Sábado, véspera do batizado, encontrou todos ocupados preparando a festinha que iam realizar para comemorar o acontecimento. Não era uma família muito religiosa. Mas todos acreditavam em Deus. E o batizado para eles representava a apresentação dos meninos a esse Deus.
Até Adriano passou toda a manhã de Sábado enrolando docinhos.
Mirella nem foi ao curso.
A festinha seria na casa de Seu Jair. Foi escolhido por ser mais próximo a maior parte da família.
Milena queria fazer na casa dela, mas depois, pensando melhor, optaram pelo conforto de Dona Nora. Na própria casa seria mais confortável pra ela.
Toda a família estava ajudando. Até quem não ia participar ativamente do evento.
Enfeitaram todo o quintal e arrumaram as mesas com carinho especial.
Era uma festa só para a família. De fora, viriam Seu Paulo com a esposa e os rapazes que ajudaram tanto Dirce e Milena.
A obra estava em andamento e a própria Dirce foi fazer o convite pessoalmente.
Tinham encomendado algumas coisas prontas. Mais estavam fazendo outras em casa. Seria também o dia em que Adriano seria apresentado ao resto da família.
No Domingo, logo cedo, chegou para acompanhar Dirce e Milena a igreja.
Vinha trajado de maneira formal. Terno e gravata. No bolso, trazia um presente para cada me menino, e uma surpresa para a namorada.
Ia aproveitar a família toda junta e oficializar o compromisso.
Tinham pouco tempo de namoro, mas estava seguro aos seus sentimentos e Dirce havia assegurado quanto aos sentimentos da filha. Não havia motivos para esperar mais.
Somente Dirce sabia que ele ia fazer o pedido naquele dia. Tinha comprado um lindo vestido para Mirella que sem saber de nada, imaginou que era porque era madrinha do sobrinho. Depois da cerimônia do batizado, foram todos para a casa de Seu Jair.
Sérgio tinha ficado frente a frente com Adriano na igreja e só lhe deu um aviso:
- Te conheço bem e sou a favor desse namoro, mas quero que saiba que não estão sozinhas. Qualquer tropeço teu, toda a família vai em cima de você.
- Pode ficar tranquilo. Pretendo me casar com ela. Aliás vou fazer o pedido hoje, aproveitando que toda a família está reunida
- Não é muito cedo?
- Eu estou certo dos meus sentimentos. Tempo é uma coisa relativa. Parece que conheço ela a muitos anos.
- Eu confio em você. Boa sorte.
- Obrigado.
A festa estava animada.
Adriano havia levado um cordão de ouro para cada menino. Os pais agradeceram muito.
No meio da festa, Adriano pediu a palavra e todos se calaram para prestar atenção ao que ele iria dizer.
Pegou a mão de Mirella e se dirigindo diretamente a Dirce, fez o pedido da mão da moça em casamento.
Dirce respondeu:
- É uma honra ter você na família, apesar que já te considero como filho.
Adriano ficou esperando Mirella responder e quando ela aceitou ele colocou a aliança no dedo dela e pediu que marcasse a data.
Ela respondeu:
- Tem que correr os papéis, então daqui a dois meses.
- O noivado foi comemorado por todos.
Berenice falou baixinho no ouvido de Mirella:
- Esse teu noivo é um gato.
- Também acho.
- Vocês vão ter filhos lindos.
- Amém.
Seu Paulo veio com a esposa cumprimentar o casal também e avisou que a obra terminaria em mais duas semanas. Já tinham posto lage nos quartos e já no dia seguinte começariam o terraço.
Perguntou:
- Vocês querem mudar as cores dos cômodos?
- Não. Podem continuar como estão.
- Depois da obra pronta é bom esperar alguns dias pra mudarem de novo, por causa do cheiro da tinta.
- Pode deixar. O senhor já resolveu o que vai fazer com a casa?
- Ainda não. Mas o Sérgio não é a favor de vender.
- Não deixa de ser um patrimônio.
- Nós já temos o suficiente. Afinal só tenho um filho e até agora nada de netos.
- Se o senhor quiser alugar, nós tomamos conta pro senhor e qualquer movimento suspeito a gente avisa, afinal moramos do lado.
- Eu agradeço. Talvez alugue. E parabéns novamente. Vou deixar um presente pra vocês dentro da casa, quando terminar a obra.
- Não precisa se incomodar.
