Capítulo Décimo

4536 Words
Jairo foi direto para o cartório. Júlio deixou Berenice lá com Henrique, na companhia do rapaz e foi buscar a noiva, que veio junto com a mãe. Havia fila e demoraram um pouco. Quando terminou, já casados, Adriano convidou a todos para irem para um restaurante almoçar e comemorar. Foram pra uma churrascaria rodízio e comemoraram bastante. Depois Julio foi com Berenice para casa e Adriano tomou um táxi e levou a agora esposa e a sogra em casa. Ficou um pouco com ela e quando ele se despediu, Dirce disse: - Porque você vai embora? Estão legalmente casados. - Desculpa, mas só depois do casamento religioso. A noiva vai entrar pura na igreja. Dirce se comoveu com o sentimento do rapaz e falou: - Então, até amanhã, meu filho. Ele se foi e logo elas estavam trocando de roupa e foram pra casa de Seu Jair ver se podiam ajudar em alguma coisa na organização da festa. Apesar de Mirella ter feito questão que a festa fosse em casa mesmo, seu Jair havia fechado com o mesmo bufê que fez a festa de Janice. Tudo seria feito por eles, inclusive a montagem e depois a limpeza, eles não precisavam fazer nada. Seu Jair chamou Dirce num canto e perguntou: - Eles viajam quando? - Domingo de manhã cedo. Ela não quer viajar dirigindo tantas horas a noite por lugares que não conhece. - E a noite de núpcias? - Vai ser lá em casa mesmo. Achamos besteira irem para um hotel. - Então você fica aqui com a gente. - Não precisa. Vamos morar todos juntos mesmo. - Mas na primeira noite, eles precisam de privacidade. - Talvez o senhor tenha razão. - Com certeza, tenho. - Vou combinar com a Dona Nora depois. - Não precisa, você é de casa. E é bom você só voltar pra casa depois que eles forem viajar, pra evitar que fiquem inibidos. - Eles disseram que vão logo cedo. - Duvido. Antes de umas dez, não saem de casa. Aliás o certo era você ficar aqui enquanto eles viajam. - Eu não quero incomodar. - Você já morou com a gente. Não correu tudo bem? - É, de novo o senhor tem razão. Eu fico até eles voltarem. Amanhã antes do casamento eu trago as minhas coisas. - Quanto tempo eles vão ficar fora? - Não sei. Teve aquela viagem da Berenice e ela tirou dezenove dias de férias. Agora só restam onze. Hoje também ela não trabalhou. O Júlio deu a viagem a eles e já deixou tudo pago lá no hotel. Eles só vão saber quando chegarem lá. - Tenho certeza que a Berenice foi justa. Devem ter quinze dias pagos então. Afinal, a Mirella não teve culpa da doença do Júlio e não é justo sacrificar a lua de mel dela. Como não tinha nada para fazer ali, voltaram para casa. O dia seguinte foi de correria. O pessoal do salão de belezas dali perto, chegou para pentear e maquiar a noiva e Dirce. Enquanto ainda estava terminando a maquiagem, chegou a costureira. Na parte da manhã Dirce tinha levado suas coisas na casa de Seu Jairo e avisou a filha que ia ficar lá com eles até ela voltar de viagem. Depois de prontas, Jairo veio pegar a cunhada para levar a igreja. Milena e a mãe foram com Sérgio. Quando o carro parou em frente a porta da igreja, Adriano já esperava no altar. Milena ajudou a arrumar o vestido de Mirella e Seu Jair veio pegar o braço da noiva, para conduzir e entregar ao noivo. Foi uma cerimônia muito bonita. Seu Jair estava realmente emocionado. Depois da cerimônia, Sérgio conduziu os recém casados para a casa de Seu Jair. Depois de tudo pronto o local parecia um salão de festas de tanto luxo. Flores espalhadas por todo o local. Seu Jair não tinha economizado. Dirce queria dividir o gasto com ele, mas ele não aceitou. Jairo tinha trazido o carro de Milena para o momento da fuga dos noivos. E depois de cortar o bolo e ficar mais um tempo na festa, eles desapareceram sem ninguém perceber. A festa era para poucas pessoas, uma vez que a família da noiva era pequena e o noivo nem família tinha. Mas tudo tinha sido feito com muito bom gosto e carinho e o restante do pessoal foi ficando mais um pouco. Depois que todo mundo se retirou, Dirce comentou: - Vou tirar esses sapatos que estão me matando. E Nora: - Os meus também. O pessoal encarregado da limpeza já tinha começado a trabalhar e rapidamente tudo ficou pronto. As sobras