>> Gregório - Grego >>
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Fico da sala observando cada movimento que a mina faz enquanto conversa com a Thais, vez ou outra seu olhar trava no meu e na mesma hora ela evita isso a qualquer custo. É como se eu fosse a droga de uma doença que ela pegaria só em olhar. Não tô gostando nem um pouco disso.
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Não sou burro. Tô ligado que não sou bem-vindo aqui e só o fato dela ter costurado meu ombro com tanta raiva é prova o suficiente disso. A mina não vê a hora de me ver livre da sua residência e por mais que eu saiba que ela tá na razão, tô pouco me lascando para a vontade dela. Não vou correr risco de cair em cana só por que a guria não quer que eu durma na casa dela. Ainda acha que não to exigindo nenhuma cama.
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Levantei do sofá e comecei a rondar a sala, procurando qualquer informação sobre a mina que possa me deixar na vantagem caso ela ameace chamar a polícia. Saber onde fica a sua casa e onde ela trabalha não é o suficiente para mim. Cadê o resto da família?
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Comecei a analisar os retratos que ela tinha na estante, a maioria deles tinha a foto de um menino com a idade entre 3 e 5 anos. Branquelo como ela, cabelo preto tipo "a vaca lambeu", olho preto e sorriso largo. Nas fotos que ela aparecia, ela também estava sorrindo, totalmente diferente da mina com cara de b***a que costurou meu ombro.
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— Olha… — Ela se colocou ao meu lado, chamando minha atenção para ela. Mas, por algum motivo, ela estava evitando me encarar — Não sei o que aconteceu com você ou o que você tava fazendo quando tomou esse tiro. E, para ser sincera, não quero ter mais nada haver com isso.
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Eu poderia jurar que tinha uma pontada de medo muito bem disfarçada em sua voz. Ela fazia algumas pausas como se estivesse procurando as palavras certas. Respirou fundo, cansada,
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— Eu só quero que você vá pra casa antes de eu acordar e ter que explicar para o Miguel do por que ter um homem desconhecido dormindo no meu sofá.
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"Ela é casada ou Miguel é o guri da foto?"
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— Fica sussa, vou meter o pé assim que o sol raiar. — Garantir que ela assentiu com a cabeça, respirando fundo. Bicha chata do c****e, mas tenho que admitir que se cair na rede vira peixe… — Ou…
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Agarrei seu braço assim que ela ameaçou sair de perto de mim e fiz ela me encarar. Seu olhar estava assustado e seu corpo ficou todo rígido, mas sua expressão ainda era de alguém que não se intimidava.
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— Tu vai fazer o que? — Perguntei desconfiado, apontando o queixo para seu rosto e ela engoliu a saliva.
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— Pegar uma muda de roupa para você e um lençol — Falou como se fosse o óbvio, mas evitava manter contato visual — Dá pra me soltar agora? Tô tentando ser uma boa anfitriã.
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— Boa anfitriã o c*****o. Quem me garante que você não vai chamar a polícia? — Perguntei sério, olhando para a mina com um semblante fechado. Ela pensa que sou i****a.
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— Acha que sou burra? Que eu não sei o que você mandaria fazer comigo se eu fizesse isso? — Ela exclamou um pouco nervosa e me encarou, seu olhar estava exalando medo, mas por fora continuava a mesma queixuda — Eu sei como funciona, não quero arranjar problema com você e colocar minha família no meio.
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Agarrei o braço dela com mais força e a puxei para mim, ela bateu seu ombro no meu peito e ela continuou me encarando olho a olho, sua respiração tava pesada e parecia pular uma vez ou outra.
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— Grego, solta ela! — Pediu, parecendo nervosa.
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— Fica na tua Thaís, meu lance é com ela… — Olhei para Thais e a guria pareceu estremecer na minha mão. Olhei para a lateral do rosto da praga asiática que agora parecia encarar uma parede e aproximei minha boca do seu ouvido — Se você vacilar comigo, a parada vai ficar louca pro seu lado. Sacô?
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Perguntei entre os dentes e ela assentiu com a cabeça na mesma hora. Larguei seu braço e assisti ela caminhar em direção ao seu quarto.
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>> Naya Hwang >>
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Já são 03h00 e eu ainda não consegui pregar o olho.
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A ideia de ter um envolvido dormindo no meu sofá faz com que eu fique em estado de pânico e alerta. Perdi as contas de quantas vezes fui no quarto do Miguel para garantir se ele estava bem ou se estava lá. Não sei o que esse homem é capaz de fazer, já tive proximidade com alguém desse tipo e sei que não há limite para o quão monstro esses marginais conseguem ser.
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Respirei fundo quando a minha barriga roncou. A agonia de hoje cedo foi tanta que eu acabei esquecendo de comer. Me levantei da cama, deixando Thaís que tinha me pedido milhares de desculpas a algumas horas atrás e sair do quarto indo direto para a cozinha, não liguei as luzes porque o apartamento era pequeno e não queria,de jeito nenhum, acordar o marginal deitado na sala.
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Peguei uma fatia de bolo de chocolate dentro da geladeira e me sentei no balcão. Não sou fã de doces, mas como a janta acabou e eu não estou com disposição para fazer outra… é o que me sobrou. Pego o meu celular para assistir alguns reels e dou risada todas as vezes que aparece algo que eu acho engraçado.