- Não é incômodo algum. É um prazer.
- Obrigada. Já lhe devemos tantos favores.
- Não me devem nada. Antes de tudo somos amigos.
O casal se afastou para deixar Mirella ser cumprimentada pelas outras pessoas que estavam aguardando eles terminarem de conversar.
No final da tarde, os convidados começaram a se retirar.
Berenice se aproximou e falou:
- Tira o dia de amanhã de folga. Você trabalhou muito esse final de semana.
- Eu estou bem. Dá pra ir.
- Não. Tira uma folga.
- Obrigada.
- Terça-feira te espero lá. Também vou agora porque o Henrique está cansado.
- O Júlio também.
- Não tinha reparado. É mesmo, tá até abatido.
- Se precisar de alguma coisa me liga. Tomara que o abatimento dele seja só cansaço.
- Tomara. Tchau.
- Tchau. Acho que vou embora também. Mamãe precisa descansar. Também trabalhou muito ontem. Até o Adriano ajudou a enrolar docinhos.
- Você teve sorte. É um excelente rapaz.
- Obrigada.
- Você merece.
E chamou Júlio para irem embora.
Mirella também chamou a mãe e depois de se despedirem de todos foram pra casa.
Dirce estava muito cansada, mas muito feliz.
Adriano levou elas em casa, mas não entrou. Também tinha percebido que a sogra precisava descansar. Se despediu delas no portão e falou:
- Não vou entrar porque todos precisamos descansar. Amanhã temos que trabalhar.
- A Berenice me deu folga amanhã.
- Então eu passo aqui pra te ver.
- Tá bom. Até amanhã. Vou fazer a mamãe descansar.
Deram um beijo de despedida e Adriano deu um beijo na sogra e foi embora.
Dirce perguntou:
- Porque ele não entrou.
- Está muito cansado e amanhã tem que trabalhar.
- Ele ajudou muito mesmo. Você lembra que eu falei que você ia casar logo e você disse que eu estava correndo muito?
- Lembro.
- Eu falei que não dava dois meses pra ele fazer o pedido. Isso foi a duas semanas atrás.
- É mesmo. Você acertou nas suas previsões.
- Está feliz?
- Muito. O Adriano é o marido ideal pra qualquer mulher.
- Mas ele escolheu você.
- E eu vou fazer de tudo pra que ele seja muito feliz.
- Eu tenho certeza disso.
- Notei que você não ficou surpresa na hora que ele fez o pedido.
- Eu já sabia.
- Por causa das previsões?
- Não, ele tinha falado comigo antes, que ia aproveitar a presença da família toda e te pedir. Eu até emprestei um anel teu pra ele comprar a aliança.
- E não me contou nada?
- Não queria estragar a surpresa.
Tinha certeza que você ia aceitar.
Mirella olhou para a mão aonde estava a aliança e falou:
- Eu só tenho medo que não dê certo.
- Claro que vai dar. Vocês são muito parecidos. São amorosos, caseiros, trabalhadores. Tem tudo pra serem muito felizes.
- Nós vamos ser. Estou preocupada com o Júlio.
- Porque?
- Não reparou que ele estava muito abatido?
- Não. Estava?
- Muito. Até a Berenice notou.
- Pode ser cansaço.
- Espero que seja só isso. O Seu Paulo disse que a casa vai ficar pronta em duas semanas.
- Que bom. Vamos poder voltar e arrumar antes do casamento.
- Ele falou que é melhor a gente dar mais uns dias por causa do cheiro da tinta.
- Vou abrir todos os dias pra passar logo.
- Não gosta daqui?
- Gosto, mas ele não aceita que a gente pague nada. Estamos dando prejuízo a ele.
- E ainda disse que vai deixar um presente pra mim dentro da casa.
- É um homem muito bom. Não merecia que o inquilino fizesse aquilo com ele.
- Eu falei que se ele alugasse aqui eu e você ficaríamos atentas e qualquer movimento suspeito a gente avisava.
- Claro. Devemos muitos favores a ele.
- Eu falei isso pra ele e ele falou que nós não devemos nada.
- O que será que ele vai te dar?
- Não sei. Mãe, o que que nós temos que comprar para o casamento?
- Só trocar os móveis do quarto. A casa tem tudo.
- É verdade. Sou uma noiva que nem precisa de enxoval. Só o vestido. Apesar que tenho que comprar umas peças de roupa novas.
