De volta à sua rotina silenciosa e solitária, Helena decidiu que não se esconderia mais. Havia passado dias carregando um peso que a esmagava por dentro, fugindo de um choque que ainda ardia no peito e a perseguia como um fantasma, mas agora, olhando para si mesma com honestidade, percebeu que aquilo não a levaria a lugar nenhum. Se quisesse sobreviver naquele mundo, naquele homem e naquela realidade, precisaria aprender a ser forte. Precisaria enfrentar seus medos de cabeça erguida, ainda que sua alma estivesse tremendo por dentro, recuar não era a melhor solução. Na cozinha, movia-se com mais firmeza do que nos dias anteriores. Picava temperos, refogava carne, dividia porções para congelar. Sabia que Dante, apesar de tão poderoso e temido, era um completo desastre para preparar qualquer

