Narrado por Isadora
Toquei minha mão, ainda quente onde os lábios dele haviam encostado.
Algo em mim... mudou.
Era sutil. Mas real. Como se uma parte do meu corpo tivesse sido ativada — algo ancestral, escondido até agora.
Cael.
Aquele homem — ou o que quer que ele fosse — mexia comigo de um jeito que me assustava.
Não era só atração.
Era mais. Muito mais.
Minha visão parecia mais nítida desde que o vi. Meus ouvidos mais atentos. Meu olfato... aguçado. Eu sentia o perfume dele mesmo à distância. Madeira escura, um toque de terra molhada e... algo selvagem.
E o pior: eu estava começando a gostar.
O que havia de errado comigo?
Naquela noite, me isolei dos outros. Disfarcei com desculpas. Disse que estava cansada, que queria escrever no diário, que precisava de silêncio.
Mentira.
Eu estava esperando. Esperando que ele aparecesse novamente. Ou que minha mente parasse de girar.
Mas ele apareceu.
Na floresta. De novo. Como se fosse parte dela. Ou seu guardião.
— Está me seguindo? — perguntei, quando ele se aproximou da varanda.
— Você sente — respondeu ele, a voz rouca, baixa, firme. — Sente que algo mudou.
Engoli em seco.
— Quem é você, Cael?
Ele parou diante de mim, sem tocar, mas perto o suficiente para meu corpo reagir.
— Quem eu sou... você vai descobrir em breve. Mas quem você é, Isadora... é isso que me intriga.
Franzi o cenho.
— Como assim?
Ele deu um meio sorriso. Quase triste.
— Você acredita ser humana. Mas o sangue não mente.
Minha pele formigou. Uma vertigem subiu pela minha nuca.
— Está brincando comigo?
— Eu nunca brinco com o que é meu.
Ele tocou meu rosto. Apenas com a ponta dos dedos. Mas o efeito foi devastador.
Meu corpo inteiro respondeu como se tivesse sido incendiado.
E, pela primeira vez, desejei que ele me tocasse mais.
Muito mais.