- Pede ajuda da Milena. Ela tem muito bom gosto.
- Vou pedir. Agora vou tomar um banho e colocar uma roupa mais leve. Tá um calor danado.
- Vai primeiro que depois eu vou.
- Quer ir na frente?
- Não. Vai você.
- Não vou demorar.
Foi ao quarto pegar roupa e logo estava debaixo do chuveiro.
Dirce recostou no sofá e quando Mirella saiu do banho, percebeu que a mãe tinha pegado no sono.
Ficou com pena, mas acordou ela para que ficasse mais a vontade.
Ela estava com a roupa de sair e calçada de sapatos.
Dirce levantou e foi buscar as roupas. Depois do banho voltou pra sala pra ver televisão. Mirella passou pra uma poltrona e mandou a mãe recostar no sofá. Logo Dirce estava dormindo de novo.
Mirella tornou a chamar e falou pra ela deitar na cama.
Dirce levantou e foi para o quarto. Era muito cedo ainda e Mirella ficou assistindo televisão mais um pouco. De vez em quando olhava para a aliança sorrindo.
Tinha certeza que ia ser muito feliz no casamento. E Adriano também.
Faria tudo pra isso. E sabia que podia contar com o apoio da mãe.
O telefone tocou e ela atendeu.
Era Berenice:
- Te liguei pra pedir um favor. Estou tentando falar com o Jairo mas não estou conseguindo.
- O que foi?
- O Júlio está com uma febre muito alta.
- Tá reclamando de alguma dor?
- Está com dor de cabeça.
- Pede pra ele abaixar a cabeça e encostar o queixo no peito.
- Que isso? Alguma simpatia?
- Não Berenice, é um exame.
- Pera aí.
Logo depois tornou a pegar o telefone:
- Oi.
- Ele conseguiu.
- Conseguiu.
- Ótimo. Pode ser uma gripe forte.
Porquê cansaço não dá febre. Dá um antitérmico pra ele.
- Quantas gotas?
- Umas quarenta.
- Tá.
- Amanhã eu vou.
- Não precisa. Descansa.
- Mas se tu precisar me liga.
- Tá bom.
- Você quer que eu vá lá no Jairo?
- Não. Vou dar o antitérmico e esperar que ele tenha mais algum sintoma. Eu ia pedir pro Jairo ir comigo levar ele lá no hospital, mas o que o médico iria fazer é dar antitérmico. Antes de ter sintoma é difícil fazer diagnóstico.
- Amanhã eu ligo pra saber se ele melhorou.
- Tá bom. Obrigada.
Depois que Berenice desligou ela lembrou que Jairo também estava com uma expressão de cansaço. Ficou preocupada. Seria alguma virose nova? Resolveu ir ver se a mãe também estava com febre.
Foi no quarto da mãe, mas ela estava com a temperatura normal.
Sentou novamente pra assistir o programa e quando começou a sentir sono foi deitar.
No dia seguinte levantou, fez o café e colocou a mesa para a mãe.
No fim de semana, devido aos preparativos para a festa do batizado, tinha deixado de fazer várias coisas. Ia aproveitar o dia livre para colocar tudo em ordem.
A roupa lavada não tinha sido passada.
Esperou a mãe levantar e tomar café. Lavou a louça e guardou as coisas na geladeira. Sacudiu a toalha e varreu a cozinha e depois que a mãe saiu para o trabalho, ligou para Berenice para saber se Júlio estava melhor.
Berenice falou que ele estava sem febre e tinha ido trabalhar. Não tinha aparecido nenhum sintoma novo.
Mirella disse que desconhecia que cansaço causasse febre, mas pelo visto foi o caso de Júlio. Se despediu e desligou.
Depois ligou para a casa de Milena e Jairo atendeu o telefone. A irmã já tinha ido para o trabalho e ele voltou em casa para pegar um documento que havia esquecido.
Ela disse que só tinha ligado para saber dele, porque percebera que
ele estava muito cansado no dia anterior e contou da febre de Júlio.
Quando ele se preocupou ela falou que tinha acabado de falar com Berenice e ele já estava bem, tinha
ido trabalhar. Se despediu do cunhado e desligou o telefone. Foi passar a roupa.
Não era muita, e logo tudo estava passado e guardado.
Sentou em frente a televisão para se distrair antes de dar a hora de fazer a comida.
