Ricardo Eu sempre acreditei que a queda de alguém acontecia de uma vez. Um tombo. Um escândalo. Um instante definitivo. Mas a queda de Clara não foi um estrondo. Foi um desmoronar lento… visível… inevitável. E o pior? Silencioso demais para alguém que sempre viveu do barulho. Na manhã seguinte, acordei antes do despertador. Isabela ainda dormia ao meu lado no sofá-cama da casa da irmã. Lucas, no quarto ao lado, respirava naquele ritmo tranquilo que só as crianças conseguem ter mesmo quando o mundo ao redor está desabando. Eu não dormi quase nada. Meu celular vibrava sem parar desde as seis da manhã. Mensagens. Ligações.Notificações. E eu já sabia o que era antes mesmo de olhar. O fim começando a se tornar público. Levantei devagar para não acordar Isabela. Fui até a cozinha, encostei

