NARRADO GOLIAS Acendi o cigarro, puxando a fumaça pro fundo do pulmão, sentindo a brasa queimar o papel até quase encostar no meu dedo grosso. Soltei a fumaça devagar, um véu branco denso que subiu e se misturou com a poeira que dançava no feixe de luz que entrava pela fresta da janela do QG. Fiquei ali, em pé, o corpo gigante, trincado e coberto de tatuagem, iluminado só pela metade. Meus olhos pesados, calejados de tanta guerra, encaravam os relatórios de carga esparramados no chão de cimento. O Gigante tava no controle absoluto. A Muralha tava na mais santa e respeitosa paz que o chumbo, o sangue e o medo podem comprar. Pelo menos, era a ilusão maldita que eu alimentava. Foi então que o silêncio pesado daquele fim de tarde foi rasgado no meio. Não foi o radinho da contenção chamando

