Quando chego ao meu apartamento, o vazio me atinge de uma vez. É absurdo. Desproporcional. Quase físico. Fecho a porta atrás de mim e encosto nela por um segundo, tentando entender o que exatamente ficou para trás naquela noite. Não sei explicar. É como se algo em mim tivesse mudado de lugar , não quebrado, não ferido , apenas… deslocado. O que vivi com Eduardo foi intenso. Familiar. Daqueles encontros que sempre soubemos conduzir bem. Não houve erro, não houve promessa, não houve confusão de papéis. Tudo foi exatamente como combinamos. Ainda assim, não me sinto melhor. Caminho pelo apartamento silencioso, tiro os sapatos, deixo a bolsa sobre a mesa. O reflexo no espelho da sala me devolve uma mulher inteira, segura, decidida. Nada em mim parece arrependido. E, mesmo assim, a sensaçã

