Os dias seguintes passaram com uma calma que, no começo, ainda me dava estranheza. Eu vivia esperando o susto depois do alívio, como se a vida sempre cobrasse caro quando eu me permitia respirar. Mas nada vinha. E aos poucos meu corpo foi entendendo que rotina também pode ser proteção. De manhã, eu acordava antes da Alice, fazia café, arrumava a mochila dela e deixava a casa em ordem enquanto o sol ainda tava fraco. Às vezes Edgar aparecia cedo, às vezes só mais tarde, mas sempre dava um jeito de marcar presença: um beijo rápido na porta, uma pergunta sobre a escola, uma mão na minha cintura antes de ele sair. Quando ele não vinha, mandava mensagem curta, do jeito dele, só pra eu saber que ele tava vivo e que eu existia na cabeça dele. Alice começou a gostar da escola de verdade. Passo