Viu alguns programas, mas logo ficou entediada. Desligou a televisão e resolveu dar um pulo no curso para tentar adiantar a hora do curso da noite. Acabou fazendo de manhã mesmo e ainda marcou mais duas horas para a parte da tarde.
Voltou para casa e fez a comida. Já deixando o suficiente para janta. Depois do almoço voltou para o curso. Saiu às quatro horas. Ainda tinha uma hora antes de sua mãe chegar. Pegou a carteira e foi para o Supermercado, comprar algumas coisas.
Demorou um pouco porque havia fila no caixa e chegou poucos minutos antes da mãe.
Estava terminando de guardar tudo quando ela entrou em casa.
A mãe perguntou:
- Teve alguma notícia do Júlio?
- Liguei cedo pra Berenice, ele melhorou e foi trabalhar.
- Febre esquisita.
- Pois é. Parece que foi cansaço.
- Nunca tive. E olha que sempre trabalhei bastante.
- Mas ele só tomou o antitérmico e descansou. A febre sumiu.
- É esquisito mesmo. Não vai ao curso?
- Não. Fui de manhã e depois voltei a tarde e fiz mais duas horas.
- Ótimo. Vou fazer a janta.
- Tá pronta.
- Então vou tomar um banho e sentar um pouco. É cedo ainda pra comer.
- Daqui a pouco o Adriano deve passar aqui.
- Ótimo. Chama ele pra jantar.
- O pessoal da obra trabalhou o dia todo. Saíram ainda agora.
- Eles saem às cinco. É uma turma grande.
- Eu não contei, mas vi que eram muitos.
- Você foi lá ver?
- Não. Escutei o barulho. Eles conversam alto.
Enquanto Dirce tomava banho, Adriano chegou. Depois de dar um beijo na noiva, sentaram para conversar. Adriano avisou que tinha ido ao cartório para saber a respeito da entrada dos papéis e foi instruído, que tinha que comparecer com a noiva e as testemunhas na hora de dar entrada nos papéis.
- Quantas testemunhas?
- Duas.
- Um casal?
- Tanto faz. Podem ser dois homens, duas mulheres ou um casal.
- Temos que resolver quem a gente vai chamar. Todos trabalham.
- Mas o tempo só começa a contar quando a gente der a entrada.
- Sim, mas temos que pensar que isso tem que ser feito respeitando os compromissos dos outros. Eu vou falar com a Milena e ver se ela pode ir com o Jairo.
- Liga pra ela agora.
- É melhor esperar os dois estarem em casa. Assim resolvemos logo com o casal.
- Essas testemunhas serão uma espécie de padrinhos do casamento civil.
- Eu sei.
- Mas tarde eu falo com eles.
Dirce tinha saído do banho e veio se juntar a eles. Ficaram conversando um tempo e depois foi para a cozinha, esquentar o jantar.
Adriano ia se despedindo, quando Dirce convidou:
- Janta primeiro, depois você vai.
- Não quero atrapalhar vocês.
- Não vai atrapalhar em nada. A comida está pronta e foi a Mirella que fez.
- Vocês duas cozinham muito bem.
- É porque gostamos de cozinhar. Tudo que é feito com prazer fica mais gostoso.
Adriano aceitou o convite e jantou com elas. Depois fez questão de ajudar com a louça e limpeza.
Logo depois se despediu e deixou as duas descansarem.
Estava louco pra chegar o dia em que não precisaria mais se despedir. Se sentia muito feliz naquela casa.
Chegou em casa, tomou seu banho e foi recostar um pouco no sofá. Agora sua solidão não o deprimida tanto porque sabia que estava com os dias contados.
Engraçado como sua vida tinha mudado tanto em tão pouco tempo. Além da noiva, tinha em Dirce uma verdadeira mãe. Percebia como ela se preocupava com seu bem estar. Agradeceu a Deus por tudo que estava recebendo nos últimos dias. E pediu que conseguisse fazer as duas muito felizes. Queria contribuir para a felicidade delas.
Enquanto isso, Mirella conversava com a irmã por telefone e a irmã respondeu:
- Eu não vou ser sua madrinha no religioso?
- Claro que vai.
- Então por que você não convida a Berenice e o Júlio para serem no civil?
- Acho que não pegaria bem. São meus patrões.
