Edgar ficou um tempo em silêncio depois do beijo, bebendo a cerveja devagar como se tivesse todo o tempo do mundo, mas com o olhar preso em mim como se estivesse medindo cada respiração minha. Eu tentei fingir normalidade, mexendo no guardanapo, olhando a vista, mas o corpo já tinha entendido antes da cabeça: eu queria mais. E isso me deixava envergonhada de um jeito quase infantil, porque eu não estava acostumada a querer sem medo. Ele apoiou o copo na mesa e perguntou do jeito dele, direto e calmo: — Pra onde tu quer ir agora? A pergunta parecia simples, mas caiu em mim como se fosse um portão abrindo. Eu engoli seco, sentindo o rosto esquentar, e não consegui olhar nos olhos dele de primeira. Porque falar era dar forma. Era assumir. — Eu... — comecei, e parei, mordendo a parte de de

