Eu não voltei para o trabalho. Eu simplesmente… não consegui. Saí do carro como se estivesse fugindo de alguma coisa, mas a verdade é que eu estava fugindo de mim mesma. Da minha cabeça. Do que Valentina disse. Do que Laura disse. Do que eu sempre senti e nunca soube explicar. Quando chego no apartamento, minhas mãos ainda tremem. O silêncio me engole por um segundo. Então eu vejo. Laura está sentada no sofá, com o moletom que eu comprei pra ela, as pernas cruzadas, abraçando uma almofada como se aquilo fosse um escudo. Ela levanta os olhos na mesma hora. E eu vejo o alívio. O alívio de eu ter voltado. O alívio de eu estar inteira. O alívio de eu não estar chamando ela de louca. Eu solto minha bolsa no chão. Ela levanta os olhos na mesma hora. Assustada. — Helena? A vo

