O carro parou num lugar mais alto, mas não era vazio nem perigoso. Era um restaurante simples, com mesas na varanda, luz quente e uma vista que fazia o morro parecer um mar de estrelas. Eu não sabia que existia um canto assim, tão perto e tão fora do meu mundo. Edgar estacionou com calma, desligou o motor e desceu primeiro, como se o corpo dele já soubesse exatamente onde pisar. Eu desci depois, com ele me ajudando. A gente entrou e escolheu uma mesa no canto da varanda. Não era luxo, mas era confortável. Tinha música baixa, gente falando sem gritar, e um vento que esfriava a pele do jeito bom. Edgar sentou de frente pra mim, com aquela presença inteira que ele tem, como se ocupasse o espaço sem esforço. Eu me sentei ajeitando a roupa, tentando não parecer uma menina nervosa, mas era

