109. Edgar

1111 Words

Eu coloquei a Alice na cama com um cuidado que eu nem sabia que tinha. Ela tava elétrica desde o restaurante, falando do letreiro vermelho, do cheiro de coisa nova, do nome da mãe na parede, como se aquilo fosse um castelo. No fim, o sono veio de uma vez, daqueles que derrubam criança no meio da frase. — História — ela pediu, já esfregando o olho. — História — eu confirmei, sentando na beira da cama. Escolhi uma qualquer, inventada, porque ela gosta mais quando eu invento do que quando eu leio. Falei de uma menina que tinha uma bicicleta cor de céu e uma mãe que fazia comida que curava tristeza. Alice foi sorrindo devagar, abraçada no cobertor, até o rosto amolecer. Quando eu achei que ela ia apagar, ela abriu os olhos de novo e me encarou com uma seriedade que não combina com cinco an

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