Safira estava sentada há mais de uma hora no aeroporto aguardando o embarque. Sua mãe a fizera prometer que avisaria quando chegasse lá e quando fosse voltar, e fez uma oração antes de ela sair de casa. Tinha esquecido de quão calorosos eram seus familiares. Suspirou e foi até o guichê perguntar se o voo atrasaria mais, pois era para ter saído a mais de meia hora atrás.
- Desculpe senhora, mas o avião teve de fazer um retorno, mas em breve estará chegando.
- Ok, obrigada. - Voltou a sentar-se e discou o número do escritório de Henrique e aguardou.
Henrique, esperara cerca de duas horas por Safira no aeroporto, mas nada da mulher chegar e nem por telefone conseguia contato com ela. Precisava voltar para a empresa, ou perderia mais uma reunião.
Era próximo das 16 horas quando o telefone celular de Henrique começa a vibrar. Ele atende em uma pausa da reunião. - Diga, Rita!
- Senhor, a moça...
- Safira?
- Isso. Está aqui no seu escritório.
- Mande aguardar, estou em reunião. Assim que der vou para aí.
- Ok.
Henrique sentiu uma leve irritação, a faria esperar o tempo que teve de esperar por ela. Onde já se viu? A mulher diz que está saindo do México, se atrasa mais de duas horas e não avisa! Era o cúmulo!
Safira já estava sentindo sua cabeça latejar. Não era mesmo seu dia, hoje. O avião demorara para chegar, tiveram de fazer um pouso extra, e ainda teve de ir até o escritório de Henrique, porque se atrasara muito e ele não pode esperar! Agora já passavam das 18 horas e o homem ainda não tinha aparecido. Por conta disso perdera o último voo do dia, e teria de esperar para pegar no dia seguinte. Bufou, olhando pela enésima vez o relógio.
- Olá, Safira? - Ouviu a voz penetrante e já soube de quem era. Ergueu os olhos e encarou o homem. Levantou-se e estendeu a mão para cumprimentá-lo. Ele era alto, os cabelos escuros e bem penteados, os olhos castanhos, sobrancelhas grossas, pele morena. Usava traje social, mas mesmo assim era possível perceber que tinha um porte atlético. Sentiu a mão grande cobrir a sua e apertar com firmeza. Seus olhos encontraram os dele e por um momento a hipnotizaram, até que ele falou, tirando-os do transe.
- Venha comigo ao meu escritório. - Henrique falou tentando disfarçar seu encantamento. Percebeu sua voz mais rouca, o breve aperto de mãos e o olhar intenso foram suficientes para o excitar.
Safira o seguiu em silêncio, estava exausta do dia e sem vontade de conversar.
- Aqui está sua mala, senhor Fernandes. - Ela fala estendendo a mala em sua direção.
Henrique a encarou estreitando os olhos. Ela era ainda mais bonita pessoalmente. Os olhos de um azul profundo, sobrancelhas expressivas, uma boca rosada e bem desenhada, os cabelos pretos ondulados caindo sobre os ombros. Ela vestia uma calça jeans azul escuro, sandálias baixas e uma blusa regata verde escuro, com um pequeno decote, mas que delineava os fartos s***s dela. Era com certeza uma das mulheres mais lindas que já tinha visto.
- Porque demorou tanto? Eu fiquei mais de duas horas no aeroporto...
Safira o interrompeu, chegando ao seu limite. O homem era bonito, sexy, milionário, mas era um arrogante também. - Bom, pelo visto se vingou não é mesmo?
Henrique podia ver o fogo nos olhos dela.
- Eu saí de casa antes das 9 horas da manhã! - Ela falava gesticulando as mãos. - O avião atrasou, depois deu problema, teve que fazer um pouso sei lá onde, e por fim quando cheguei, tive que vir aqui!
Henrique pensou em falar, mas ela não lhe deu tempo. - O senhor me fez esperar por quase duas horas! Então tenha-se por satisfeito e vingado. Pegue sua mala e me dê a minha! - Safira não estava para conversas e o homem ainda queria questioná-la? Era o fim dos tempos mesmo!
Henrique pegou a mala, esforçando-se para não rir. Era divertido ter uma mulher não abaixando a cabeça para ele. Qualquer outra no lugar dela, pediria perdão... - Está ali a sua. - Ele falou apontado para um pequeno sofá ao lado.
Safira se dirigiu para o sofá e apanhou sua mala. Estava pronta para sair pela porta quando ouviu-o dizer. - Espere, deixe-me conferir se todas as minhas coisas estão aqui!
Henrique observou de soslaio ela ficando vermelha, ele podia jurar que ela pularia em cima dele, mas não como ele estava acostumado, isso podia apostar.
- Tudo aí? - Safira falou por entre os dentes odiando aquele homem.
- Tudo certo. - Ele disse a encarando de maneira séria.
Safira virou as costas e seguiu em direção ao elevador. Não se lembrava mais nem da fome que a consumia, só conseguia pensar em quão mesquinho um homem podia ser.
- Eu vou te levar até a saída! - Ouviu a voz de Henrique atrás de si e sentiu um arrepio na espinha.
- Tem medo que eu vá roubar algo de sua magnífica empresa? - Disse sarcástica revirando os olhos.
- De forma alguma, só cortesia mesmo.
Safira o encarou séria e viu um certo divertimento no rosto dele, isso a deixou mais irritada. Então quer dizer que agora sou uma palhaça! Pensou indignada. Entrou no elevador em silêncio, enquanto o homem se parou a seu lado. Apertou o botão do térreo e aguardou.
