Los Angeles - Califórnia, Estados Unidos.
Em um belo dia... Não, não! Essa expressão "belo dia" é coisa de marica e nossos protagonistas são muito machos! Refazendo a frase. Em um dia qualquer, Noah, um jovem arquiteto de vinte e sete anos, conversava pelo telefone, com Joshua, seu irmão caçula, e ator desafortunado de vinte e quatro anos.
— Ok, Beauchamp, a que horas você vai chegar aqui? — Noah perguntou, enquanto virava a última panqueca com graciosidade.
— Vou chegar hoje a tarde. — o loiro respondeu enquanto fechava sua mala. — Vê se não me esquece no aeroporto como da outra vez, seu desnaturado.
Já fazia um ano e meio que não ia visitar Noah na Califórnia, estava com saudades do irmão e das festinhas que ele fazia. Pensou malicioso.
— Tentarei não esquecê-lo maninho. — Noah enfatizou. — Então até mais tarde!
— Até! — Beauchamp disse, antes de desligar.
Noah desligou o fogo e arrumou suas panquecas impecavelmente no prato. Ele era muito organizado e não gostava de bagunça. Bailey aparece, vestido com uma bermuda e secando os cabelos com a toalha.
— O café está pronto? — Bailey perguntou sentindo o cheiro da panqueca.
— Quando você fizer, com certeza. — Noah ergueu a sobrancelha com vontade de rir. Bailey fez um bico. — Brincadeira, eu fiz panquecas, mas não come tudo. — tirando o avental. — Vou tomar banho e já volto.
Bailey assentiu e Noah foi tomar banho. O moreno olhou as panquecas de esguelha e pegou três, ligou o vídeo game e ficou ali, comendo e jogando.
Noah terminou de se arrumar e saiu, estava faminto, passou por Bailey e foi para a cozinha, ficou vermelho ao ver que só tinha uma mísera panqueca, das cinco que ele fizera.
— BAILEY, QUEM MANDOU VOCÊ COMER TODAS AS PANQUECAS? — Noah berrou com irritação da cozinha, ao ver seu pratinho quase vazio.
— Minha fome e minha solitária. — Bailey respondeu tranquilamente da sala, enquanto jogava outra partida de vídeo game. — Sabe o que é Noah? Eu estava faminto, elas estavam aí e passei elas pra dentro, não embaça.
— Que filho da p**a que você é! — Noah continuava xingando. — Ninguém pode sequer tomar um banho, sem que venha um engraçadinho e roube o seu café, que inferno!
— Tá bom, eram apenas quatro malditas panquecas. — Bailey se levantou, cheio de todo aquele drama. — Come cereal ou faz mais, simples.
— Fácil falar. — Noah despejou cereal na tigela. — Vir fazer que é bom, nada né?
— Tá Noah, não seja boiola. — o moreno bufou, já de saco cheio do exagero do amigo. — Que horas Josh vai chegar? — Bailey perguntou, já com saudades do loiro.
Bailey era estudante de administração, desde que começou a faculdade há três anos, mora com Noah. Era bastante folgado e muito bagunceiro, deixava Noah com os cabelos em pé.
— Por volta das onze. — Noah suspirou, sentando-se. — Achei ótimo ele vir, faz um bom tempo que ele não vem.
— Verdade e o que deu nele para querer vir assim? — Bailey perguntou, já sabendo a resposta.
— O que você acha? — Noah negou com a cabeça. — Mulheres, Joshua arruma mulheres e mais mulheres e não dá conta das gatas, elas se agridem entre si e sobra pra ele, parece que ele está querendo fugir das loucas.
— Que novidade... — Bailey rolou os olhos.
A campainha tocou e Bailey levantou-se para atender. Ao abrir, viu Any, sua vizinha, com cara de sono.
Any era uma bonequinha na opinião dele, tinha os cabelos cacheados e um narizinho arrebitado e a pele bronzeada. Não era magra nem gorda demais, estava na medida certa.
Mas ele a via apenas como uma amiga, não que fosse gay, longe disso, mas Any já se tornara intima demais pra que tivessem algo além de amizade, ele odiava ser amigo de suas amantes. Achava estranho.
— Pois não Qualquer? — ele sorriu malicioso.
— Vai se f***r! — Any rolou os olhos, mostrando uma xicarazinha. — E bom dia! — ela sorriu abertamente, dava pra ver que seu sorriso era falso. — Lamento incomoda-los tão cedo, mas será que podem me emprestar um pouco de açúcar? — ela disse, dessa vez com o sorriso amarelo. — Eu acordei super tarde e tenho que fazer meu café e a mamadeira da Alex. — ergueu a sobrancelha. — Tenho uma entrevista de emprego dentro de... — olhou no relógio. — Duas horas e eu preciso chegar na hora.
