O desprezo escancarado na cara daquele macaco fardado do Tubarão me deu uma vontade incontrolável de sacar uma lâmina e arrancar a língua dele pela raiz, mas eu apenas ajeitei a postura, travando os músculos do rosto para manter a expressão serena como uma estátua de mármore. Ele podia me odiar o quanto quisesse, mas era uma peça fundamental no tabuleiro de xadrez que eu estava prestes a explodir. Se ele era o cão de guarda mais leal do império, eu precisava entender exatamente o que ele estava protegendo com tanta fúria. Forcei um sorriso compreensivo, engolindo a seco o comentário ridículo e baixo sobre a tal "preta" dele. Eu não tinha o menor tempo ou paciência para perder com a vida sentimental patética de um capanga de favela. — Tá bom, Tubarão, esquece. Eu só... fico curiosa — ment

