Melphier respirou fundo, observando o ambiente, e ordenou às feras que ficassem de guarda, não permitindo que ninguém saísse ou entrasse enquanto dormisse. Tinha que renovar as suas forças, mas não conseguiria com machos jovens que quisessem demonstrar a sua virilidade.
****
Ao longo de toda a noite, Celegorm e Feanor se colocaram ao lado de Níniel, enquanto o intruso dormia tranquilamente ao lado da grande fera. Eles sabem que, se quisessem, pelas habilidades que este demonstrou, estariam mortos, mas, ao que tudo indica, por um motivo desconhecido, ele ajudou-os. Salvou suas vidas do ataque dos Gloks, como a de Níniel do veneno da tasa-bruja morë. Eles se questionam de qual tribo aquele ohtar pertencia, pois duas coisas são muito claras para ambos: que pertencia aos Narmohtar por causa de suas vestimentas e a outra que nunca presenciaram habilidades tão incomuns, muito menos ouviram falar que outro povo possa invocar um poder tão grande através da língua antiga. Feanor era o mais abalado diante de tal revelação, pois só presenciou aquele poder uma vez, e foi com o seu atar. Mas aquele manifestado pelo intruso… o deixou apavorado diante de tamanha força.
Quando os raios de Awrien despontaram ao longe, enchendo de calor e luz o abrigo, Feanor ainda estava sentado, olhando fixamente o intruso, enquanto Celegorm acordava.
_ Passou a noite inteira vigiando? - ele quis saber, observando a face cansada do amigo.
_ Tem algo errado. - ele respondeu baixo, depois olhou para Níniel que ainda dormia - Sinto que estamos diante de um perigo muito maior do que se caíssemos nas mãos dos Emokragma.
_ Não diga tamanha bobagem. - ralhou Celegorm, indo examinar Níniel, que estava muito bem - Se ele nos quisesse mortos, não teria problema em fazê-lo.
Feanor não rebateu, apenas ficou o observando mexer no fogo que já está quase extinto e pegar algumas provisões na sua mochila.
_ Precisamos voltar e levar Níniel. Temos que garantir que ela esteja bem. - refletiu Celegorm com pesar, pois sabia que era o fim do ritual para si.
_ Vamos perder o restante do ritual. E nem vamos poder provar o nosso valor como ohtars. - completou Feanor, tão pesaroso quanto Celegorm - Mas é nosso dever manter a herdeira em segurança.
_ Vocês não deviam ter vindo. - revelou a sua indignação Celegorm.
Feanor não quis rebater, pois também é da mesma opinião, mesmo não podendo dizer em alto e bom som, mas também não concordava em deixar a sua seller ter vindo.
Assim que comeram, viram o intruso se levantar devagar e espreguiçar-se, o mesmo fez a fera que ele fazia de cama.
Celegorm respirou fundo e tentou se aproximar dele, mas a fera saltou à sua frente, mostrando as grandes presas e garras. O intruso voltou-se para ele, puxando o capuz um pouco mais para a frente.
Feanor teve um vislumbre dos seus olhos e arqueou as sobrancelhas confuso. Será que é isso?
O intruso, notando a sua desconfiança, lhes deu as costas e afastou-se, levando a grande fera atrás.
_ Espera… - Feanor tentou se aproximar dele, mas uma barreira apareceu na entrada, o impedindo de sair - O que é isso? - esmurrou a parede irritado - Vai nos prender? Somos seus prisioneiros?
_ Fique calmo. - pediu Celegorm, tocando o ombro dele vendo o intruso se afastar rapidamente - Não creio que seja nosso inimigo. Temos que cuidar de Níniel. Acho que ela não está totalmente recuperada.
Um suspiro longo e pesaroso os fez olhar para trás. Níniel estava sentada, se espreguiçando.