- Antes de mais nada, são seus amigos. Eu tenho certeza que ficariam muito felizes com o convite. Quem são os padrinhos do Adriano?
- Ele vai chamar o Sérgio que conhece ele há muito tempo com a Janice.
- Então, eu e o Jairo os seus. Eu acho que seria mais certo chamar a Berenice e o Júlio. Assim vocês vão ter seis padrinhos ao invés de quatro.
- Pensando por ele lado, faz sentido. Amanhã eu falo com eles.
- Se por um acaso eles não aceitarem, aí eu vou com o Jairo.
- Tenho certeza que vão aceitar.
- Eu também.
- Tá, um beijo.
- Outro pra você e dá um beijo na mamãe.
Mirella chegou perto da mãe e deu o beijo.
- Foi a Milena quem mandou.
Dirce sorriu.
Em seguida ligou para Adriano e contou da conversa que tinha tido com a irmã. Ele respondeu:
- É uma boa idéia. Além de vocês serem amigas, o Júlio tem horário mais flexível.
- Amanhã mesmo eu vou falar com eles.
- De noite você me dá a resposta.
- Um beijo.
- Outro e dá um na tua mãe também.
- Obrigada.
Chegou novamente perto da mãe e lhe deu outro beijo.
- Este foi o Adriano que mandou.
Depois deu outro:
- Esse é meu.
A mãe sorriu e respondeu:
- Você tá muito beijoqueira hoje.
- Estou muito feliz.
- Vai continuar a trabalhar depois do casamento?
- Claro. Eu adoro meu trabalho.
- Eu também adoro o meu.
- Demos muita sorte de trabalhar com pessoas tão boas.
- E devemos parte disso aquela bruxa que tanto maltratou a tua irmã.
- Ela só deu um recado.
- Podia não ter dado.
- Isso é verdade. Mas aposto que se ela soubesse que era pra gente se dar tão bem, teria ficado quieta.
- Não gosto de julgar. Nunca se sabe o que passa no coração das pessoas.
- Tem razão. Já é tarde. Vou deitar.
Boa noite.
- Boa noite.
No dia seguinte, quando chegou no trabalho, Mirella ainda encontrou Júlio em casa Preocupada perguntou:
- Tá tudo bem?
- Tá porquê?
- Você em casa há uma hora dessa.
- Não tinha nenhum compromisso. Hoje não é meu dia de plantão no hospital.
- Foi muito bom. Preciso falar com vocês.
Berenice escutou e perguntou preocupada:
- Não vai me dizer que quer deixar a gente?
- Não. Não é isso.
Júlio pediu
- Deixa ela falar.
- Desculpa. Pode falar Mirella.
- Eu queria pedir a vocês que fossem os meus padrinhos no casamento civil.
Berenice perguntou:
- Não vai chamar a tua irmã?
- Ela vai ser no religioso. Por isso, estou convidando vocês para o civil.
Berenice correu para lhe dar um abraço enquanto Júlio respondia:
- Muito nos honra esse convite e é claro que aceitamos.
- Obrigada. Vou falar com o Adriano pra gente combinar a data, tem que ser um dia que você não tenha que ir ao hospital.
- Mesmo em dia do hospital, sempre tem uma brecha. Marque o dia que vocês quiserem e nós iremos.
- Vou falar com ele mais tarde.
Mirella começou a trabalhar com vontade, no que foi seguida por Berenice. Júlio ainda ficou em casa por mais algumas horas, depois avisou:
- Vou atender um particular.
Berenice perguntou:
- Quase na hora do almoço?
- É o horário disponível do paciente. Quando eu chegar eu como.
- Vamos esperar pra almoçar com você.
- Tá bom. Assim que eu terminar eu venho pra casa. Até já.
- Tchau.
Mirella já estava fazendo a refeição e Berenice avisou:
- Eu vou almoçar mais tarde. Vou esperar o Júlio que foi atender um paciente particular.
- Eu espero também. Só vou botar a comida do Henrique antes.
- Criança tem que manter horário.
- Vou fazer uma salada de frutas para sobremesa. É tão raro o Júlio almoçar em casa.
- Faz sim. Além de ser gostoso, é bom pra saúde.
- Vou caprichar. Vou lá no mercado comprar algumas coisas que estão faltando e vou trazer agrião pra colocar no ensopado.
- Quanto você acha que vai gastar?
- Acho que uns trinta reais.