acondicionadas em potes e o terraço brilhando de novo. Como estavam cansados, não demoraram a se recolher. Na casa de Dirce o novo casal depois de consumar o casamento, descansavam abraçados e felizes. No dia seguinte, levantaram cedo e se arrumaram para a viagem. Tomaram café e logo começava a lua de mel. Foram recebidos no hotel com deferência. Júlio tinha deixado pago vinte dias. Resolveu acrescentar mais cinco dias as férias de Mirella. E ela que estava pensando que teria que ficar no máximo por oito. Relaxou naquele cenário campestre e Adriano também gostou muito. Quando o período passou, estavam mais apaixonados do que antes. Foram direto a casa de Dona Nora, saber de Dirce. E constataram que estava tudo bem. Chegaram numa Sexta-feira e ainda tinham o final de semana, antes dela ter que retornar ao trabalho. Dirce voltou para casa e logo foi pra cozinha preparar alguma coisa para a janta. Quando eles saíram do quarto, não estavam inibidos. Tudo correu de maneira natural. Mirella pediu notícias de todos e se certificou que todos estavam bem. Contaram como tinham adorado a fazenda e como tinham se divertido. Por sua vez, Dirce contou que ela estava fazendo comida congelada para Berenice, que continuava sem saber cozinhar e que ela tinha mandado avisar que era pra Mirella ficar mais uma semana em casa, já que Adriano tinha os trinta dias de férias. Mirella gostou de saber que ficaria mais uma semana com o marido, e falou para a mãe que se ela quisesse faria os congelados da patroa. Dirce respondeu: - Já estão prontos pro Júlio levar no Domingo. E ela está me pagando por fora. - A mim, ela também pagou. Depois sentaram para jantar e Mirella e Adriano foram cuidar de arrumar a cozinha. Queriam já entrar na rotina da casa. Depois de tudo pronto, foram pra sala ver televisão. Mirella escolheu um filme e ficaram os três assistindo. Depois veio outro e assistiram também. No dia seguinte nenhum dos três tinha que trabalhar. Podiam ficar até mais tarde, mas quando acabou o segundo, Dirce deu boa noite e se recolheu em seu quarto. Logo depois o casal também foi se deitar. Mais uma semana se passou e era hora de voltarem ao trabalho. Adriano deixou a esposa na porta da casa de Berenice e foi trabalhar. Assim que Mirella entrou na casa, Júlio lhe entregou o pagamento do mês. Estava completo. Mirella questionou: - Eu fiquei quinze dias a mais fora. - Com o nosso consentimento. Você não faltou. Foi dispensada. - Obrigada. E você como está? - Novo em folha. Agora me alimento bem. E nunca mais vou trabalhar direto como fazia. Vou tirar férias todos os anos. Tenho filhos pra criar e não posso me dar ao luxo de ficar doente. - Você disse filhos? - Pois é. A Berenice está grávida de novo. - Parabéns. E abraçou os dois. Berenice falou: - Mas pode ficar tranquila que dessa vez eu vou conseguir me arranjar sozinha. Você vai poder ir pra casa todos os dias. Estou mais experiente. - Nem pensei nisso. Vocês sabem que podem contar comigo para o que precisarem. Júlio respondeu: - Dessa vez o papai aqui vai ajudar mais. Também ganhei experiência. Você agora é casada. - Mesmo assim. Se precisarem eu fico. - Nós sabemos disso. Mas não vai ser preciso. Mirella trocou de roupa e começou o trabalho com vontade. Júlio tinha saído para trabalhar e Berenice fez grande parte do trabalho junto com ela. A única coisa que a patroa não se afinava era com a cozinha. O máximo que fazia em uma era catar um arroz ou descascar um legume, o que não era normal, já que Dona Nora cozinhava muito bem. Normalmente as moças procuravam aprender com as mães. Mirella estava preocupada com Berenice, que preferia trabalhos de mais esforço físico, do que tentar aprender a cozinhar e esforço físico em princípio de gravidez era perigoso. Por isso andava atrás da patroa para que ela não cometesse excessos. Mas Berenice tinha feito o trabalho de casa praticamente sozinha até o dia que Henrique nasceu e Mirella veio trabalhar pra ela, por isso achava exagero os cuidados de Mirella. Depois do almoço, Berenice sentou um pouco e chamou Mirella para conversar. Henrique estava tirando o cochilo da tarde e o serviço estava todo adiantado. Berenice