A Beatriz levantou o olhar azul, piscando devagar, como se estivesse processando a minha mudança repentina de postura. O alívio fingido pintou o rosto dela de novo, embora houvesse ali um resquício de confusão por eu ter perdoado a ofensa tão rápido. — Obrigada por me entender, Sara... — ela murmurou, a voz voltando a ser aquela suavidade ensaiada. — Eu prometo que vou me esforçar para me adaptar. Eu só... eu só estou muito perdida. Eu dei um sorriso fraco, tentando passar confiança. A minha ingenuidade, alimentada pela sede de pertencimento, ainda insistia em ver apenas a vítima ferida debaixo daquela fachada polida. Eu realmente achava que, com carinho e paciência, conseguiria curar as feridas do passado dela. — Eu sei que está — respondi, dando um passo à frente e colocando a mão, de