- Toma, leva cinquenta que pode passar. As coisas estão subindo todos os dias.
- Estão mesmo.
Mirella foi para o mercado. Comprou o que precisava e voltou para casa de Berenice.
Terminou o almoço, colocando o agrião e fez a salada de frutas.
Botou o prato de Henrique e Berenice falou:
Me dá aqui que eu dou a ele.
Foi para o quarto do filho e logo voltou com o prato vazio:
- Vou dar um pouco de salada de frutas pra ele. Depois daquela infecção de garganta tá comendo bem.
- E a comida de hoje é forte. Escolhi por causa do Júlio. Aquela febre dele foi muito esquisita.
- Também achei.
Logo depois Júlio chegou e enquanto se arrumava, Mirella esquentou a comida, enquanto Berenice colocava a mesa com capricho.
Mirella colocou a comida em travessas e o feijão numa cumbuca de louça fina.
Sentaram e ficaram aguardando Júlio que não demorou.
Depois do almoço serviram a salada de frutas.
Depois da refeição, Júlio avisou:
- Vou deitar um pouco.
Berenice respondeu:
- Não é melhor esperar um pouco para fazer a digestão. A comida era forte.
- Por isso me deu moleza.
- Senta um pouco lá na sala antes.
- Vou pegar no sono sentado.
- Não é bom dormir logo depois do almoço.
- Não tem perigo. Eu vou deitar.
Foi para o quarto e se deitou logo pegou no sono.
Mirella comentou com Berenice:
- Ele ainda não está bem.
- Estou começando a ficar preocupada.
- Conversa com ele. Trabalha num hospital, tem que fazer alguns exames para ver o que é isso.
- Vou falar com ele sim. Ele dormir de dia, não é normal.
Já estava quase na hora de Mirella ir embora quando Júlio levantou. Estava com boa aparência e elas ficaram mais tranquilas.
Depois que Mirella saiu, Berenice foi conversar com o marido, tentando convencer ele a fazer uma consulta com algum médico. Esse cansaço dele estava deixando ela preocupada. Ele não tinha aumentado o ritmo de trabalho, então não era normal. Ele prometeu falar com o médico no dia seguinte.
Enquanto isso Mirella se encontrava com Adriano no ponto de ônibus para irem juntos. Adriano perguntou:
- Falou com eles?
- Falei, mandaram a gente marcar o dia e a hora que vamos no cartório.
- Tenta marcar para amanhã a tarde e me liga dando a resposta.
- Vou falar com eles e te ligo. Vem nosso ônibus.
Embarcaram e conseguiram lugar para sentarem juntos. Mirella desabafou:
- Estou preocupada com o Júlio. Ele hoje só foi fazer um atendimento pouco antes do almoço e depois dormiu a tarde toda.
- Ele teve aquela febre esquisita no domingo, é bom procurar um médico.
- A Berenice ficou de falar com ele. Ela também está preocupada.
- Vai ver que é só cansaço mesmo.
- Eu trabalho com eles a um ano e é a primeira vez que ele ficou em casa em dia de semana e dormiu de dia.
- É preocupante mesmo.
- Tomara que a Berenice consiga convencer ele a fazer uma consulta.
- Vai conseguir. Senão a gente vai ter que agarrar ele pelo braço e levar. Tem gente que parece que tem medo de médico.
- Não devia ser o caso dele, afinal é médico também.
- Amanhã eu vou saber se ela conseguiu convencer ele.
Quando chegou o ponto dela, ela saltou e Adriano seguiu.
Foi para o curso e depois pra casa.
Quando chegou, Dirce avisou:
- Berenice acabou de te ligar.
- Vou ligar pra ela.
- Não precisa, ela só pediu pra te falar que conseguiu convencer o Júlio a ir ao médico amanhã. O que houve?
- O Júlio ficou em casa quase o dia todo e dormiu a tarde inteira.
- Estranho. Mas amanhã o médico examina e resolve isso.
Mirella entrou no banho enquanto Dirce foi esquentar a comida. Jantaram caladas. Depois lavaram a louça e arrumaram a cozinha.
Foram pra sala ver televisão enquanto não chegava a hora de se recolher.
No dia seguinte, quando chegou no trabalho, Berenice falou que Júlio tinha ido para o hospital pra fazer uma consulta. Era dia de plantão dele, mas ia falar com um médico e se consultar.
