Quando a gente começou a comer, Alice sujou a boca, pediu ketchup, quis dividir o pedaço comigo e depois quis o mesmo pedaço de volta. Edgar foi cortando pra ela, tirando a parte mais quente, assoprando de leve como se fosse pai mesmo. Eu observava e, em alguns momentos, minha garganta apertava do nada. Edgar percebeu em silêncio. Ele passou a mão por baixo da mesa e apertou minha coxa de leve, um gesto pequeno que dizia "tô aqui". — Tá gostando? — ele perguntou, casual, como se fosse só sobre pizza. — Tô — eu respondi, com a voz um pouco mais baixa. — Muito. A Alice interrompeu com a boca cheia: — Mamãe, depois a gente vai comprar minha bike, né? Eu quero rosa. — A gente vai ver — ele repetiu, paciente. — Mas eu quero rosa. — A gente vai ver — ele disse de novo, com aquela calma t

