Azar ou Sorte?

2063 Words
Safira sentou-se no luxuoso restaurante que Henrique a levou. Não quis opinar aonde ir, pois não conhecia o lugar. O tempo que viveu no Brasil fora na região sul e pouco conheceu o lugar. Agora pensava na fortuna que seria gasta em uma única refeição naquele restaurante chique, mas resolveu não comentar, afinal o homem estava tentando ser simpático. - Olá em que posso servi-los? - Um garçom perguntou se aproximando deles. Safira nem se deu ao trabalho de abrir o cardápio. - Ah moço, o que vocês tem pronto já? - Como senhorita? - O garçom olhou rapidamente para Henrique que tinha os olhos focados nela. - De comida pronta, cozida, que dê pra comer agora...? - Safira continuou encarando o garçom ansiosa. - Bem... temos vários pratos de entrada e algumas saladas... - Pode ser então, o que tiver pronto aí... - Safira encara Henrique. - O que você vai pedir? - Ela fala após alguns segundos o olhando e ele não dizer nada. Henrique pigarra. - O mesmo para mim. - Diz franzindo o cenho. O garçom se retira e Henrique observa a mulher a sua frente. Está de olhos fechados e respirando devagar. Ela era totalmente fora dos padrões de todas as mulheres com quem tinha saído. Se bem que aquilo não era um encontro, ele apenas estava sendo gentil, pois acabara por fazê-la perder o último voo do dia. Maneou a cabeça. - Está tudo bem, Safira? - Disse o nome com uma sensação boa percorrendo-lhe o estômago. - Eu preciso comer, só isso... daí ficarei bem. - Safira responde sem abrir os olhos. Controlava-se para não desmaiar, sabia que quando ficava muito tempo sem comer passava m*l, mas os imprevistos foram tantos, que fugiu de seu controle. - Aqui estão... - O garçom largou os pratos a frente deles, e Safira nem esperou ele dizer os nomes, pegou seu prato, que era uma caldo de frango com morangas, e começou a comer. Henrique comia em silêncio observando a moça deliciando-se com o prato. - Está bom? - Perguntou segurando o riso. Safira o encara e dá um sorriso de lado. - Eu nem sei o que era isso, mas estava bom. - Termina seu prato, limpa sua boca e suspira. - Eu saí bem mais cedo de casa, e foram acontecendo tantas coisas erradas, que até me esqueci de comer. Quando vi, estava passando m*l. - Compreendo... - Henrique comenta, enquanto se pergunta de onde saíra aquela mulher. Do México, é claro... pensou ainda a observando. O garçom retornou com os pratos principais, e perguntou se queriam sobremesas. Henrique recusou, não era muito de comer doces. - Eu vi que vocês tem pudim, eu amo pudim... quero uma porção de pudim. - Safira diz por fim dando um breve sorriso ao garçom, que assente e se retira. O silêncio na mesa não é percebido por Safira que está concentrada apreciando sua comida, mas é imensamente sentido por Henrique, que ainda busca naquela mulher alguma coisa que mostre, que ela só está ali pelo dinheiro dele, e a troca de malas fora apenas um truque. O pudim chega a mesa e os olhos de Safira brilham. Desde criança era seu doce favorito, e era usado como moeda de troca na boate em que ficou muito tempo, era dado como prêmio quando ela ou uma das meninas recebiam elogio de um cliente importante. Hesitou por um momento, então deu a primeira colherada. Safira fechou os olhos e gemeu de prazer. Henrique sentiu seu m****o enrijecer-se contra a calça, imaginando arrancar aqueles suspiros e gemidos dela, mas de outra forma. - Você já comeu esse pudim? - Ela fala o encarando bem dentro dos olhos, fazendo-o se remexer na cadeira. Sem conseguir falar ele apenas n**a com a cabeça. - Então tem que provar! É o melhor pudim que já comi na vida! - Ela corta um pedaço com a colher e estende para ele. Henrique apanha a colher e come, ciente que era a mesma colher que ela tinha colocado na boca. E isso o estava deixando extremamente