perguntou: - Como está a vida de casada? - Está ótima. O Adriano é muito carinhoso e atencioso. - E com a sua mãe? - Também. Trata ela como se fosse mãe dele também e ela trata como se ele fosse seu filho. Os dois têm muito carinho e respeito um pelo outro. - Por isso, eu fiz questão que você ficasse em casa mais alguns dias depois que chegou de viagem. Vocês tinham que ter um tempo para estabilizar as coisas antes de você voltar a trabalhar. - Eu agradeço muito. Realmente ia ficar estranho, eu sair pra trabalhar e mamãe também e ele ficar sozinho numa casa que m*l conhece. Acho que ele poderia se sentir deslocado. - Vocês planejaram tudo para passar esse primeiro mês juntos e trabalharam pra isso. Não era justo tirar esse direito de vocês. - Não penso assim. Júlio ficou doente, pode acontecer com qualquer um. As vezes fazemos planos que não dão certo. - Mas os de vocês deram. Está tudo certo e se vê que você está feliz. - Tomara que continue assim por muito tempo. - Vai continuar. Deus sabe que vocês merecem. O que que ele fez com a casa dele? - Vai chamar um antiquário para avaliar os móveis e depois de vender, vai alugar a casa. - Porque ele não aluga a casa mobiliada? - Porque são móveis antigos de grande valor, do tempo que se usava madeira de verdade para fazer um móvel. Hoje é tudo aglomerado. Já pensou se aluga pra um s****o que arranja outro lugar e muda carregando tudo? - Não é por que Seu Paulo teve uma experiência r**m que vamos desacreditar de todo mundo. Ainda tem muita gente honesta no planeta. - Mas ele preferiu não arriscar. Vai vender tudo e alugar a casa vazia. Mamãe até aconselhou dele colocar em imobiliária. É mais seguro. - Tem umas que até tem uma espécie de seguro. Se o inquilino atrasar ou não pagar o proprietário recebe em dia. A imobiliária cobre e se vira depois com o inquilino. - Mamãe falou isso. Graças a Deus esse dinheiro da casa não está nos fazendo falta. Até pelo contrário, nunca estivemos tão bem financeiramente, como agora. Dá pra fazer tudo devagar. - A casa não está precisando de reparos? - Francamente, não sei. Nunca fui lá. - Era melhor, se tiver que fazer alguma coisa, fazer logo. - Nem ele está indo lá desde que voltamos de viagem. O Sérgio e o Jairo é que têm ido lá de vez em quando. - Então está em boas mãos. Não precisam ter pressa. - Antes do casamento ele queria vender tudo rápido, de qualquer maneira. Mamãe conversou com ele e conseguiu que se acalmasse. Agora vai fazer tudo na hora certa. - Vai dar tudo certo. - Vai sim. Continuaram conversando, até que deu a hora de Mirella se arrumar pra ir embora. O marido ia lhe esperar no ponto de ônibus. Ela não ia usar o carro para trabalhar todos os dias. O combustível estava muito caro e não valia a pena. Deixaria na garagem para passeios de final de semana. Foi encontrar com o marido e foram para casa juntos. Dirce já havia chegado e adiantado a janta. Adriano entrou para o banho e Mirella foi conversar com a mãe. Dirce perguntou: - Então, como foi a volta ao trabalho. - Tudo bem. A Berenice está esperando outro neném. - Eu já sabia. Eles já tinham falado lá na casa da Dona Nora. - E não me contou nada? - Achei melhor eles mesmos falarem. Ela está passando bem? - Está ótima. Temos que cuidar só de diminuir o sal da comida. - Porquê? Ela teve algum aumento de pressão? - Não, mas é bom não arriscar. Aliás, excesso de sal, não é bom pra ninguém. Mas grávidas têm problemas com retenção de líquidos. É melhor diminuir logo que constata a gravidez. - O engraçado é que as três filhas de Dona Nora estão grávidas. Vai ter três netos quase ao mesmo tempo. - É, a família que já não era pequena, está crescendo rápido. - Daqui a pouco é você. - É cedo ainda, vamos dar mais um tempo. - Você está tomando algum remédio? - Não. Mas tem gente que tenta por anos, antes de conseguir. Vamos deixar nas mãos de Deus. Ele é quem sabe a hora certa pra tudo. Adriano, estava saindo do banho. Foi a vez de Mirella ir. Enquanto isso, Adriano foi colocando a mesa e resolveu fazer um suco de laranjas para acompanhar a refeição. Quando Mirella saiu do banho, sentaram para jantar. Enquanto Dirce ia pra sala descansar, o casal