A sacola na mesa parecia pesada demais pra algo tão simples. Remédio, soro, fruta. Coisas comuns. Mas, pra mim, era a prova de que ele tinha pensado na gente depois de ir embora. Que a madrugada não foi só um acidente. Que ele voltou porque quis mesmo. Alice se aproximou devagar, arrastando o ursinho, e ficou olhando a sacola com curiosidade. — Ele é bravo? — perguntou baixinho, como se tivesse medo de falar alto o nome dele. Eu me agachei e passei a mão no cabelo dela. — Ele é sério. Mas r**m ele não é, não. Ela pensou um pouco, com aquela seriedade de criança doente. — Ele fala baixo, mas eu gostei do carro. A frase me arrancou um sorriso curto, mais triste do que engraçado. Eu peguei as frutas, lavei uma maçã, cortei em pedacinhos e coloquei num prato pequeno. Alice comeu devagar