— Sem problemas, entra aí. — ele riu e ela entrou.
— Olá Noah! — ela sorriu para o amigo, vendo que ele comia o cereal com um bico enorme. — Você me parece chateado. — ela indagou.
— Pergunte para o Bailey, que comeu meu café. — ele disse olhando para Bailey, com careta.
— Que maldade Bailey. — Any negou com a cabeça, se fingindo de séria. — Mas não ligue Noah, prometo que depois venho fazer um super bolo de chocolate pra você!
— Isso Anyzinha! — Noah disse com os olhinhos brilhando. — Bate aqui! — estendeu a mão e Any sorriu chocando sua mão com a dele. — E a Alex? — perguntou.
— Ainda está dormindo. — Any estendendo a xícara para Bailey. — Ontem ela foi dormir tarde. — olhou as unhas. — Minha filha nunca esteve tão danada, acreditam que ela já está querendo andar? — cruzou os braços.
— Sério? — os dois perguntaram em um uníssono.
— Sério. — Any riu. — Ela é muito precoce, não acham? A Sabina disse que a Susy, irmã dela, aprendeu a andar com um ano e três meses. — pegou a xícara que Bailey lhe estendia. — E a Alex com nove meses já está fazendo tudo isso, eu fico um pouco surpresa.
— Realmente, mas todos nós sabemos que a Alex sempre foi esperta, tanto que ela aprendeu a falar mamã com sete meses, coisa de louco. — Bailey gargalhou.
— Minha mãe falava que o Josh e eu sempre fomos muito precoces, Joshua também aprendeu a andar com nove meses. — Noah disse pensativo.
Any deu um sorrisinho nervoso.
— Er... Pois é né? — ela coçou a nuca. — Falando nele como ele está? Já faz um bom tempo que eu não o vejo. — ela disse meio gaga.
— Está bem e falando nele, está chegando hoje. — Bailey disse.
Any tragou a saliva.
— Está chegando hoje? Aqui?
— É, aqui. — Bailey riu.
— Ah, que bom... — Any disse um pouco nervosa. — Escutem, eu preciso ir... Eu deixei a Alex sozinha e se ela acordar não vai ser muito legal de eu não estar lá. — disse um pouco afobada. — Muito obrigado pela xícara, digo... Pelo açúcar. — agradeceu.
Os dois se entreolharam estranhando e a garota saiu com rapidez.
— O que deu nela? — Bailey indagou.
— Sei lá. — Noah voltou a tomar seu café. — Enfim, ela é uma mulher, mulheres são loucas. — disse com a boca cheia.
Bailey riu e negou com a cabeça.
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Any entrou em seu apartamento, amarela. Estava tudo em silêncio, com certeza Alex, ainda estava dormindo, já que quando a pequena acordava abria o berreiro. Foi até a cozinha e tratou logo de botar a água pra ferver, estava atrasada para sua entrevista de emprego.
Any Gabrielly tinha vinte e dois anos e sempre fora apaixonada por Joshua, era louca por ele, mas ele não lhe dava muita bola, chegaram a t*****r algumas vezes, uma vez em especial sem qualquer tipo de proteção, mas ele estava tão bêbado que ela duvidava se ele se lembrava de tal fato. Mas rolou e nesse descuido acabou ficando grávida dele.
Sua filha era morena e tinha os olhos bem azuis. Era uma princesinha. Josh não fazia ideia que Any tinha engravidado, até por que ele nunca mais quis saber dela. Joshua nunca ligou e nem procurou saber como ela estava, sabia que não era importante para ele e também sabia que ele estava mais preocupado em curtir sua vida, se focar em sua carreira de ator e não teria tempo para cuidar de um bebê, então resolvera cuidar de Alexia sozinha.
— Mamã! — escutou a pequena e sorriu.
Ao chegar lá ela estava sentada no berço. Assim que viu a mãe, ela estendeu os braços e Any a pegou no colo.
— Ei meu amor? — deu um beijinho na bochecha dela, saindo do quarto. — Como você dormiu hein? — atravessou a sala com a pequena no colo e deixou a filha sentadinha no tapete enquanto terminava o café.
Alex logo ficou entretida com seus brinquedinhos. Any apenas sorria, vendo como ela era perfeita e fofa.
Só ela sabia como era difícil criar um bebê sozinha, não tinha ninguém no mundo, mas de acordo com as freiras foi encontrada enrolada em uma bandeira do Brasil, com seu nome "Any Gabrielly" na carta escrita em português, demonstrando que sua mãe não estava pra brincadeira no quesito de lhe sacanear. Qualquer Gabrielly, p**a que pariu.
