O céu começou a fechar pouco depois que deixei a cidade. O vento mudava de direção, e as nuvens carregadas anunciavam a tempestade que viria. O rádio chiava baixinho, o limpador de para-brisa lutava contra as primeiras gotas, e eu tentava manter o foco na estrada. Mas o corpo… o corpo já não obedecia. A viagem, a emoção, o susto com minha mãe — tudo cobrava seu preço. Uma tontura leve começou a se espalhar, como se o chão dentro do carro se movesse. Toquei a barriga. — Tá tudo bem, meu amor. — murmurei, respirando fundo. — A gente já tá quase chegando. Mas o ar parecia mais pesado. O volante escorregava nas mãos suadas, e um enjoo forte me fez reduzir a velocidade. Foi então que veio a dor. Um aperto no baixo-ventre, forte, inesperado. Depois outro. E outro. O coração disparo