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Mas minha risada vai morrendo pouco a pouco assim que eu sinto alguém me olhando, viro devagar em direção a porta e lá estava ele. O irmão da Thaís. O cara tinha um ar tão aterrorizante que eu tenho certeza que poderia sentir a quilômetros de distância. Porém, tenho que admitir que isso contribui ainda mais com o fato dele ser tão atraente.
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— Pensei que você estava dormindo — Quebrei o silêncio, tentando não parecer abalada com a sua presença e nem com o clima quase sufocante que se formou na cozinha.
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— Não durmo em lugares que eu não conheço, com gente que eu não confio — Falou como se fosse o óbvio e eu dei risada com a narina — Foi m*l ae.
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Olhei para ele com a franzida, surpresa.
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"Ele tá se referindo a ter invadido minha casa, me ameaçado ou por tá vigiando os meus passos na madrugada?"
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— Tô ligado que não tá conseguindo dormir por minha causa… — Ah…
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— Não é todo dia que minha melhor amiga aparece na minha porta com um cara baleado e esse homem me ameaça — Respondi com sarcasmo e ele deu risada, se sentando na banqueta ao meu lado — Acho que vou ter pesadelos com esse dia durante um bom tempo…
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— Deixa de frescura. Um pouco de adrenalina nessa tua vida chata não vai te matar. — Falou como se fosse o óbvio e pegou uma colher que estava no balcão, tirando um pedaço do bolo e colocando na boca. Olhei para ele incrédula.
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— Você não sabe nada da minha vida. — Disse o óbvio e ele assentiu com a cabeça, com seu lábio inferior um pouco para frente.
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— Mas sei que tu tá na vontade de me pegar — Jogou verde e eu me engasguei com o pedaço de bolo. Olhando para o homem que se levantava da banqueta e se colocou ao meu lado, virando minha banqueta para que eu ficasse de frente a ele — Para tua sorte, eu também tô.
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— Mas eu não "pego" envolvidos. — Olhei em seus olhos e me arrependi no mesmo momento em que esse ato teve o efeito oposto do qual eu queria. Por que ele tem que ser tão lindo?
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— Tu não pegava, até me conhecer — Ele fala enquanto deposita o seu olhar no meu, ele morder suavemente os seus lábios colocando seu olhar na minha boca e começa a passar seu dedo com delicadeza na minha testa enquanto coloca uma mecha do meu cabelo pra trás — Não conhecia o que era bom.
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Eu permaneci calada, olhando para a sua mão — parecendo está hipnotizada — quando ele deslizou seu dedo pelo meu maxilar, me sentindo um pouco incomodada com o toque e depois ele deslizou pela minha clavícula, afastando um pouco a alça do meu baby doll.
Eu levantei os olhos para olhar para o mesmo que analisava cada parte do meu rosto com atenção, e pela primeira vez, desde que aquilo aconteceu, o incômodo de ter um homem tocando meu corpo dessa forma me deixou, trazendo no lugar dele uma sensação que ardia a minha pele e anestesiava todo o meu corpo.
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Depositou toda a sua mão em mim, me fazendo arrepiar com o toque enquanto ele sobe ela até o meu pescoço e envolve o dedo no meu cabelo. Ele apertou o meu cabelo e puxou a minha cabeça para trás, começando a intercalar entre chupões e beijos no meu pescoço. Sentir seus dentes tocar minha pele quando um gemido baixinho saiu da minha boca.
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Não demorou muito para que nossos lábios se encontrasse, me trazendo um beijo quente e suave que aos poucos foi se transformando em algo voraz e cheio de fome e desejo, ele me puxou mais para si, sua mão foi descendo até a minha b***a, fazendo o homem sorrir entre o beijo quando outro gemido sai da minha boca ao sentir a minha b***a ser apalpada com força.
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Arregalei os olhos assim que ele enfiou a sua mão no meu short, tocando diretamente na minha pele e o empurrei para longe.
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— p***a. Tá maluca? — Ele perguntou, um pouco alterado. Sua mão foi para o ombro e no seu rosto tinha uma careta de dor.
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— Eu? Maluca? Você me agarrou! — Cuspir as palavras nele em um tom acusador enquanto me levantava da banqueta e ajeitava minha roupa.
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— Ah, parô! Vai dizer que não gostou?! — Perguntou como com deboche e eu dei risada, incrédula.
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— Eu não lhe dei permissão para me beijar! — Argumentei, tentando demonstrar ao homem o absurdo que ele tinha feito — Você não pode sair por aí agarrando quem bem entende.
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— f**a-se. Você gostou. Não gostou? — Ele perguntou, convencido e eu abrir a boca para falar que não, mas fechei assim que percebi que independente de qual seja a minha resposta, ele estava errado.
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O fato de eu ter gostado ou não, não mudaria isso.
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— Não importa — Falei seco — Nunca mais, na sua vida, faça isso de novo!
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Passei por ele, batendo meu ombro contra o seu e eu posso jurar que vi um sorriso i****a em seus labios antes de sair da cozinha e ir para o meu quarto.
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Idiota…
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