O domingo depois do almoço tinha aquele cheiro de comida ainda preso na casa. Arroz, feijão, um restinho de alho no ar, e a preguiça boa tentando me segurar no sofá. Mas a Alice não deixava. Ela já apareceu com o capacete na mão e a bicicleta empurrando com o pé, os olhos brilhando como se a pracinha fosse um parque de diversões. — Mamãe, vamos agora. Eu quero treinar sem as rodinhas. — Sem rodinhas ainda não, dona apressada — eu respondi, rindo, enquanto pegava a bolsinha e conferia se eu tinha água e um guardanapo. Descemos as escadas de casa, atravessamos a rua e fomos indo devagar. A Alice ia na frente, pedalando torto, e eu ia do lado, pronta pra segurar se ela perdesse o equilíbrio. O sol tava quente, mas a brisa batia no rosto, e por alguns minutos eu consegui esquecer que minha