Mirella ligou para Adriano avisando que Júlio estava de plantão naquele dia. Ia combinar para o dia seguinte.
Desligou e foi começar a trabalhar. Antes do almoço Júlio chegou e falou com Berenice:
- O médico fez um monte de exames e constatou uma anemia e me colocaram de férias. Disse que eu tenho que descansar mais. Mandou eu viajar, mudar de ares por uns dias.
Berenice respondeu:
- Então vamos viajar, mas e os clientes particulares?
- Vou colocar outro fisioterapeuta no meu lugar.
- Tem gente de confiança pra isso?
- Tenho.
- Então vamos logo no cartório resolver o casamento da Mirella e depois a gente vai.
- Pergunta pra ela se dá pra gente ir hoje.
Berenice chamou:
- Mirella!
Ela veio logo.
- O que foi?
Júlio perguntou:
- Tem como ir no cartório hoje? O médico me mandou viajar de férias e temos que resolver isso antes.
- Vou ligar pro Adriano.
Ligou e combinaram de se encontrarem as três da tarde.
- Liguei e ele combinou pras três.
- Ótimo.
Berenice perguntou:
- Quanto tempo vamos ficar fora?
- Acho que uns dez dias resolve.
- Mirella você vai entrar de férias a partir de amanhã. Vamos viajar.
- Mas e meu casamento?
- Voltamos antes.
- Não é isso, é que eu preferia tirar as férias depois do casamento.
- Você tira quinze dias agora e quinze dias depois.
- Tá ótimo.Viu combinar com a mamãe de eu ficar no lugar dela uns dias, pra ela descansar, pelo menos uma semana.
- Ótima idéia. Meus pais vão adorar.
- Só não sei se ela vai querer. Ela é muito apegada a tua mãe.
- Minha mãe também é apegada a ela.
- Vamos ver se ela aceita. Depois do que aconteceu com o Júlio me deu medo de acontecer com ela também, afinal é bem mais velha.
Júlio respondeu:
- O que aconteceu comigo foi por minha culpa. Eu não estou me alimentando direito. Durante a semana não almoço e de noite tenho que comer pouco. Vou passar a me cuidar melhor.
- Nesse ponto, minha mãe se alimenta bem. Vou colocar o prato do Henrique.
E foi para a cozinha. Tinha que correr com o serviço para tudo estar pronto antes das três.
Berenice deu comida ao filho e logo os três sentaram para almoçar. Mirella perguntou:
- Vocês vão viajar amanhã.
- É melhor cumprir logo as ordens médicas.
- Espero que descanse bastante e se refaça.
- Vai dar tudo certo. Vamos para o Hotel fazenda.
- Eu não conheço.
- Vou te dar a lua de mel de presente. Quer ir pra lá?
- Quero. Mamãe disse que é muito bom. O Henrique vai adorar ver os animais que tem lá. Obrigada pelo presente.
- Tinha que ser alguma coisa que você não tivesse. A tua casa já está montada. Então, escolhemos te dar a viagem.
- É um presente caro.
- Você merece.
- Obrigada.
Acabaram de almoçar e Mirella foi arrumar a cozinha. Depois que terminou foi ver com Berenice o que mais precisavam fazer. Como tudo estava em ordem, foram fazer as malas para a viagem do casal no dia seguinte.
Quando terminaram faltava pouco para as três e foram se arrumar para encontrar com Adriano. Saíram e o rapaz já estava esperando por eles. Foram para o cartório e resolveram tudo rapidamente.
Ainda não tinha dado a hora de saída de Mirella, mas Júlio falou que ela não precisava voltar com eles. Entregou um envelope a ela contendo o pagamento do mês e se despediram. Ela desejo-lhes boa viagem e recomendou que ele se alimentasse direito.
Foram pra casa dela. Ela falou para o noivo que estava de férias e não iria ao curso. Faria mais horas por dia durante aquele período, mas durante o dia.
Dirce ainda não havia chegado.
Quando a mãe chegou, Mirella explicou que estava de férias por quinze dias, por causa da saúde de Júlio, que ia viajar para descansar por ordem médica. E perguntou:
- Quer descansar uns dias também? Eu vou no teu lugar pra trabalhar com Dona Nora
- Não, eu gosto do meu trabalho.
- Você é que sabe.
Depois que Adriano foi embora, elas se recolheram.