Any nunca conhecera seus pais e cresceu em um orfanato. Foi adotada por uma velhinha quando tinha quinze anos, mas a velha safada só a usou mesmo para que cozinhasse e fizesse serviços domésticos, que com a idade avançada ela já não podia mais fazer.
Quando a velha empacotou não deixou nem um trocado que fosse para a cacheada, que ficou com uma mão na frente e outra atrás. Sem casa e com seu salário miserável, Any conseguira alugar esse apartamento. Quando Joshua fez o favor de engravidá-la e sumir em seguida, Any levou um pé na b***a do chefe e mais uma vez ficou sem dinheiro, sendo sustentada apenas pelos b***s que fazia como babá.
Assim que Alex nasceu, Sabina lhe arranjou um emprego em uma lanchonete, como garçonete, não era muita coisa, mas dava para pagar suas contas. Se não fosse o fora e o chute no saco que tinha dado no chefe gorducho que tentou assediá-la, estaria lá até hoje, mas não, não se permitira corromper por aquele sujeito asqueroso, foi para a rua com muita dignidade.
Tomou café, e tomou banho com Alex, se arrumou e arrumou a filha e por fim saíram de casa.
Caminhou duas quadras com a pequena no colo e quase perde o ônibus, olhou no relógio e viu que estava atrasada, tinha que correr pra não se atrasar. Desceu bem em frente à creche de Alex.
— Prontinho, minha filha. — disse aliviada. — Chegamos.
A moça se aproximou e estendeu os braços para pegar a bebê, que se agarrou à mãe.
— Vamos Alex, não faça dramas hoje, sim? — Any disse, lhe entregando para a mulher.
— Nom, nom mamã... — a pequena negava com a cabeça e fazia um biquinho de choro.
Era assim todos os dias e Any nunca se acostumaria com aquilo, lhe doía muito ver sua filha aos prantos, mas era preciso, ela precisava procurar trabalho. Any deu um beijinho na cabecinha dela.
— Comporte-se sim? — sorriu de leve e cumprimentou a professora com a cabeça, como se dissesse que já podia leva-la.
Foi o bastante para Alex começar a chorar e se contorcer no colo da mulher que tentava acalma-la.
Any sentia o coração apertar, mas sabia que a pequena ficaria bem, então correu até o local onde estava marcada a entrevista, que ficava a três quadras dali.
Assim que entrou viu uma senhora gordinha que cuidava do caixa. A mulher fez uma careta e voltou a fazer o que estava fazendo, aquilo parecia um mercado, mas estava bem vazio para a opinião de Any. Deixando suas ideias de lado, se aproximou da mulher.
— Olá, eu sou Any Gabrielly, tenho uma entrevista de emprego aqui com o senhor... Só um minuto. — pôs a mão na bolsa e tirou um jornal para ler o nome do homem. — Ruy. Ele já chegou?
— Agorinha... — a mulher sussurrou.
— Você pode me dizer onde ele está? — a gordinha assentiu. — Onde é?
— Por ali. — apontou. — Você dá duas batidinhas antes de entrar viu? — disse abrindo uma bala e a pondo na boca.
— Claro. — Any assentiu e se retirou, indo até a porta. Deu duas batidinhas. — Que Deus me ajude. — fez o sinal da cruz.
— Pode entrar. — ouviu a voz do tal de Ruy.
Ruy parecia ter uns quarenta anos, magricelo, era meio esquisito, usava uns óculos de sol em cima da cabeça e fumava um cigarro. Any franziu um pouco a sobrancelha, achando estranho.
— O senhor é o Ruy? — ela perguntou, com a cara na porta.
— Eu mesmo. — lançou um olhar sedutor, ou assustador. Any não entendia qual a tentativa dele, se era seduzi-la ou assustá-la. — Entre e feche a porta.
Any fez o que ele disse e se aproximou com as mãos pra trás.
— Bem, eu sou Any Gabrielly, eu vi seu anúncio no jornal, nos falamos ontem pelo telefone e o senhor marcou de me encontrar nesse endereço.
— Sim, eu sei, sente-se Any. — disse analisando-a, gostando do que via. — Eu não vou enrolar muito, vou ser direto. Você tem experiência nesse tipo de trabalho? — perguntou sem delongas.
— Caixa de supermercado? Repositora? Eu não tenho experiência, mas posso aprender sem problemas senhor. — falava rápido e o homem riu.
— Eu não sou dono desse supermercado. — ele apagou o cigarro. — Eu acho que você não está entendendo. — ele a olhou estranhamente. — Mas vamos parar de brincadeira, tire a roupa. — ele disse levantando.
Any arregalou os olhos, levantando também.