Estavam no oitavo andar, de dez, era bastante coisa, visto que não suportava mais a presença dele. Respirou fundo, buscando acalmar-se, afinal, estava tão irritada pelo dia estressante, não era culpa exclusivamente dele. Sentiu o perfume intenso dele e apreciou. Há tempos que não gostava de um perfume masculino, tinha pego nojo, através disso ela sabia que um homem se aproximava, e isso era motivo de medo. Mas devido a liberdade que obteve, começou a voltar a sentir os prazeres da vida. Deu um meio sorriso, pensando nisso.
- Posso saber o motivo do sorriso? - Henrique observava a mulher em silêncio. Ela parecia estar em outro mundo, os olhos parados vivendo outro momento. O perfume dela se espalhava pelo elevador, o deixando levemente tonto, se ela tentasse o seduzir, ele não reclamaria. Pensava em como puxar um assunto quando a viu sorrir levemente.
Safira bufou e apertou o botão do térreo novamente.
- O elevador não anda mais rápido pela quantidade de vezes que apertamos os botões. - Henrique fala, no momento em que sente um socalão, e o elevador para. - O que você fez? - Ele pergunta a encarando.
- Eu só apertei o botão, isso não faz o elevador parar. - Safira respondeu se segurando nas paredes laterais do elevador, enquanto desciam mais um pouco e por fim paravam novamente.
- Mas que d***a! - Henrique pega seu celular do bolso.
Safira fica o encarando enquanto o ouve falar com alguém no telefone.
- E aí? O que aconteceu? - Ela pergunta de cenho franzido.
- Não sei. - Ele escora-se na parede.
- Como assim não sabe? - Safira fala alto demais, não acreditando na calma de Henrique.
- Vão chamar os técnicos, deve ser algum cabo com m*l contato ou sei lá o que.
Safira choraminga enquanto se escora na parede e escorrega até sentar-se no chão. - Era só o que me faltava. Presa no elevador.
Henrique não disse nada. Quis dar uma de Don Juan e acabara preso no elevador com uma azarada. - Você só se mete em confusão né? - Ele fala se sentando no chão ao lado dela.
- Ah cala a boca! - Safira tirou seu celular da bolsa lateral que carregava. Não tinha mais paciência para olhar na cara dele.
Depois de cerca de meia hora Safira não aguentava mais ficar presa ali dentro. - Não te falaram mais nada? Estão arrumando essa porcaria?
Henrique estava apreciando o silêncio ao lado de Safira. Ela suspira ou bufava vez ou outra, mas seu perfume e presença compensavam. Mas vê-la reclamando o deixava mais indignado. Afinal estavam presos no elevador não era por culpa dele! Ela que apertara aquele botão desesperada. E ele nem a tinha culpado, para não gerar mais discussão!
- Vou ligar novamente. - Disse seco, enquanto via a mulher começar a caminhar de um lado para o outro.
O calor no elevador estava ficando cada vez pior, Safira, sentia uma leve tontura. Já não sabia mais se era pela falta de ar, pelo calor, ou pela fome que a estava matando.
Henrique tirou o casaco que usava, o calor no elevador estava aumentando, o ar condicionado tinha sido desligado e as luzes também, mantendo apenas as luzes de emergência. Sentia o suor escorrer pelas costas, mas estava mais preocupado com Safira. Ela parara de resmungar, e se abanava sem parar, enquanto o suor escorria por sua testa.
- Você está bem? - Perguntou se aproximando dela, se arrastando para sentar a seu lado.
- Estamos aqui há mais de uma hora...
- Eu sei. - Disse averiguando mais uma vez o celular.
- Eu estou sem comer desde que saí de casa... - Nesse momento, ouviram um barulho da a******a de cima do elevador. - Ai meu Deus. - Safira se levanta meio tonta e olha em direção ao alçapão do elevador se abrindo.
- Olá, tudo bem? - Um bombeiro fala de cima.
Henrique franze o cenho. - O que houve? Porque precisaram chamar os bombeiros?
- Foi uma falha elétrica, vai demorar um pouco mais para arrumar, por isso nos chamaram para salvar vocês. - O bombeiro riu de sua brincadeira.
- Ah, ta ok... - Henrique averiguaria isso. Como é possível um erro desse? E se desse um acidente pior? Teria de conversar com o pessoal técnico. Ajudou Safira a se prender na corda do bombeiro para ser retirada pela a******a do teto primeiro.
Safira, sentiu as mãos do bombeiro em sua cintura e seu corpo se encolheu. Ele tinha um cheiro forte de perfume misturado ao suor, que a fez sentir uma náusea. Respirou fundo e cambaleou para fora do buraco escuro do elevador.
Henrique saiu logo atrás de Safira, viu quando ela se escorou na parede e se sentou no chão. Um bombeiro a abanava, ela estava pálida e suava, correu em direção a ela.
- O que houve? - Virou para uns funcionários na volta. - Tragam água para ela! - Ordenou severamente, enquanto corriam para atendê-lo.
Safira estava tonta, com calor, seu estômago se revirava, e sentia uns tremores devido ao suor frio.
- Beba... - Ouviu a voz de Henrique, enquanto colocavam água em sua boca. Ela bebeu alguns goles e conseguiu ir se acalmando.
- Eu estou há muito tempo sem comer, acho que baixou minha glicose ou minha pressão, não sei...
- Então vamos comer, venha... - Henrique ajudou-a a se levantar.
- Obrigada, mas vou pro aeroporto e como por lá. - Disse retirando o braço da mão dele, ainda meio tonta.
- De jeito nenhum! Me sinto responsável por essa situação. - Henrique se preocupara com ela, estava muito pálida e trêmula. Não fazia bem ficar tantas horas sem comer, além do mais, ainda estava curioso para saber mais sobre a mulher com nome de pedra preciosa.
Safira não discutiu, não tinha mais forças, apenas assentiu enquanto ele a encaminhava para o estacionamento.