Na praça, ela montou na bike como se fosse dona do mundo. Eu fiquei perto, andando ao lado, pronta pra segurar se ela tombasse. Alice pedalava torto, ria quando errava, parava pra me mostrar que sabia frear. E eu, por dentro, ia me acalmando com aquela cena simples: minha filha feliz. Minha vida andando pra frente. Depois de um tempo, ela cansou e começou a reclamar daquele jeito dramático. — Mamãe, eu tô morrendo de calor. — Tá nada, você tá viva demais — eu respondi, rindo. — Quer sorvete? Os olhos dela brilharam. — Quero! Eu peguei a mão dela e a gente foi até a barraquinha. Comprei dois: um pra ela, todo colorido, e um pra mim. Sentamos num banco, ela com a boca suja e feliz, eu tentando não sujar minha roupa e falhando do mesmo jeito. A praça tinha aquele som de fim de tarde: cr

