Narrado por Cael
A primeira noite após reconhecer sua companheira é a mais difícil.
O lobo não dorme.
Não deixa o corpo se afastar dela nem por um segundo.
Fiquei parado à sombra das árvores até o sol nascer. O chalé era grande, mas eu sabia onde ela estava. O cheiro dela flutuava pelo ar, selvagem e quente, como um convite involuntário.
Eu a senti se mexer. Ouvi a respiração ofegante. Ela tinha sonhado comigo. Comigo.
Não sabia ainda, mas o elo já começava a se formar.
O lobo queria entrar. Rasgar portas. Tocar. Marcar. Fazer dela o que já era — nossa.
Mas eu precisava me controlar. Ainda que minha parte racional estivesse sendo sufocada, ainda era o alfa. Precisava agir com estratégia. Conquistá-la... e não assustá-la.
A cidade era minha. Todos sabiam quem eu era. Todos me respeitavam. Mas ninguém sabia sobre ela. Ainda.
Eu precisava me aproximar. Naturalmente.
E precisava fazer isso hoje, enquanto ainda conseguia fingir algum controle.
Mais tarde, fui até o centro da cidade, onde meus negócios me davam liberdade para me mover como eu quisesse. Eu era o homem mais influente da região — Cael Thorne, o senhor da floresta, como alguns chamavam. Um nome que ninguém ousava desafiar.
Fiz questão de passar pelo café principal.
E lá estavam eles. Ela, sentada na mesa com os amigos, usando uma blusa fina demais para o frio da manhã.
Meus olhos a encontraram.
E dessa vez, ela não desviou.
Não havia mais volta.