério e vermelho, enquanto eu e Adelie riamos sem parar.
_ Vocês parecem dois chapados, isso sim! _ Disse ele ao levantar. _ Por acaso tinha e**a ilícita no lugar que vocês queimaram?
_ Não, só cocaína! _ Respondeu Adelie.
Max ia saindo da cozinha, mas parou ao ouvir a pergunta maluca de Adelie.
_ Depois me passa o treino de glúteo? _ Perguntou a garota.
Fiquei olhando para ela e Max fez o mesmo.
_ P-Por que ? _ Perguntou o rapaz temendo a resposta.
_ Por que você tem a b***a mais dura que já vi em toda minha vida! Até dormindo ela é durinha!
_ Por que diabos você mexeu na minha b***a? _ Perguntou ele em choque.
Olhei para Adelie em choque também.
_ Ninguém te comeu Max, fica tranquilo! É que a agulha saiu toda torta de você. Tem a b***a de aço! _ Adelie piscou para ele com aquela mesma carinha de sapeca maluca de sempre.
O rapaz saiu bufando e murmurando alguma coisa. Coloquei a mão no peito, sentindo o mesmo nervoso que o pobre rapaz.
_ Deixei de odiá-lo, e vou passar a sentir pena por ter que lidar com você!
_ Logo quem terá que lidar comigo é você, bonitão, e teremos muito mais i********e!
Adelie também levantou, me deixando para trás.
Terminei o lanche e fiz uma ligação para o meu pai, contando como havia sido na operação e o que descobrimos sobre os homens que atacaram Adelie.
No fim das contas eles não tem muito a ver com o que estamos procurando, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha pois Adelie parecia estar procurando vítimas. Ela olhou até debaixo do cômodo e ouvi ela murmurando “será que elas estão aqui?”.
Depois da ligação sai para o gramado e me sentei observando a luz da lua. Não sei quanto tempo se passou exatamente, mas Florzinha apareceu e sentou ao meu lado.
_ As pessoas que trouxeram serão encaminhadas para uma clinica de reabilitação. Não sei como, mas estão bem na medida do possível. _ Disse ela.
_ Adelie que fez questão de traze-los. Honestamente, acho que será perda de tempo.
_ Não é perda de tempo lutar pela vida de outra pessoa, senhor Lev. _ Ela me olhou e sorriu. _ O senhor, que foi criado na casa de dona Olivia deveria saber disso.
_ Eu sei.. só que é diferente você saber e conseguir colocar em prática. Sei que Tulio é um filantropo, e gosta de ajudar os mais necessitados, mas está na cara que aquelas pessoas não vão conseguir. Por que não acabar logo com o sofrimento delas?
Pra mim, as coisas parecem mais simples dessa forma.
_ Claro, senhor Lev, é mais fácil tirar uma vida do que cultivar uma, certo? _ Suas palavras jogaram na minha cara o quão preguiçosa as ações que eu e os outros que vieram antes de mim praticamos.
_ Bem... de certa forma, sim. É mais fácil enfiar uma bala na cabeça de uma pessoa do que a colocar dentro de casa para tentar mudar sua vida. _ Levantei, sentindo que se não encerrasse o assunto, poderia magoar a mulher gentil que me ofereceu respeito e bondade.
Ela levantou também, limpando o vestido.
_ Vamos ver quantos vão se recuperar completamente. Talvez nossa “perda de tempo” valha a pena. _ Ela sorriu novamente e me deu as costas. _ Boa noite senhor Lev, espero que Adelie o deixe dormir.
Ela riu com deboche e entrou na mansão. Fiquei parado pensando em todas as palavras de Florzinha, principalmente, a parte de Adelie me deixar dormir.