O fim de tarde já estava virando noite quando eu sentei no degrau da porta com uma caneca de chá morno entre as mãos. Alice tinha passado o dia melhor, brincado um pouco sem correr demais, tomado o remédio direitinho e apagou cedo, cansada do jeito bom. A casa estava silenciosa, com aquele cheiro de limpeza e comida simples que eu aprendi a amar. Mesmo assim, eu não conseguia relaxar por completo. Quando a gente viveu tempo demais em alerta, o corpo demora a acreditar que o perigo não está chegando. Nanda apareceu como sempre, sem aviso, com o cabelo preso num coque alto e a cara de quem quer falar e ouvir ao mesmo tempo. Ela encostou no batente e me olhou de cima a baixo, avaliando se eu ainda estava de pé. — E aí, como tá a guerreira? — perguntou, com o tom leve, mas os olhos atentos