arrumou a cozinha e depois foi se juntar a ela. No dia seguinte, ao chegar no trabalho, Júlio esperava para falar com Mirella: - Queria te pedir uma coisa. - Pode falar. - Que você passasse a vir trabalhar de carro. - Com o preço da gasolina do jeito que está, é impossível. - Eu encho teu tanque uma vez por semana. - Pra que isso? - Porque eu tenho uma criança pequena e uma mulher grávida dentro de casa. Caso haja uma necessidade, se você estiver de carro, você pode tomar providências. - Mas quando precisou, você veio rápido. - Calhou de eu poder vir. E se eu estivesse em meio a uma cirurgia? - Eu chamaria um táxi e levaria o Henrique até o hospital. - Se você estiver de carro, é mais prático. - Mas você vai encher o tanque, e se não precisar atender eles em nada? Tudo continuar bem, como está? - Eu vou estar mais tranquilo e vai valer o gasto. - Tem certeza? - Tenho. - Tá bom. A partir de amanhã, eu venho de carro. - Amanhã mesmo eu encho o teu tanque. - Eu acho que é desperdício de dinheiro. - Nada que é para o nosso conforto e paz, pode ser encarado como desperdício. Eu sabendo que você pode prestar um socorro mais rápido, vou ficar mais descansado e você ainda vai chegar mais rápido no serviço e em casa. E o Adriano também vai ser beneficiado. Afinal, trabalha aqui perto. - Isso é. Mas o combustível está caro demais. - Pra mim, vai valer a pena. - Ficaram combinados que a partir do dia seguinte, Mirella viria de carro. Quando encontrou com Adriano na saída do trabalho, falou do pedido de Júlio. Adriano perguntou: - E você vai atender? - Vou. Realmente tem uma criança e uma mulher grávida na casa. Pode acontecer um imprevisto. - Tudo bem. Eu te ajudo com a gasolina. - Quem vai encher o tanque é ele. Foi assim que combinamos. - Melhor ainda. Vamos ter mais conforto de graça. Pegaram o ônibus pela última vez e foram pra casa. No dia seguinte, quando Mirella chegou, Júlio se apressou em abrir o portão da garagem. Depois deu um controle remoto do portão para ela, dizendo: - Esse fica com você. Você pode entrar e sair a hora que quiser e precisar. - Obrigado. Pode deixar que eu vou ter cuidado com isso. - Eu sei que vai. Agora me dá a chave pra eu ir no posto encher teu tanque. Mirella entregou a chave a ele e só quando voltou do posto, se sentou e tomou seu café. Ainda comentou com Mirella: - Agora eu estou mais tranquilo. Até se eu precisar de socorro, sei que posso contar com você. - Se você precisasse, o teu carro estaria aqui, não ia precisar do meu. - É mesmo. Acabou de tomar café e saiu. Ela e Berenice iniciaram a rotina da casa. O dia passou sem novidades, assim como os primeiros quinze dias. Quando iniciou a quarta semana que Mirella ia de carro, Henrique correndo pela casa, se chocou com uma quina de parede, abrindo um corte fundo na testa. Mirella correu no banheiro e apanhou uma toalha de rosto que molhou em água gelada e ficou segurando um tempo na testa do menino. Depois pediu a Berenice que ficasse segurando, enquanto pegava a cadeirinha e colocava no seu carro. Ajustou a criança na cadeira e falou pra Berenice ir atrás com ele, segurando a toalha para diminuir o fluxo do sangue. Entrou no carro e correu para o hospital. Assim que deram entrada, Milena os mandou para o atendimento e foi avisar Júlio. O pai chegou preocupado, mas a criança já havia tomado os pontos necessários e a pediatra estava apenas distraindo ele com brincadeiras pra ele esquecer o susto. Mas Berenice estava sentindo cólicas fortes e teve que ser examinada por um obstetra. Depois de medicada, ficou algum tempo em observação e pode ir para casa. Não tinha chegado a ter nenhum sangramento e um relaxante fraco resolveu o problema. Mirella, voltou com eles pra casa e na hora do almoço, Júlio foi até lá saber como ela estava. Mirella, fez com que o patrão almoçasse. Depois do almoço, ele voltou para o hospital para terminar seu plantão. Mas antes de sair, agradeceu a Mirella: - Obrigado. Viu como trabalhar de carro foi importante? - Só acho que sai muito caro pra você. - Que nada. Eu só completo o tanque. Na verdade, nunca está vazio. Voltou para o trabalho tranquilo. Tudo estava bem. Tinha sido só um