Não contei à Clara que o cartão não era um convite. Era uma convocação. Estou diante do espelho, observando meu próprio reflexo com mais atenção do que o habitual. O cabelo já está seco, solto, do jeito que gosto quando quero parecer casual , mesmo sabendo que nada nisso é exatamente casual. Fiz uma maquiagem leve, quase imperceptível. Daquelas que não anunciam intenção, mas sustentam presença. A indecisão vem agora. Sobre a cama, dois vestidos. Um seguro demais. O outro… honesto demais. Estou apenas de lingerie preta, simples, elegante, nada exagerado. Não é para ninguém ver. É para mim. Um lembrete silencioso de controle. De que não estou indo porque fui chamada , estou indo porque escolhi. Respiro fundo. Pego o vestido com decote nas costas. Não é provocação. Nunca foi. É afirma

