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GOLIAS: O DONO DO INFERNO

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O passado nunca morreu.Apenas esperou o momento certo para voltar.Depois de conquistar o impossível, Golias acreditou que finalmente poderia proteger tudo o que ama.Mas alguns inimigos não esquecem.Algumas dívidas jamais prescrevem.E alguns segredos foram enterrados vivos... esperando o dia de serem desenterrados.Agora, fantasmas voltam para cobrar cada escolha feita anos atrás.Uma nova inimiga surge das sombras.Mentiras começam a destruir alianças.Traições atravessam a própria família.E o amor entre Golias e Sara será colocado diante da prova mais c***l de suas vidas.Porque desta vez...O objetivo não é matar Golias.É destruir tudo o que ele construiu.Separar sua família.Transformar amor em desconfiança.Lealdade em traição.E fazer o homem mais temido do Brasil assistir ao próprio império ruir.Mas existe um erro que ninguém percebeu.Golias pode perder dinheiro.Pode perder poder.Pode perder seu império.Mas nunca perderá uma guerra sem transformar o caminho até ele em um verdadeiro inferno.Porque quando o passado volta para destruir uma família...O inferno ganha um novo rei.

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Capitulo 1
A chuva sobre Milão não caía. Ela golpeava. Relâmpagos rasgavam o céu noturno enquanto o vento fazia as enormes janelas de vidro blindado do edifício Moretti Holdings estremecerem. No quinquagésimo andar, porém, a tempestade não tinha a menor permissão para entrar. Ali, o silêncio era absoluto, denso e sepulcral. Meu escritório é uma extensão da minha própria alma. Don Alessandro Moretti. Luxuoso. Frio. Imponente e letal. O mármore n***o cobria o piso, refletindo as sombras de um império construído sobre ossos. As paredes eram revestidas da mais fina madeira italiana. Quadros avaliados em dezenas de milhões de euros decoravam o ambiente, enquanto a lareira queimava de forma controlada, espalhando um calor completamente incapaz de aquecer o sangue de quem quer que pisasse ali dentro. De costas para a porta, eu observava a minha cidade. Milão rastejava aos meus pés. Na minha mão direita, um copo de cristal pesado contendo uísque puro. Na esquerda, nada. Homens do meu nível e da minha estirpe não precisam carregar armas. Nós não sujamos as mãos com pólvora. Nós assinamos documentos, damos sentenças em sussurros e mandamos que outros puxem os gatilhos que dizimam famílias inteiras. A pesada porta de mogno se abriu sem emitir um único ruído. Vittorio entrou e parou a exatos três passos de mim. Esperou em silêncio, como um cão de guarda treinado para só latir quando o mestre permite. — Demorou — minha voz grave ecoou pelo salão, cortando o ar gelado. — Peço perdão, Don. — Eu não pedi desculpas, Vittorio. Pedi explicações. Vittorio respirou discretamente, mantendo a postura de granito. — Encontramos o que o senhor procurava há sete longos anos. O silêncio aumentou, tornando-se quase asfixiante. Continuei olhando a chuva castigar os prédios menores lá fora. — Encontraram... ou perderam mais do meu tempo com rastros inúteis? — Encontramos a herdeira, Don. Virei apenas o rosto, olhando-o por cima do ombro. — Tem certeza? — Absoluta. — Se você estiver errado, Vittorio, sabe muito bem que a sua cabeça e a de toda a sua linhagem rolam hoje mesmo para os cães. — Não estou errado, Don. Virei o corpo inteiro. Caminhei lentamente, arrastando o peso de décadas de poder absoluto, até a enorme mesa de jacarandá. Vittorio já havia colocado uma pasta preta de couro sobre a madeira polida. — Aqui está o dossiê completo. Tudo. Abri o arquivo. A primeira fotografia jogada na minha mesa me causou um asco imediato, uma repulsa que embrulhou meu estômago. Sara. O sangue do meu sangue, vestida com roupas simples, quase trapos de feira. Sorrindo como uma i****a, com o rosto suado, enquanto carregava uma caixa de medicamentos baratos no meio de uma rua de terra e esgoto a céu aberto. Encarei a imagem. Nenhuma emoção de alívio ou saudade atravessou meu rosto, além do mais puro e requintado desprezo. — Então... a filha daquele rato realmente sobreviveu. — Sim, Don. — Onde ela está se escondendo? — No Brasil. Rio de Janeiro. Em uma comunidade chamada Muralha. Arqueei a sobrancelha, o nojo pingando de cada palavra. — Uma favela... O meu DNA chafurdando no lixo sul-americano. — Sim. Fechei os olhos por um segundo. Dei um riso baixo, seco e completamente desprovido de qualquer calor humano. — Que ironia repugnante. O sangue da mãe sempre foi uma doença fraca. A necessidade de ser boa é uma patologia que destrói impérios. Virei a página. Mais fotos amadoras tiradas de longe. Sara atendendo doentes de graça em uma sala mofada, abraçando velhos sujos, sorrindo para crianças miseráveis que não têm e nunca terão nenhum futuro além da vala comum. Passei os olhos pelas imagens até que Vittorio colocou um envelope separado sobre a mesa. — A sua neta não vive sozinha, Don. — E com quem essa i*****l divide a cama na lama? Vittorio retirou a imagem de dentro do envelope. A fotografia impressa em alta resolução, extraída diretamente dos arquivos de inteligência e catalogada. No exato instante em que meus olhos focaram na imagem, meu maxilar travou. A fotografia mostrava um homem colossal. Não era apenas um homem; era uma aberração da natureza, um colosso de músculos esculpidos na brutalidade crua. O tronco largo, os braços grossos como troncos de árvores, veias saltando sob a pele que estava quase inteiramente submersa em tinta escura. Uma espessa barba n***a e perfeitamente desenhada cobria o maxilar quadrado, e uma cicatriz atravessava a lateral do rosto, gritando violência. Ele não usava camisa na imagem, exibindo o corpo de um marginal de alta periculosidade. No centro do peitoral imenso, uma coroa coroava a palavra "KING". No abdômen trincado, a face hiper-realista e assustadora de um tigre rugindo. Tatuagens subiam pelo pescoço grosso e marcavam até mesmo o rosto dele pequenas cruzes e símbolos perto dos olhos, a marca registrada de alguém que vive e mata nas sombras. Ele vestia apenas uma calça de moletom camuflada em tons de branco e cinza e munhequeiras pretas envolvendo os pulsos e parte das mãos tatuadas. Mesmo através de um pedaço de papel, o homem exalava predação. A postura de quem esmaga crânios no asfalto quente e dorme em paz logo depois. Ergui a foto. — Quem é esse animal? — minha voz saiu carregada de nojo e incredulidade.

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