Eu não dormi. Nem por um minuto. O corpo permaneceu imóvel, mas a mente atravessou a noite em vigília, como se algo estivesse prestes a romper o silêncio a qualquer instante. Com meu irmão sempre foi assim. Desde antes de termos palavras. O vínculo entre gêmeos não pede permissão , ele invade, atravessa, cobra. E agora… ele pulsa. Sinto quando ele se aproxima de uma verdade que não deveria tocar. Não é uma suspeita clara, é pior: é aquela inquietação que cresce sem nome, aquela certeza sem forma que empurra alguém a cavar mais fundo. Ele está perto. Perto demais de descobrir uma parte da história que eu escondi não por crueldade, mas por necessidade. Quando isso acontecer, nada ficará inteiro. O que me manteve desperta não foi apenas ele. Foi Helena. O vínculo se abriu durante a no

