Narrado por Cael
Ela não tirava os olhos de mim.
Mesmo tentando disfarçar, sua alma gritava. O lobo em mim sentia cada oscilação de seu coração, cada suspiro contido.
Aproximei-me devagar.
Seus amigos continuavam rindo e conversando, alheios. Mas ela... não. Ela me via.
— Posso me sentar? — perguntei com a voz baixa, mas firme.
Seus olhos se arregalaram, surpresa por eu falar com tanta naturalidade — como se não tivesse passado a noite inteira observando-a da escuridão.
— Claro — respondeu, quase sussurrando.
Sentei-me ao lado dela. Não de frente. Perto o suficiente para que nossos braços se tocassem casualmente. Ou, pelo menos, parecesse casual.
Ela estremeceu.
O lobo ronronou dentro de mim, satisfeito.
— Cael — apresentei-me, estendendo a mão.
Ela hesitou por meio segundo antes de segurar. Contato de pele. Quente. Elétrica. Quase perigosa.
— Isadora.
— Bonito — murmurei, sem soltar sua mão. Ela tentou, mas não puxou com força.
Ela sentiu.
Meu cheiro, meu toque... cada célula dela reagia. O elo estava se formando mais rápido do que eu esperava.
Puxei suavemente a mão dela até minha boca e encostei os lábios em seus nós dos dedos. Um gesto antigo. Dominante. Marcante.
Ela prendeu a respiração.
O lobo ficou em silêncio absoluto, observando. Aguardando. Prestes a tomar o controle.
E então, um dos amigos dela interrompeu.
— Isadora, vamos comprar mais vinho?
Ela piscou, como se estivesse voltando de um transe.
— Claro. Eu... já volto — disse, levantando-se.
Nossos olhos se encontraram uma última vez.
Ela não conseguia decidir se queria fugir ou ficar. Mas eu já sabia.
Ela ia voltar.
Ela sempre voltaria para mim.