Já em casa, Helena se livrou do vestido pesado que usava. O tecido caiu aos seus pés como se deixasse para trás o peso daquela noite, mas, mesmo ali, envolta pelo silêncio do quarto, ela ainda podia sentir o olhar curioso de cada pessoa que cruzara no baile. Por mais que tentasse afastar as lembranças, elas vinham em ondas, o som abafado das conversas, os risos forçados, o perfume doce e enjoativo das mulheres que a analisavam de cima a baixo como se fosse um ser de outro mundo sendo estudado. Mas, dessa vez, algo era diferente. Não havia pânico. Nem aquela sensação sufocante de querer desaparecer, não como se sentiu no casamento fracassado. Havia incômodo, sim, um incômodo quase físico, mas não a ponto de roubar-lhe a paz. Conseguiu suportar tudo com um sorriso no rosto. A noite havia