e******o. Era um flerte que até hoje ele não tinha vivenciado, mesmo ele achando que ela não estava de fato flertando com ele. - Realmente, delicioso. - Ele fala passando a língua nos lábios. - Não te falei?! - Safira fala de olhos bem abertos e animados, nem parecia mais a mulher rabugenta do elevador. Ela divide ao meio o pudim. - Pode ficar com esse pedaço, eu não conseguiria comer tudo de qualquer forma. Henrique não consegue recusar, pega sua colher e come do prato que ela colocou no centro da mesa. Depois de satisfeitos, saem do restaurante. - Muito obrigada, senhor Fernandes pelo jantar, eu já vou indo. - Pode me chamar de Henrique. Afinal quase morremos juntos hoje. - Ele da um sorriso de lado. Safira da uma risada, fazendo Henrique sentir um arrepio na coluna. - Que exagero, mas ok, Henrique. - Ela fala ainda rindo. - Vai para onde? - Ele pergunta casualmente. Safira suspira cansada. - Eu pretendia ir para o aeroporto, mas acho que vou procurar um hotel, estou acabada. Henrique maneia a cabeça. - A cidade é turística, estamos no meio de um mês de conferências internacionais. - Ele ergue as sobrancelhas. - Por isso ando tão ocupado. Dificilmente encontrará um quarto de hotel a essa hora. Safira olha no relógio. São quase 23 horas. - Nossa... a hora passou rápido desde àquele elevador. - Venha comigo, pode ficar no meu apartamento essa noite. Safira vira a cabeça para o lado. - De jeito nenhum, muito obrigada. Vou para o aeroporto mesmo. - Diz, já abrindo o aplicativo de táxis. Henrique franze o cenho mais intrigado a cada minuto. A mulher está fugindo dele? - Eu não pretendo sequestrá-la! É apenas uma gentileza... - Gentileza de mais... quero não. - Ela fala sem encará-lo. Henrique então coloca as mãos nos bolsos a encarando incrédulo. - Para que você veio até aqui, afinal? Safira o encara. - Para pegar minha mala. Que por sinal, ainda está no seu carro. - Ela fala lembrando-se da bendita mala. - Ah... lembrou da mala... - Olha só. - Safira força um sorriso. - Eu estou cansada, sem voo, sem hotel, sem banho, pelo menos tô alimentada. - Fala maneando a cabeça. - Mas não me provoca tá, eu já ultrapassei meu limite de bondade de hoje! - Tem um limite de bondade? - Todo mundo tem! Agora vamos, me dê minha mala, e eu vou embora. - Ela vai em direção ao carro. Henrique não se conforma. De todas as mulheres do mundo, a mais gostosa não quer dar em cima dele. - Eu te levo até o aeroporto então. Safira se vira e estreita os olhos. - Não estou gostando dessa sua generosidade toda. Prefiro quando está sendo i****a. Henrique ergue as sobrancelhas e as franze surpreso. - i****a? Safira leva a mão a testa e fecha os olhos. Às vezes esquecia que os homens eram tão mesquinhos e chatos. - Ok, me leve até o aeroporto. Muito obrigada. - Ela fala séria, sem dar margem para que ele entenda qualquer outra coisa. Não estava interessada em um romance de uma noite, ainda mais com um brasileiro. Era perigoso demais, mesmo que ela tenha o achado o maior gato, e tenha gostado do perfume dele. Henrique abriu a porta do carro para ela, deu a volta no carro e sentou em seu lugar, na direção. - Para o aeroporto então! - Disse ainda frustrado e pensativo. Safira desceu do carro, pegou sua mala e sua bolsa e saiu sem olhar para trás. Já devia ter ido embora. O aeroporto estava lotado, tinha gente para todos os lados, pessoas resmungando, ou reclamando que a situação era absurda. Safira estranhou, mas dirigiu-se ao guichê e aguardou ser atendida. - Olá, eu gostaria de uma passagem para a cidade do México. - Só um momento... - A atendente averiguou o computador e então, fez uma cara de decepção para ela. - Me desculpe, mas estamos com uma tempestade se aproximando, das fortes. Com possibilidade de um tornado, então não estamos arriscando nenhum