CAPÍTULO 14

658 Words
O intruso possuía o maior de todos os exércitos. Ele é aliado de quem? Seria inimigo? Todos agora o olham com receio e medo. Um gigantesco Duscort, de armadura preta e com quatro presas em cada lado, os aguarda junto à sua manada que parece tão irritados e inquietos quanto o líder. O animal imenso por si só já colocava medo e respeito, mas se comportava como um animal doméstico junto àquele intruso. Abismados, viram o animal se curvar para que o intruso subisse e o levasse nas suas costas, como se fosse um costume entre ambos. Pronto, todos marcharam como uma imensa nuvem de destruição para a capital. **** Kragnor está sentado na sua grande nave, observando o portal principal da grande jângala, pensativo. Eru, seu comandante ainda não tinha conseguido nenhuma informação válida sobre aquele jovem que impressionou a todos no rito. Pelo que pode entender, ninguém o conhecia ou mesmo sabia a sua origem, mesmo usando uma vestimenta Narmohtar. Todas as tribos desta nação tinham respondido que não enviaram nenhum dos seus jovens ohtars para o rito deste ano, menos uma… a mais longe, c***l e sanguinária… Uma que era tão respeitada dentre o seu povo que o seu antigo comandante pertencia a esta, Gorfon. Só de mencionar esse nome, muitos já tremiam. Não que o seu ex-comandante fosse um macho sedento de sangue ou irracional, na verdade, ele foi um dos seres mais sábios e corajosos que conheceu. Devia boa parte do seu reinado e a paz que reinava sobre ele a seu bom amigo e companheiro Gorfon. Na verdade, devia muito mais que a sua vida a ele. _ No que está pensando atar? - Mablung, a sua terceira cria se aproxima devagar, o observando com atenção - Está preocupado com os meus torni? Kragnor não respondeu, mas respirou fundo, parecendo irritado por ter os seus pensamentos interrompidos. _ Feanor é impulsivo e está em busca da sua aprovação, mas Níniel saberá controlá-lo. - ponderou o mais novo. _ Conheço muito bem as pretensões dos seus torni - Kragnor lhe disse, admirando o pensamento lógico e conciso da sua cria mais jovem - Mas não é isto que está me tirando a paz. _ Então… - ele se aproximou mais - deve ser a origem daquele jovem da tribo de Narmohtar. - afirmou, surpreendendo-o, fazendo-o sorrir - Sei que ele deve ter lhe impressionado quando derrubou aquele ohtar com tanta eficácia. Como também deve estar se perguntando quem o enviou e com qual finalidade? Se nosso comandante não achou nada até agora, quer dizer que pode representar um risco ao invés de aliado. E é isso que deve estar o incomodando! - conclui, o deixando mais surpreso. _ Como chegou a este pensamento tão lógico? - se voltou totalmente para sua cria, interessado. _ Meus tutores sempre me aconselham a observar o comportamento dos outros, pois para mim parece natural saber como eles pensam. - Mablung se sentiu incomodado com o olhar que seu atar lhe dirigia. Nunca foi de receber muita atenção, pior, ser alvo daquele olhar intenso o deixava desconfortável. Ler os seres ao seu redor é natural, para os outros e como se lhes desvendasse seu espírito - Posso dizer quando estão mentindo ou mesmo omitindo coisas. - revelou. _ Impressionante! - exclamou Kragnor, observando-o com mais atenção - Deveria ficar mais nas nossas reuniões, assim saberia me dizer melhor dos seres que nos rodeiam. _ Conheço muito bem nossos nobres para querer ficar distante de quase todos. São um bando de bútios! Não sei como o senhor consegue lidar com eles. - lhe respondeu Mablung, parecendo enojado. Kragnor sorriu, parecendo relaxado pela primeira vez, fazendo um gesto para se aproximar mais. _ Pois eu acho que devia participar mais ao invés de ficar atrás desses livros. A sua seller se sairia melhor com alguém como você ao seu lado. _ Não tenho pretensão ao trono. - retrucou ele, sério.
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