CAPÍTULO 3

983 Words
Toda história tem um começo, meio e fim. Alguns personagens são modelos e outros nem tanto, há vilões com sonhos grandes e mocinhos inocentes e completamente padronizados, sem contar a parte onde a beleza física deve constar para deixar tudo perfeito. Agora eu me pergunto, isso realmente é necessário para se criar uma história envolvente? A meu ver não é, mas para muitos se aventurar no desconhecido se tornar assustador e abandonar o barco antes de partir é a escolha adequada. Em um reino localizado em um continente extenso a harmonia e a paz prosperavam até que ali navios chegaram e junto com eles novas crenças e saberes foram introduzidos acabando assim com a beleza antiga e condenando a morte aqueles que não aceitavam as novas leis impostas pelos conquistadores. Aquilo era errado e ia contra as origens de muitos seres daquelas terras pacíficas e cheias de uma maravilha genuína. Os anos se passaram e aqueles que era considerados pecadores ou filhos das criaturas decadentes deveriam ser exterminados para purificar os reinos e trazer prosperidade ao mundo pestilento, os quais acusavam a magia e a desobediência como única responsável pela desgraça da humanidade. Muitos seres se esconderam em suas moradas, lacraram as entradas com sigilos e aguardavam a libertação provinda de seus deuses protetores. Aquele reino não era o único que sofria com as mudanças, a antiga religião foi considerada como pecado mortal e todos aqueles que praticassem os rituais em homenagens aos deuses de qualquer parte eram usados como exemplo de uma crença que usava o sangue inocente para firmar seus pilares. Religiões inteiras se tornando apenas um rabisco, não importava a nomenclatura, todos eram pagãos, o que significava um povo que não merecia as maravilhas divinas de um só criador. Foi nesses pilares do mundo que está história ocorreu deixando um rastro enorme da lenda tão conhecida nos dias atuais. Mas será que o herói realmente é aquele que é venerado e idolatrado por muitos até hoje? Ou existe camadas e mais camadas abaixo do tão famoso Rei de Kaamelott e seu Conselheiro que muitos o conhecem como o Grande Mago Merlim. ⚝ ♱ ⚝ Após Nimueh se retirar novamente para o Lago de Avalon, está nunca mais teve a chance de carregar em seus braços a criança que foi gerada em seu ventre. A pequena Genebra foi levada por sua tia até um templo sagrado onde passaria boa parte de sua vida sobre os cuidados da trindade feminina – três sacerdotisas conhecidas como aquelas que viam o passado, presente e futuro, e que possuíam o poder necessário para cuidar da pequenina, a ensinar e educar com os dois costumes, cristãos e pagãos em um lugar onde ela estaria segura até o dia de ressurgir –. Naquela mesma noite Igraine foi incumbida pelo mago que conhecia sua descendência a se preparar e conquistar o Rei de Kaamelott, fazendo com que ele a desejasse e a tornasse sua esposa. Porém a mestiça tinha seus próprios planos sobre o assunto e fez o oposto ao combinado. Algumas luas se passaram e a mulher havia se casado com o Duque da Cornualha, deixando o rei como segunda opção caso algo desse errado. Fazendo com que Merlim fosse obrigado a arrumar outra estratégia para o nascimento do herdeiro que unificaria as duas Bretanhas e acabaria com a disputas por terras junto com as crenças da nova religião. – Nimuehhh! – Ele gritou assim que chegou perto do lago profundo. – Preciso da sua ajuda! – Achei que tivesse dito que nunca mais voltaria até aqui – ela diz com um sorriso vitorioso em seus lábios bem-marcados. – Não vim até aqui para cai nos seus joguinhos. – Isso realmente é uma pena – o vestido claro da jovem ninfa aquática roça levemente as mãos do mago, quando está passa por ele e submerge seu corpo na água. – Tínhamos um combinado e sua irmã não cumpriu com ele – Merlim fala impaciente olhando para o corpo que afundava no lago. – Preciso que converse com ela. – O que ganharei com isso? – A voz de Nimueh surge como um sussurro em seu ouvido. – O mesmo que todas as criaturas mágicas, “liberdade”. Só o futuro rei poderá cumprir a profecia da trindade, você sabe muito bem disso. – Você pretende colocar uma criança ao trono, não acha isso pesado demais? – Não quando esse for seu futuro! – o mago rebate irritado. – Providenciarei o que precisa, mas em seu trigésimo quinto aniversário o Rei Kaamelottiano se apaixonará perdidamente por aquela que será sua ruína. Aceita mesmo tais termos? – A dama pergunta emergindo sua cabeça das águas escuras de sua morada. – Isso não acontecerá se eu puder impedir. – Acredita que ele pode libertar nosso povo, mas não aceita que sua derrota será provinda daquela que roubará seu coração? – Você, Nimueh, mais do que qualquer outra fada deveria saber que profecia é diferente de visão – ele diz se agachando perto da água e fixando seus olhos aos dela. – Muitas coisas podem mudar, desde que siga o caminho certo. – A jovem apenas sorri com a afirmação de seu amante. – Tens até a próxima lua, se falhar, tomarei a sua vida como pagamento. – Eu lhe darei com maior prazer – sua fala se perde conforme ela se afasta para as profundezas. Merlim tinha razão, a visão poderia mudar, mas ele não tinha noção de quem seria a causadora até ela estar em meio a eles. Nem todos eram vilões e muito menos mocinhos, a história gira sempre entre o bem e o m*l, porém nunca mostrando a verdade por trás dos fatos e era isso que Nimueh estava disposta a fazer, trazer à tona a parte que muitos tentariam encobrir. Assim com Igraine, sua meia-irmã tinha os seus próprios planos e executaria com paciência.
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