_ Como vocês estão? - ela levantou-se, segurando o braço que foi picado - O que… - olhou do seu braço para eles, pensativa - aconteceu ontem? Tenho certeza de que fui picada por uma…
_ Tivemos ajuda. - esclareceu Celegorm, se aproximando dela - Como você está?
_ Bem, mas surpresa. Não há antídoto para tasa-bruja morë. Como vocês conseguiram? - o olhar dela é de pura incredulidade e suspeita.
Celegorm lhe examinou o braço, não achando nenhum vestígio do ocorrido de ontem.
_ Fomos atacados quando tentávamos te salvar por causa dos Gloks. - revelou Feanor, se sentando à frente da seller.
_ Como vocês sobreviveram? - agora a preocupação toma conta dela, afastando-se de Celegorm.
_ Já disse, tivemos ajuda. - disse Celegorm, pegando as coisas que foram jogadas no chão e arrumando tudo, mas seus pensamentos estão na figura desconhecida que saiu às pressas. Quem seria? A qual tribo pertencia?
_ Mas quem os ajudou?
_ Não tivemos tempo de perguntar hoje, pois ontem estávamos cansados demais para isso. - recrutou Celegorm, enrolando as mantas e guardando.
_ E hoje ele saiu cedo e nos prendeu aqui. - disse, irritado e intrigado, Feanor a olhando - Quer saber de algo inacreditável?! Ele usou uma língua antiga para te curar.
_ Impossível! - exclamou ela num sorriso tímido e descrente - Eu sou a herdeira direta do nosso atar. Não há registro de outra ramificação da nossa família que possua a língua antiga.
_ Nunca presenciei tamanha força e poder. - falou o Celegorm, ainda pensativo.
_ Só senti tamanha força no nosso atar. - disse Feanor, pensativo também.
_ Impossível! - Níniel os olhou, surpresa e intrigada, balançando a cabeça negativamente, como se isso ajudasse a negar o óbvio - Onde ele está? - ela se afastou deles, indo para a saída - Vou verificar isso pessoalmente.
Quando ela tentou passar, foi impedida, ao insistir, foi atirada para trás, com mota violência, a fazendo cair ao chão. Mesmo assim ela retornou, quase correndo. Os outros tentaram a impedir, mas foram rapidamente impedidos.
_ Mas o que é isso? - ela tateou a barreira.
_ Ele nos prendeu aqui. - falou Feanor, sentando-se ao lado de Celegorm - Não tem como sair.
_ Interessante… - Níniel passou a mão pela superfície lisa e transparente.
Por vários minutos, os machos a viram analisar a barreira e tentar rompê-la usando a sua própria língua antiga, mas foi atirada várias vezes para trás, cada vez mais forte e longe. Eles acham que é perda de tempo, pois foram ensinados que o maior poder naquele mundo é a língua antiga. Aquele estranho possuía uma que se comparava ao monarca deles, portanto só iam sair quando o intruso quisesse.
As sombras já ultrapassaram as pedras quando ouviram um grande barulho de feras, como se fosse uma corrida, pois os pedregulhos do chão saltam. Temerosos, se abrigaram no fundo do abrigo. Os machos tiram as espadas e colocam Níniel atrás de si.
_ Eu posso cuidar de mim. - reclamou ela, se colocando ao lado deles.
Como apareceu, o barulho cessou, e o intruso aparece seguido por três tirgues imensos. Sem falar nada, ele fez um movimento com as mãos e cordas apareceram nas mãos de Celegorm, Feanor e Niniel, os prendendo firmemente. Todos protestaram, mas foram amordaçados sem falar uma palavra. A única coisa que conseguiam ver no intruso eram seus olhos azuis como helcê, pois uma grande bandana tapa todo o seu cabelo e rosto.
Quando foram erguidos e colocados sobre os tirgues, Níniel pôde ver com nitidez os pequenos círculos que se formavam ao redor dos seus dedos do intruso, como alianças.
Niniel se agitou sobre o animal, pois aquilo que estava vendo era impossível. Precisava perguntar de onde ele vinha, qual a sua linhagem. Mas, sem se importar, o intruso sai e os animais o seguem em silêncio.
Como ele conseguia controlar aqueles animais?, pensava aflita Niniel.
Os machos arregalaram os olhos abismados ao verem uma quantidade nunca vista de todos os tipos de animais existentes naquele mundo. Animais que não existiam naquela jângala estão ali reunidos. Se eles decidissem invadir as cidades, nada os impediria de devastá-las, talvez a capital conseguisse, mas a que preço?