Os dias seguintes foram lentos. Lentos e silenciosos. Como se o tempo tivesse medo de nos ver se mover rápido demais e nos quebrar de novo. O hospital era sempre o mesmo: cheiro de álcool, lençóis limpos, vozes distantes. Mas havia algo diferente ali dentro. Talvez fosse ele. Talvez fosse eu. Talvez o silêncio entre nós que, pela primeira vez, não doía tanto. Leonardo ficava o tempo todo ao meu lado. Dormia m*l, comia pior. A cada movimento meu, o olhar dele corria — como se o simples fato de eu respirar fosse o único motivo pra ele continuar de pé. Não havia declarações. Nem promessas. Só gestos. Pequenos, quase imperceptíveis, mas reais. No terceiro dia, acordei com o som do vento batendo na janela. A chuva tinha cessado, mas o céu ainda parecia indeciso entre cinza e azu

