TOQUE DE COMANDO

273 Words
Narrado por Cael Ela não tirava os olhos de mim. Mesmo tentando disfarçar, sua alma gritava. O lobo em mim sentia cada oscilação de seu coração, cada suspiro contido. Aproximei-me devagar. Seus amigos continuavam rindo e conversando, alheios. Mas ela... não. Ela me via. — Posso me sentar? — perguntei com a voz baixa, mas firme. Seus olhos se arregalaram, surpresa por eu falar com tanta naturalidade — como se não tivesse passado a noite inteira observando-a da escuridão. — Claro — respondeu, quase sussurrando. Sentei-me ao lado dela. Não de frente. Perto o suficiente para que nossos braços se tocassem casualmente. Ou, pelo menos, parecesse casual. Ela estremeceu. O lobo ronronou dentro de mim, satisfeito. — Cael — apresentei-me, estendendo a mão. Ela hesitou por meio segundo antes de segurar. Contato de pele. Quente. Elétrica. Quase perigosa. — Isadora. — Bonito — murmurei, sem soltar sua mão. Ela tentou, mas não puxou com força. Ela sentiu. Meu cheiro, meu toque... cada célula dela reagia. O elo estava se formando mais rápido do que eu esperava. Puxei suavemente a mão dela até minha boca e encostei os lábios em seus nós dos dedos. Um gesto antigo. Dominante. Marcante. Ela prendeu a respiração. O lobo ficou em silêncio absoluto, observando. Aguardando. Prestes a tomar o controle. E então, um dos amigos dela interrompeu. — Isadora, vamos comprar mais vinho? Ela piscou, como se estivesse voltando de um transe. — Claro. Eu... já volto — disse, levantando-se. Nossos olhos se encontraram uma última vez. Ela não conseguia decidir se queria fugir ou ficar. Mas eu já sabia. Ela ia voltar. Ela sempre voltaria para mim.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD