"Sim, cara, ele tinha um contrato com nomes todos riscados e assinados com as iniciais dele e as suas. Ele se divertiu muito apontando isso”, Darian balançou a cabeça vigorosamente, "Se eu não estivesse lá para tirá-la de lá, ele a teria levado e estuprado. Não tenho dúvidas. Ela estava aterrorizada. Não estou convencido de que sua noiva não teria ajudado ele. Aquela mulher foi a pessoa mais fria que já vi na minha vida, e eu trabalho em LA."
Olivier suspirou e disse:
"Solte-o", ele olhou para Darian, "Obrigado por protegê-la e tirá-la de lá", ele falou novamente com Riggs, "Certifique-se de que ele seja pago pela informação."
Ele se dirigiu à porta com Riggs em seu encalço.
Fora do quarto, Olivier olhou para seu amigo de longa data, seu coração batendo furiosamente enquanto Riggs entregava a pasta de documentos em sua mão.
"Eu nem sabia que ela tinha uma irmã. Ela nunca me disse que tinha uma irmã que estava morrendo."
"Você contou a ela que é bilionário e que o motivo de mantê-la em uma suíte de hotel como, Rapunzel em uma torre, era porque os paparazzi teriam um dia de festa com você namorando uma barista de vinte e um anos?"
"Não", ele esfregou as têmporas, "Que confusão!"
"Você acha? Em algum lugar do mundo há uma mulher que acredita que você tentou traficá-la. Se ela contar sua história à imprensa...", a voz de Riggs se perdeu.
"Já se passaram quase nove anos."
"Quase nove anos, mas olhando para você agora, vejo o mesmo nível de desespero que vi na primeira noite em que você a conheceu. Foi paixão à primeira vista."
"Eu deveria ter apenas casado com ela, ao invés de oferecer dinheiro", ele riu sem humor, "Um divórcio teria sido menos doloroso do que essa m***a. Não consigo acreditar que ele colocou as mãos sujas nela."
"Pelo menos agora sabemos a verdadeira razão pela qual ele precisava da cirurgia nos testículos."
"Infecção viral, meu traseiro", Olivier sorriu de repente, "Ela pegou ele direitinho."
"Você acha que seu avô teve algo a ver com isso?"
"Eu sei que ele enviou o Bernard para o meu hotel para tentar me fazer assumir a empresa dele. Bernard deveria me oferecer outro contrato lucrativo. Ele deixou o contrato na minha mesa na suíte do hotel. Acho que Bernard estava fuçando e encontrou meu contrato com a Roberta e decidiu se divertir às minhas custas", Olivier estava frustrado.
"Mas por que mentir? Eles poderiam ter dito que não viram a garota. Ao invés disso, disseram que pegaram os dois na cama, transando como coelhos", citou Bernard, "E sabendo que ela provavelmente era sua namorada, ele fez a coisa certa e os expulsou."
Ele fez uma pausa.
"Cleo confirmou a história dele. O vídeo mostrou eles saindo juntos do hotel, mas na verdade, ele poderia ter dito que não tinham visto ninguém. Nunca teríamos questionado isso", Riggs continuou: "Olha, Gael é um canalha, porém, ele nunca aprovaria bater em uma mulher. Ele pode ser misógino e antiquado, achando que o lugar da mulher é na cozinha ou fazendo café, no entanto, jamais bateria em uma mulher. Se Bernard a agrediu, não foi por ordem do seu avô."
"Concordo com você", Olivier caminhou lentamente em direção ao elevador.
"Então, o que quer fazer em relação à garota?"
"Nada", ele deu uma risada triste, "Já se passaram quase nove anos. Provavelmente ela está casada, com filhos e uma casa com cerca branca. Não vou perturbar a vida dela. Agora que sei que ela não me prejudicou, estou disposto a deixá-la viver em paz."
"Provavelmente é melhor não procurar problemas. Se ela não foi à polícia nem à imprensa em nove anos com uma acusação de tráfico s****l, então vamos evitar mexer com isso e fazer com que venha à tona agora."
"Odeio que ela pense que fiz isso com ela. Bernard vai pagar."
"Você deveria pedir para sua avó lançar uma maldição vodu nele."
"Não brinque com essas coisas", Olivier sorriu, "Ela é assustadora pra caramba", ele teve um pensamento: "Mas vou dizer uma coisa: Soren esteve aqui há algum tempo. Gael pode não ter mandado Bernard bater em Roberta, mas definitivamente o colocou no caminho dela. Ele quer comprar a empresa do Trace."
"De jeito nenhum", Riggs jogou a cabeça para trás e riu, enquanto segurava as portas do elevador abertas.
"Vou aceitar. Não vou recuperar a garota, mas vou garantir que Gael sofra por ter colocado aqueles dois pedaços de m***a perto dela. Juro que tudo o que esse homem toca vira merda."
Riggs bateu feliz na porta do elevador, enquanto ela se fechava, e Olivier encostou-se à parede de aço inoxidável à medida que era levado de volta aos seus escritórios.
Roberta não estava tendo um caso com seu guarda. Bernard havia mentido. Quanto mais ele pensava nisso, mais se sentia enjoado. O homem nunca havia dito nada além de meias-verdades em sua vida. Por que ele havia acreditado na história dele naquela época? Porque tudo era bom demais para ser verdade, admitiu enquanto voltava para seu escritório.
Ele recostou-se na cadeira e abriu a pasta que Riggs lhe havia dado. Roberta tinha uma irmã que estava doente. Ele revisou os documentos e observou que a data de uma das contas médicas no arquivo era apenas alguns dias antes de ele ter reforçado sua oferta para ela. Ela provavelmente a recebeu pelo correio no mesmo dia em que ele a propôs. Fazia sentido.
Quando ele a havia proposto, ficou impressionado por ela ter recusado, mas quando ele fez sua segunda oferta e ela aceitou, isso o deixou dividido entre a decepção de que ela poderia ser comprada e o alívio de que ela seria dele.
Ela tinha um forte senso de moralidade e nos dois meses em que estiveram juntos, assistir às notícias da noite frequentemente a deixava furiosa, a ponto de chorar pelas atrocidades dos homens. Ele se lembrou dela soluçando miseravelmente por causa de um artigo sobre um homem sem-teto e um cachorro vivendo nas ruas, e o homem teve que entregar seu cachorro ao abrigo porque precisava ir para o hospital. Ele estava rapidamente compreendendo que ela fazia o que fazia para cuidar de sua irmã.
Olhou as datas. Dez dias antes de ela ter partido, a irmã entrou em coma. Cobraram dela por uma notificação por e-mail sobre a mudança em sua condição médica. Que m***a!
Fechou os olhos ao perceber que sabia que dia era. Se lembrou como se fosse ontem. Ele estava trabalhando em seu laptop, e ela brincando no celular. Ela estava deitada no sofá com os pés apoiados em seu colo, debaixo do computador, e eles estavam sentados em silêncio. Ele percebeu o quanto gostava apenas de estar sentado com ela, de estar juntos mesmo sem dizer nada. Não era s**o ou luxúria, apenas a paz que ela lhe trazia. Ele percebeu, no silêncio, que havia se apaixonado por ela. Ela encontrou seu olhar e ele entrou em pânico com suas emoções e se fechou. Ela recebeu uma notificação no celular, empalideceu e foi para o chuveiro.
Ele a seguiu e a possuiu impiedosamente. Foi a única vez em que esqueceu a p******o, mas ela se sentiu muito bem, e ambos estavam muito vulneráveis. Ele pensou que talvez estivessem sentindo o que não deveriam sentir, no entanto, agora, ao olhar as datas, era mais provável que ela estivesse simplesmente chateada com a iminente morte de sua irmã. Ele foi um canalha por não perceber as emoções dela pelo que eram.
Onde quer que ela estivesse, ele rezava para que sua vida fosse melhor do que o que ele a fez passar. Fechou a pasta e a colocou na gaveta inferior de sua mesa e a trancou. Precisava deixar de lado a raiva deslocada em relação a ela e, com um reconhecimento silencioso do que nunca seria, voltou sua atenção para o pendrive em sua mesa.
Talvez ele nunca a recuperasse, mas pelo menos poderia fazer as pessoas que a machucaram, pagarem.