conhecendo a universidade

1083 Words
Ao chegarem em casa, o silêncio da rua contrastava com o coração cheio de tudo o que tinham vivido naquela noite. George estacionou com cuidado, desceu e abriu a porta. — Chegamos, senhores. Foi um prazer levá-los. — disse com respeito. — O prazer foi nosso, George. Obrigado por tudo. — respondeu Bled, com um sorriso sincero. Eles entraram em casa ainda comentando sobre o jantar, sobre a comida, sobre como a vida parecia, finalmente, caminhar na direção certa. Gisele foi direto para a cozinha preparar um chá leve. — Eu vou tomar um banho e dormir cedo — disse ela. — Amanhã o dia começa cedo. — Boa noite, mãe. — disse Joaninha, dando-lhe um beijo no rosto. — Boa noite, minha filha. Dorme bem. Bled também se recolheu, deixando Joaninha sozinha na sala por alguns segundos. Ela caminhou até a janela e ficou olhando a rua vazia, iluminada pelos postes. O celular vibrou em sua mão. Mensagem de Marcos. O coração dela quase saiu pela boca. > “Boa noite, Joaninha. Espero que o jantar tenha sido perfeito. Fiquei pensando em vocês o tempo todo. Amanhã passo às 9h pra te buscar. Boa noite.” Ela leu a mensagem três vezes antes de responder, respirando fundo para não demonstrar demais. > “Boa noite, Marcos. Foi uma noite linda. Obrigada por tudo. Até amanhã.” Assim que enviou, apertou o celular contra o peito e sorriu sozinha. — Para, Joaninha… — sussurrou pra si mesma. — Calma. Tomou um banho demorado, colocou o pijama e se deitou. O sono veio fácil, embalado por pensamentos que misturavam gratidão, medo e um sentimento novo, doce e perigoso. Na manhã seguinte O sol m*l tinha nascido quando Gisele já estava de pé. O cheiro de café fresco se espalhava pela casa. — Filha, acorda… — disse ela, batendo levemente na porta. — Já são sete horas. — Já vou, mãe. Joaninha levantou com o coração acelerado. Escolheu uma roupa simples, mas bonita: uma calça clara, blusa delicada e sapato baixo. Prendeu o cabelo em um r**o de cavalo elegante. Não queria exagerar… mas também não queria passar despercebida. Na cozinha, o clima era de expectativa. — Nervosa? — perguntou a mãe, servindo café. — Um pouco… — admitiu. — Mas tô feliz. — Isso é o que importa. — Gisele segurou o rosto da filha com carinho. — Seja você mesma. Só isso. Pouco depois, o som de um carro parando em frente à casa fez o coração de Joaninha disparar. — Deve ser ele… — murmurou. Ela respirou fundo, pegou a bolsa e caminhou até a porta. Quando abriu, Marcos estava ali. Camisa social clara, mangas dobradas, perfume discreto. Um sorriso que parecia iluminar tudo ao redor. — Bom dia, Joaninha. — Bom dia… — respondeu ela, sentindo o rosto esquentar. — Pronta? — Tô sim. Ele abriu a porta do carro para ela, com um gesto gentil que fez seu coração bater ainda mais rápido. Enquanto o carro se afastava, Joaninha não fazia ideia de que aquele dia — aparentemente comum — seria o começo de algo que mudaria sua vida para sempre. E Marcos… Ele também não fazia ideia de que já estava perigosamente envolvido. De repente, o carro diminuiu a velocidade e parou em frente a um edifício simplesmente deslumbrante. A fachada toda envidraçada refletia o céu azul da manhã, colunas modernas se erguiam com imponência, e o nome da universidade brilhava em letras elegantes logo na entrada. Jovens bem vestidos circulavam por todos os lados, rindo, conversando, alguns com livros nos braços, outros com mochilas de marca. Joaninha arregalou os olhos. — Marcos… — ela murmurou, ainda sentada no banco do carro. — O que é isso? Ele desligou o motor com calma, virou-se para ela e sorriu, como quem guarda uma surpresa há tempos. — É a sua universidade. Ela piscou algumas vezes, tentando processar. — A minha… universidade? — a voz saiu quase num sussurro. — Marcos, isso aqui deve ser caríssimo. Eu não tenho condições… como que vai ser? Ele segurou a mão dela com firmeza, mas com delicadeza, fazendo-a olhar diretamente para ele. — Vai ser assim: faz parte do seu presente. — disse com naturalidade. — Trabalho, sim. Você vai trabalhar como modelo de salto. Mas também faz parte do acordo garantir estudo, moradia e segurança pra você e pra sua família. O coração de Joaninha começou a bater forte demais. Aquilo tudo parecia grande demais… bonito demais… inesperado demais. — Eu… eu não sei nem o que dizer… — confessou, com os olhos marejados. — Eu nunca imaginei algo assim pra mim. Marcos levantou a mão dela até os lábios e depositou um beijo suave, respeitoso, que fez um arrepio percorrer o corpo dela inteiro. — Não precisa agradecer, Joaninha. — disse baixo. — Só precisa acreditar que você merece. Ela respirou fundo, sentindo o peito apertar de emoção. Os dois desceram do carro, e, instintivamente, ele entrelaçou os dedos nos dela. Caminharam juntos em direção à entrada. Algumas pessoas pararam, disfarçadamente, para olhar. Cochichos surgiram aqui e ali. Era impossível não reconhecer Marcos — o sobrenome, a postura, a presença denunciavam quem ele era. Joaninha ficou visivelmente desconfortável. — Marcos… — ela sussurrou, tentando soltar a mão dele. — Acho melhor você soltar a minha mão. Essas pessoas já te reconhecem… você é de família rica, famosa… daqui a pouco vira fofoca. E eu não quero te causar problema. Ele parou de andar. Olhou para ela com seriedade, mas também com um carinho que a desarmou completamente. — Vai ficar comigo. — disse firme. — Na minha mão. Protegida, tá? Ela engoliu em seco. — Fica tranquila. — completou ele, apertando levemente os dedos dela. — Ninguém aqui tem o direito de te diminuir. Muito menos de te julgar. Joaninha assentiu devagar, sentindo algo novo crescer dentro do peito: segurança. Eles continuaram andando, lado a lado. Ela olhava tudo com os olhos brilhando — os jardins bem cuidados, as fontes, os corredores amplos, as salas envidraçadas. Cada detalhe parecia um sonho distante que, de repente, tinha se tornado real. — É tudo tão… lindo… — murmurou. — Parece outro mundo. — Agora também é o seu mundo. — respondeu ele, com um sorriso discreto. E enquanto caminhavam, de mãos dadas, Joaninha não fazia ideia de que aquele lugar marcaria não só o início da sua vida acadêmica… mas também o começo de um sentimento que, aos poucos, se tornava impossível de ignorar.
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