_ Nem eu espero que tenha. - respondeu Kragnor, seco e sério - Espero total cooperação sua e de seu irmão para que o nosso reino continue a prosperar e se fortalecendo.
_ Desculpe, atar! - respondeu Mablung de cabeça baixa - Não quis ofendê-lo ou desrespeitá-lo.
Kragnor sabia que tinha sido muito duro com a sua cria mais nova, mas foi ensinado da maneira mais dura a se tornar o governante que é hoje, mas não queria este mesmo amargor que sentia para nenhum deles. Não queria memórias ruins de um atar incompreensível e seco como foi o seu. Nem de um atar fraco e sem responsabilidades, mas de alguém que daria a sua vida para proteger a sua família e povo.
_ Quando os seus torni voltarem… que tal uma pequena competição? - propôs Kragnor, sabendo bem da preferência da sua cria jovem por enigmas e jogos lógicos - Podemos fazer uma atividade que envolva todos os dons de vocês e que os desafie.
_ Isso quer dizer que terá jogos? - os olhos do jovem macho brilharam em expectativas.
_ Sim, mas também de habilidades com armas e resistência. - o brilho diminuiu um pouco dos olhos do jovem, fazendo Kragnor sorrir satisfeito - Peça ao seu tutor que o treine melhor nas armas, já que o seu intelecto está bem afiado e aguçado.
_ Farei…
Eru rompeu a sala com uma expressão confusa no semblante sempre sério.
_ Temos um problema, meu monarca. - foi logo lhe dizendo ao vê-lo se levantar - Avistamos uma grande nuvem de poeira se aproximando rapidamente.
_ O que são?
_ Feras, meu senhor. - respondeu.
_ Feras!? - repetiu Mablung, assustado.
_ Sim. - Eru olhou o pequeno depois para seu monarca - Estão sendo guiados diretamente para cá.
_ Guiados? Por quem? - Kragnor pegou a espada que descansava ao lado da sua cadeira.
_ É aquele jovem, meu senhor. - Eru tinha controlado as suas emoções, mas é clara sua postura tensa - A situação ainda é mais grave. Ele traz todos os jovens que participaram do rito contidos consigo.
_ Níniel, Feanor…
_ Celegorm… - Eru completou para ele, sentindo os dedos coçarem para bater naquele que se atreveu a prender o seu yondo.
Kragnor bufou e rosnou alto, furioso!
Quem se atreveu a prender a suas crias iria se arrepender profundamente. Cuidaria disso pessoalmente.
_ Mande todos os ohtars irem para os muros e os lanceiros para o portão de entrada. - marchou para a saída.
A sua guarda pessoal o acompanhou em silêncio enquanto a sua nave descia lentamente. Realmente, ao longe todos puderam ver a imensa nuvem de poeira que se formou enquanto a terra tremia debaixo dos seus pés. Alguns machos e fêmeas estão parados, estáticos nos seus lugares, olhando temerosos para o portão. Os seus ohtars estão correndo para entrar em formação, enquanto as suas naves se colocam atrás destes.
A incerteza brota no ar!
Pela primeira vez em anos, Kragnor quis ser dotado de mais paciência, mas, tratando das suas crias, não conseguia pensar direito. A sua herdeira está correndo um sério risco e ele não permitiria isso de forma nenhuma, muito menos perdoaria tal falta de respeito.
_ Ainda não temos resposta de quem se trata o jovem macho. - Eru, o comandante, acompanhava seu monarca de perto, pois a sua fúria só se iguala à dele. Só teve crias fêmeas, mas após anos e graças aos Deuses recebeu o tão sonhado macho para dar sequência à sua descendência. Mas, para sua total alegria e espanto, foi presenteado com outro exemplar perfeito de macho, e não iria permitir que a sua descendência se prejudicasse.
_ Depois do que ele fez… não precisa mais se preocupar com este detalhe, meu amigo. - Kragnor sorriu friamente - Ele vai conhecer o peso das nossas leis ao ameaçar a minha descendência.
Eru sorriu em concordância.
Assim que chegaram ao grande pátio, o portão foi jogado abaixo com tanta violência que o vento que levantou derrubou várias barracas e jogou vários seres no chão. Seus ohtars levantaram seus escudos, protegendo seus rostos.
Kragnor só levantou a mão para uma barreira se formar à sua frente, protegendo a si e os seus homens.
Um gigantesco Duscort, de armadura preta e com quatro presas em cada lado, apareceu no meio da grande nuvem, soltando um bramir tão alto que vários seres levaram as mãos aos seus ouvidos. Nunca na vida de nenhum dos presentes viram uma criatura tão aterrorizante que demonstra tamanho poder.