Eu segurei a mão da Alice e fui andando pra perto do parquinho, fingindo normalidade, mas por dentro eu tava tremendo de raiva. A criança não tinha culpa de nada, então eu sorri pra ela, fiz cara de "tá tudo bem", mandei ela pedalar mais um pouco. Só que eu sentia o Edgar atrás de mim, parado, olhando, esperando a hora de falar. E eu odiava isso: odiava que ele sempre parecia tão no controle quando eu tava toda bagunçada por dentro. — Mamãe, olha! — Alice gritou, fazendo a curva torta de novo. — Tô vendo, amor. Tá melhorando — eu respondi, com a voz mais doce do que eu me sentia. Edgar chegou perto devagar, do meu lado, e falou baixo, tentando não criar cena. — Rubi, para com isso. Eu virei o rosto pra ele, já com o sangue subindo. — "Para com isso" o quê, Edgar? Eu não fiz nada. Que