voo. - Não... não... - Safira não podia acreditar no que ouvia. - Diz que é brincadeira moça, por favor... é pegadinha não é? - Infelizmente, como pode ver, não é só o seu voo que não sairá. Safira olha a volta e enfim percebe que a super lotação do aeroporto e a óbvia insatisfação é por conta do cancelamento de todos os voos. Não há um canto para sentar, tem pessoas por todos os lados, então ela resolve sair do aeroporto. O ar do alado de fora estava quente, mas com um vento fresco. Tentaria achar um quarto de hotel. Já parada do lado de fora, começou a pesquisar os hotéis próximos. Vai ligando de um em um, e para seu desespero, nenhum tem vaga. Nenhum ao menos tem um quartinho de empregados para ela, por que ela já estava implorando por algo, qualquer coisa que fosse. Olhou para o céu e viu as nuvens pesadas se movimentando rápido a medida que o vento aumentava. Bufou! Teriam uma tempestade mesmo, então! Virou-se para voltar para dentro do aeroporto e deu de cara com Henrique. - Meu Deus Homem! Que susto! - Ela leva a mão ao peito. - O que faz aqui? - Eu desconfiei do aeroporto tão lotado e perguntei a um dos taxistas, que me informou a situação. - Ah.. pois é... - Safira balança a cabeça inconformada. - Foi difícil te encontrar no meio dessa confusão, já estava saindo... Safira o olhou com cara de interrogação. - Porque me procurava? - Bem, acredito que não tenha encontrado um hotel, visto que está voltando para dentro do aeroporto, e minha oferta ainda está de pé. - Henrique estava muito intrigado com Safira, não tinha a menor intenção de ficar com ela, apenas queria conhecê-la. Safira sentiu um calor lhe subindo as faces. - Eu não sou esse tipo de mulher. - Não mais, pensou mas não falou. - Não vou dormir com você! Cai fora! Henrique realmente se assustou com as palavras dela, porque apesar de ele a achar incrivelmente desejável, não estava propondo a ela um programa ou seja lá o que ela tenha pensado. - Não é isso! - Falou se prostrando a frente dela, enquanto ela tentava passar. - Então o que é? Porque que se eu bem me lembro, por telefone, você era capaz de me esfolar viva. E agora ta dando uma de bom samaritano!? Henrique sentiu a raiva lhe subir no peito. - É... realmente, nem eu sei porque estou aqui. - Henrique balança a cabeça irritado. Era só o que faltava! Ela era só uma doida mesmo. Não valia o esforço! O telefone de safira toca e ela atende ainda o encarando brava. - Oi, mãe... sim está tudo bem... - Seu olhar se suaviza. - Não voltarei hoje... calma, está tudo bem... Safira fala em espanhol com sua mãe, Henrique se mantém parado, enquanto Safira da alguns passos em direção a rua, mas ele ainda a ouve explicando para sua mãe o que está acontecendo. Seu espanhol era terrível mas ele conseguiu entender algumas coisas. Como: Vou ficar no aeroporto. Não tem hotel. O homem da mala? Não! e depois de muitas palavras indecifráveis ela desliga e vira-se para ele. - Olha só... não é que você venceu! Henrique ergue uma sobrancelha e põe as mãos nos bolsos. - Venci? - Minha mãe ligou do México... - Ela olha para o céu e passa a língua nos lábios, sem perceber que Henrique engole seco, já hipnotizado por suas reações. - Do México, para me dizer, que é perigoso ficar sozinha no aeroporto. Me fez prometer que pediria ajuda para o homem da mala. - Ela força um sorriso, que logo some e revira os olhos. - Eu sou muito azarada mesmo! Não sei porque ainda tento... Henrique solta uma risada. - Você devia se sentir uma mulher de sorte. Afinal, terá um lugar para ficar, longe dos perigos do aeroporto e protegida da tempestade... - Ele não sabia se ela era realmente assim azarada, ou se mentira sobre sua mãe. Mas não importava, a sorte ainda estava do lado dele. Teria mais um tempo com ela.
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