A vida voltou a ter barulho — mas não o tipo bom. O som que enchia a casa era o da televisão, que eu ligava apenas para quebrar o silêncio. As vozes de repórteres e ingleses de propaganda eram a única companhia que eu tinha nas manhãs longas e vazias. Acordei com um gosto amargo na boca. Mais um dia. Mais uma ausência dele. O calendário da parede marcava três semanas desde a última vez que Leonardo cruzou aquela porta. Três semanas desde que ele escolheu o silêncio. Três semanas desde que eu decidi sobreviver a ele. Fiz café, sentei na poltrona e comecei a folhear uma revista antiga. Mas foi o som da televisão que me fez parar. “— E agora, uma imagem exclusiva do CEO da Valença Group, Leonardo Valença, em um evento beneficente na noite de ontem...” Meu coração gelou. Levantei

