Algo está fora do lugar. Não é ansiedade, nem pressentimento vazio. É aquele peso específico que só aparece quando uma linha antiga começa a se mover sozinha. Caminho pelo salão em silêncio, sentindo a casa reagir ao meu estado , como sempre reagiu. Alaric me observa. Ele sabe. Sempre sabe antes mesmo de eu dizer. — Você não dormiu... Ele comenta, baixo. Não respondo de imediato. Passo os dedos pela mesa, pela madeira que já existia antes de muitos nomes serem esquecidos. — Algo se deslocou ... Digo, por fim. — Eu sinto. Ele se aproxima, com cuidado. Não por medo de mim, mas por respeito ao que carrego. — Os nossos filhos sentiram isso também. Tentaram te conter. Sorrio de lado. Um sorriso curto, sem calor. — Então é mais sério do que imaginam. Viro para encará-lo. Vejo a per