— Mas... Como assim tirar a roupa, o senhor endoidou? — a cacheada disse com os lábios entreabertos.
— Eu preciso analisar seu corpo, tenho que ver se está nos padrões para o filme. — piscou.
— Mas que filme? — ela perguntou perplexa, abraçando sua bolsa.
— O filme pornô que eu estou produzindo. — ele disse. — Eu pensei que tinha entendido o anúncio, quando eu pedi uma pessoa que fosse maior de idade, n***a e com o corpo em forma... Ainda mais com meu nome, Ruy Evans, vai me dizer que não conhece?
— Mas eu pensei que... — ela pôs a mão na testa. — Esqueça senhor, eu não vou fazer filme nenhum, isso foi um engano!
— Espere aí... — ele a impediu de sair. — Você nunca ouviu falar de mim? — ele perguntou, perplexo.
— Não senhor, eu nunca lhe vi mais magro. Adeus! — se soltou dele e saiu como um foguete.
Ruy ficou perplexo e pegou o celular discando os números. Em seguida alguém atendeu.
— Golias! — berrou com o homem. — Uma tal de Any Gabrielly não sabe quem eu sou! — esbravejou. — Você não está cuidando da minha imagem como deveria, eu quero que todo mundo saiba quem eu sou entendeu?! Incompetente! — desligou sem deixar o homem se explicar e voltou a sentar-se.
Afinal ainda tinha mais algumas mulheres para entrevistar e tinha que estar gatão.
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Merda! Pensava Any enquanto caminhava até o ponto de ônibus, mais uma entrevista que não serviu pra nada além de tomar seu tempo. Não estava mais aguentando aquela escassez de emprego, a Los Angeles era enorme, tinha que ter algum trabalho para ela, mas parecia que a sorte não estava ao seu lado.
O pior que suas contas estavam atrasadas, já tinha dois meses que não pagava o aluguel e a dona do apartamento já estava impaciente, tirando que tinha uma filha para criar.
— Vamos lá Any, você não pode desistir. — disse pra si mesma, iria aproveitar que Alex estava na creche para distribuir alguns currículos.
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Joshua desembarcou com um sorriso de orelha a orelha, m*l podia acreditar que estava respirando ares diferentes de Ingrid e Jenny. Aquelas duas malucas iriam lhe enlouquecer com tantas brigas.
Se achavam donas da vida dele quando não eram sequer namoradas e nem nada do tipo. Adorava comer aquelas malas, mas já estava começando a achar tudo aquilo caro demais, ele precisava de novos ares e novas mulheres. E a Califórnia, era o lugar ideal.
— EI JOSH! — ouviu seu nome e se virou.
Sorriu ao ver seu irmão, Noah acenando e dando pinotes ao lado de Bailey. Caminhou até lá e deu um abraço apertado no irmão e em seguida no amigo.
— E aí seus comedores?! — ele deu um abraço em Bailey. — Quanto tempo! — deu um pedala em cada um.
— Cara, eu não pensei que te veria aqui agora. — Bailey disse. — Sem você as festinhas não tem a mínima graça.
— Eu sei disso. — Beauchamp se gabou. — Mas não precisam mais chorar, eu já cheguei e hoje mesmo vamos pegar umas gatas, por que eu estou muito estressado... Preciso relaxar concordam?
— Concordo, mas eu não vou poder sair hoje, tenho faculdade amanhã. — fez um bico.
— Eu pensei que você já estivesse de férias seu mané. — Joshua lhe encarou, com careta.
— Amanhã é sexta, o último dia seu o****o. — Bailey lhe deu um leve murro no braço.
— Chega! — Noah disse. — Hoje não saímos, mas amanhã... — fez uma carinha.
Os outros dois assoviaram e deram gritos concordando, algumas pessoas olhavam o trio assustadas.
— Maninho, ainda bem que você não me esqueceu aqui, imagina só trocar o irmão por sexo? — abraçou o irmão pelos ombros. — Que consideração.
— Ah e você não trocaria jamais, não é? — Noah ironizou.
— É claro que eu trocaria. — piscou e os três riram.
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À noite, Any estava em casa vendo TV e observando Alex engatinhar no tapete, estava muito preocupada com suas contas. Ouviu a campainha tocar e abriu, sorriu ao ver que era Sabina, sua amiga.
— Oi Sabi! — sorriu, dando espaço para ela entrar. — Entra.
— Tenho ótimas notícias! — a morena disse, toda alegre. — Ei coisinha linda? — sorriu ao ver Alex engatinhando. — Vem aqui com a tia Sabina vem, coisa gostosa! — a pegou no colo e encheu a neném de beijos. — Que cara é essa Any? — colocando Alex no chão e olhando o semblante entristecido da amiga.