susto. - Mirella ficou cuidando de Berenice para que repousasse durante aquele dia e no resto da semana. Apesar da patroa ser teimosa, depois da cólica forte que havia tido, estava com medo de perder o bebê. Júlio passava todo tempo livre dentro de casa, pois com o repouso da esposa, Mirella tinha ficado sobrecarregada. Agora que Henrique já andava, tinha que ficar de olho na criança o tempo todo. Um minuto de distração poderia ser suficiente para um acidente. Mirella tinha tirado tudo que poderia representar perigo para a criança de alcance, mas o menino era muito ativo e inteligente. Até empurrar uma cadeira para perto da estante e poder subir, ele já tinha empurrado. Mirella comprou diversas revistinhas de colorir e uma caixa de lápis de cor pra ele. Lógico que ele não sabia pintar, mas se distraia o suficiente para que ela pudesse dar conta do serviço. Júlio fez questão de ressarcir desse gasto. Porém Mirella não aceitou. No fim de semana se ofereceu para vir, mas Júlio disse que não precisava. Iam voltar a rotina de visitar os pais dele no Sábado e a casa de Seu Jair no Domingo. Assim, Mirella pode sair para o final de semana sossegada. Mas no Domingo foi na casa de Dona Nora saber da patroa e amiga. Na Segunda-Feira, Berenice já tinha voltado a ajudar no serviço da casa. Mirella lembrou que tinham que levar Henrique para tirar os pontos. Colocou a cadeirinha no carro e levaram o menino. Os pontos estavam sequinhos, porque Mirella fazia os curativos pelo menos três vezes por dia e tendo aprendido, no fim de semana, Berenice agiu do mesmo jeito. Logo voltaram para casa. Júlio nem soube que elas tinham estado lá até chegar em casa e perceber que o menino tinha tirado os pontos. Reclamou que se tivesse sido avisado, teria levado eles. Ao que Mirella respondeu: - Quando eu cheguei, você já tinha saído. - Mas a Berenice podia ter dito. - Você esquece que ela passou m*l, ela nem lembrava disso. Júlio teve que se conformar em mais uma vez ter sido Mirella a atender a necessidade de sua família. A cada dia, mais admirava a moça. Passou mais dois meses e não aconteceu nenhuma emergência nesse período. A barriguinha de Berenice já estava aparecendo e Mirella cada vez mais tomava conta da patroa, para não passar da conta com os afazeres da casa. Quando Mirella chegava em casa com Adriano, Dirce já tinha começado a fazer o jantar. Adriano tomava seu banho e ia para a cozinha ajudar a sogra. Os dois sabiam que Mirella estava se cansando mais no serviço e faziam de tudo para que não sobrasse quase nada pra ela fazer. Há cada dia crescia mais a amizade de Dirce pelo genro, que também gostava cada dia mais da sogra. Era tratado como filho e a tratava como trataria sua mãe, se tivesse. Como não tinha lembrança nenhuma da mãe, essa não lhe fazia tanta falta. Tinha crescido com muitos irmãos, mas de vez em quando, um deles era adotado e aí sim, sentia falta daquele irmão querido. Mas ali, tinha construído sua verdadeira família. E tinha a intenção de aumentar logo. Tinha vendido os móveis da casa antiga, conseguindo um bom dinheiro, que depositou e já estava alugada. Tudo estava acontecendo da maneira que começou a sonhar no dia que conheceu Mirella. Até uma mãe havia ganho. Agora só faltavam filhos para sua felicidade ser completa. Mas sabia que tinha que ir devagar para não pressionar a esposa. Colocaram a janta na mesa e comeram em silêncio. Quando terminaram, Adriano disse que deixassem a limpeza da cozinha por conta dele e fez a esposa sentar e colocar as pernas pra cima. Sabia da amizade de Mirella pelos patrões que realmente eram muito bons pra ela, mas ela estava fazendo além de suas obrigações e isso ele não achava certo. Quando terminou foi sentar junto com elas, e ficaram assistindo TV até a hora de deitar. Uma noite, o telefone da casa tocou bem tarde. Era Dona Nora para avisar que Neide tinha entrado em trabalho de parto e que era pra Dirce não ir trabalhar no dia seguinte, porque ela ficaria com a filha. Depois tornaria a ligar para dizer quando ela deveria retornar ao trabalho. Dirce se ofereceu para ajudar na casa de Neide, mas Dona Nora alegou que não precisava porque a filha tinha