107. Rubi

1345 Words

Eu não desconfiei no começo porque a Nanda é assim mesmo: aparece com pressa, fala que "vai ser rapidinho", e some com a minha paz como se fosse obrigação. Ela bateu no portão num fim de tarde, o sol ainda quente, e eu abri já com a cara de quem sabe que vai ser arrastada. — Rubi, se arruma. Agora — ela decretou, entrando sem pedir licença, como se a casa fosse dela. — Nanda, eu tenho coisa pra fazer. — Tu tem vida pra viver — corrigiu, apontando pra mim com aquele olhar de mando. — E hoje tu vai. Eu ri, mas era aquele riso de defesa. — Pra onde? — Ah, pra dar uma volta — ela falou, vaga demais. — Nanda... — Para de ser chata. Só bota uma roupa bonita. Não é baile, não é nada pesado. É só... uma coisa. A palavra "coisa" me deixou com o pé atrás. Eu fui pro quarto e troquei a roupa

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