Capítulo 1

868 Words
Eu sempre achei que a traição tinha cheiro. Um perfume diferente. Uma roupa que não deveria estar ali. Uma ligação fora de hora. No meu casamento não tinha nada disso. Pelo menos, era o que eu pensava! A casa estava silenciosa. O jantar estava pronto, e o celular dele vibrou sobre a mesa, como qualquer outro dia. Pegue o aparelho, apenas para desligá-lo Foi quando eu vi a mensagem. “Ela não desconfia de nada. Você tem uma semana para falar com ela, ou eu vou pessoalmente” Meu coração não acelerou. Ele simplesmente parou! Naquele instante, eu entendi que o homem com quem eu havia feito um acordo dois anos antes, já não dividia a verdade comigo. E, pior, nunca achou que eu merecesse saber. ———- Dois anos antes.. Eu vinha de uma família tradicional da Itália. Tradicional até demais. Meu pai fazia parte da máfia. Não era o chefe, mas sua lealdade ao longos dos anos lhe garantiu respeito e poder. Éramos cinco: meus pais, meu irmão mais velho Dante, minha irmão do meio Beatrice.. e eu, Siena. Nesse mundo, mulheres não escolhiam com quem se casar. Eram escolhidas! Beatrice foi prometida ainda criança se casou ao dezesseis ano. Desde então, raramente a víamos. E quando aparecia, dizia estar bem, sempre dizia. Eu fui prometida aos doze. Meu futuro marido Vittorio, sete anos mais velho do que eu. O sucessor de um antigo chefe assasinado, obrigado a assumir o poder aos dezenove, e com o poder também veio a “obrigação” do casamento e assim fui prometida a ele. Meu casamento não era sobre amor. Era sobre alianças. Poder. Sangue! Apesar de tudo, meu pai sempre prezou pelo estudos. E eu entendi cedo que aquela seria minha única chance de escolher mudar de vida! Guardei cada centavo da minha mesada desde o dia em que fui prometida até o dia que eu fugiria. Planejei em silêncio a minha fuga. Ir sozinha seria impossível! Então fiz um acordo com um dos meus seguranças, o único em quem eu confiava. Ele precisava de dinheiro E eu de p******o E de uma marido caso fosse pega! Pouco antes de cometer dezesseis anos, quando meu casamento com Vittorio, já estava marcado, eu e o Santino colocamos o plano em prática. Na calada da noite conseguimos um voo, documentos falsos e partimos para por Portugal. Lá, nós casamos, não por amor, mas por sobrevivência. O acordo era simples: Ele me protegeria.. E eu cuidaria das contas de casa com o dinheiro que havia guardado, e o principal, não seria obrigada a ir pra cama com ele. Eu e Santino nunca tivemos, de fato um casamento de marido e mulher. As aparências e o sigilo precisavam ser mantidos Ele nunca me forçou ou sugeriu ir pra cama comigo. Sabia que, se fôssemos descobertos, minha virgindade deveria estar intacta. Mas havia algo além disso. Eu queria que fosse um momento de amor, eu queria escolher estar ali. Vivamos assim havia dois anos. De forma estável, silenciosa, quase confortável. Santino sempre me tratou com respeito, educação e carinho. E, e aos poucos comecei a acreditar que aquilo poderia dar certo. Já nos conhecíamos há tempo demais para sermos estranhos. Ele era gentil para ser odiado. Pensei que não seria tão difícil aprender a amá-lo Depois daquela mensagem, tentei agir normalmente. Decidi esperar aquela semana para descobrir se ele teria coragem de me contar quem ela era.. Ou se eu teria a chance de conhece-lá pessoalmente. Meu dia a dia continuou igual, o mesmo silêncio. A mesma rotina. Fingi não saber Fingi não me importar. Pensei que ele poderia ter me contato, sempre acreditei, que antes de qualquer coisa, fôssemos amigos. E vejo como fui ingênuo em todo esse tempo! Felizmente, ou, infelizmente, quatro dias havia se passado e Santino me chamou para conversar. Ele resolveu abrir o jogo comigo. E a verdade foi muito aterrorizante do que qualquer traição que eu pudesse imaginar. Aquela mensagem não era de uma mulher. Era do meu noivo, Vittorio! O homem a quem eu fui prometida ainda criança nunca deixou de saber onde eu estava e nem com quem eu estava. E a parte pior? A pessoa em quem eu mais confie era mais leal à máfia do que a mim. Minha fuga nunca foi uma fuga, ela foi autorizada! Santino tinha ordens claras: me proteger, e garantir que ninguém chegasse perto de mim. Mas meu tempo tinha acabado! - Siena, preciso ser sincero com você - disse ele, evitando meus olhos - eu estive em contato com o seu pai e o chefe esse tempo todo, eu não podia arriscar minha vida. Minha respiração falhou, quando ele completou: - Vittorio vem te buscar em dois dias. - Como você pode fazer isso comigo - minha voz saiu quebrada - eu confie minha vida a você. Como pode me entregar assim? E como eu pude ser tão ingênua! Subi para o quarto sem esperar resposta. Chorei como nunca tinha chorado antes, não pelo casamento que me esperava, mas pela certeza de que não havia para onde fugir.. A máfia nunca perde o que considera ser seu. E eu nunca deixei de ser deles..
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