empregada. Acreditava que logo voltaria pra casa. Neide estava bem depois de ter tido uma menina, a quem colocou o nome de Nádia e dois dias depois, Dirce avisou que já estava de volta. Passou mais uma semana, sem novidades. A neném de Neide Nadia, era linda e Dona Nora estava toda derretida com a criança. Tarde da noite, Janice também entrou em trabalho de parto. Amanheceu e o bebê ainda não tinha nascido. Quando veio ao mundo, era quase meio dia. Somente Sérgio teve licença para entrar e ver rapidamente a esposa. O trabalho de parto tinha sido longo e Janice precisava descansar. Os médicos já estavam quase recorrendo a cesariana. Janice estava exausta. A família aguardou mais um pouco para ver o menino no berçário. Era um menino grande e forte. Nem parecia um recém nascido. Mas o pai era alto. Janice tinha perdido muito sangue e demorou mais para ter alta. Isso estava preocupando toda a família, principalmente Sérgio. Não queria ter filho único, mas depois do que Janice passou, começou a rever essa vontade. Se acontecesse de novo, ia convencer a esposa a fazer cesariana. A mãe de Sérgio, por causa de problemas no parto, não pode ter mais filhos. Ele não queria que a esposa corresse risco. Janice só teve alta, quatro dias depois do parto. Tinha tido que fazer uma dieta rigorosa por causa do sangue que perdeu. Sérgio se afastou do trabalho até que ela se recuperou. Por morar perto da casa da mãe, Dona Nora e Dirce ajudaram muito. Se colocasse o bebê de Neide perto do de Janice, parecia que o segundo era bem mais velho. No entanto era mais novo. Depois de muito pensar no assunto, Sérgio decidiu, iria conversar com Janice e adorariam uma criança para fazer companhia ao filho. Não ia colocar a vida dela em risco. Tanta criança precisando de um lar. Para ter outro filho, tiraria uma criança do orfanato. Assim que Janice melhorasse, começariam a tratar disso. Depois de tomar essa decisão, Sérgio se sentiu bem mais calmo. Mas apesar da preocupação que causou a todos, Janice melhora a cada dia e se sentia disposta. Fazia questão de cuidar do filho pessoalmente. O bebê estava mamando leite especial, porque devido ao forte sangramento que a mãe teve no parto, tinha sido aconselhada a não amamentar. O pouco leite materno que tinha tomado foi do banco de leite do hospital, mas hoje em dia, existiam várias marcas de leite confiáveis. Tanto Janice quanto o bebê estavam bem. Agora era hora de dar um nome ao bebê. Resolveram chamá-lo Felipe. Um dia, quando Felipe já estava com quase dois meses, Sérgio resolveu conversar com a esposa a respeito do que estava lhe preocupando: - Como você está se sentindo agora? - Estou melhor. O que aconteceu foi culpa minha. Desde o pré-natal, o médico tinha me aconselhado a fazer cesariana, porque era uma criança muito grande e eu me neguei. Se eu tivesse aceito, tudo seria mais fácil e rápido. - Você poderia ter morrido ou perdido o bebê. Acho melhor evitar uma nova gravidez. - Mas você sempre quis ter muitos filhos, porque nunca gostou de ser filho único. - Quanto a isso, continuo querendo. Mas podemos ter outros filhos, sem que você corra riscos. Tem muita criança precisando de pais por aí. Podemos adotar e criar como nosso. - Você acha que seremos capazes de não fazer diferença? - Claro que somos. O Felipe é nosso porque nasceu de você. Mas ao adotarmos uma criança, vai ser nosso porque nós o escolhemos. - Acho que podemos pensar nisso depois. - Se você é contra, eu vou te respeitar e não falamos mais no assunto. Mas eu acho que se você for a favor, devemos começar logo, porque pode demorar, esse processo. Tem casais que esperam anos. E depois que o nosso estiver grande, vai ser mais difícil pra ele aceitar dividir a gente. - Me dá um tempo para pensar. Te prometo pensar com carinho. - Te dou sim. Mas não podemos deixar passar muito tempo. Pode demorar. Mas de qualquer modo procura um médico e começa a tomar remédio ou qualquer outro modo de não pegar outra gravidez. Não quero correr o risco de perder você. - Nem eu quero deixar esse mundo agora. - Vou pro trabalho. Você está bem mesmo? - Pode ir tranquilo.
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