Ricardo Existe um instante específico em toda guerra em que você entende que não está mais reagindo. Está escolhendo lutar. Esse instante chegou para mim numa terça-feira silenciosa, às 6h12 da manhã, enquanto eu observava Isabela dormindo. Ela parecia tranquila, mas eu sabia que não estava. O corpo dela denunciava — dedos fechados, respiração curta, como se até nos sonhos estivesse se preparando para perder algo. Ou alguém.Eu. Foi ali que entendi uma coisa com uma clareza brutal: Clara não queria só me tirar do jogo. Ela queria me transformar em prova viva de que ninguém consegue manter o que ama ao me escolher. E isso… eu não ia permitir. Levantei sem fazer barulho e fui para a sala. O relatório que eu havia pedido discretamente na noite anterior já estava no e-mail. Uma investigaç

