Eu cheguei na casa da Tereza quase sem sentir o chão. A mão tremia, a bolsa parecia pesada demais, e a frase do vapor ficava rodando na minha cabeça como ameaça m*l digerida: "O dono da casa tá saindo da cadeia. É melhor você desocupar." Não tinha grito, não tinha arma, mas tinha medo. E medo antigo sabe crescer sozinho. Nanda abriu a porta e me olhou uma vez só pra entender que tinha coisa errada. — Rubi? O que foi? Eu entrei sem responder, sentei na cadeira da cozinha e senti o ar faltar. Alice ficou no quarto brincando, alheia, graças a Deus. Tereza veio logo atrás, já puxando outra cadeira, atenta daquele jeito que só mulher que criou filho no aperto sabe ser. — Fala, menina — ela disse. — Devagar. Quando eu contei, as palavras saíram emboladas. Falei do aviso, do dono da casa, da

