21

940 Words
Capítulo 21: Sophia Alguém bate na porta e, com um suspiro, deixo a caixa de pizza na mesa e caminho até a porta. Ao abrir, me deparo com Frederico, algo que eu não esperava tão cedo. Limpo a boca com o guardanapo que ainda segurava. — Boa noite — ele diz com um sorriso discreto. — Boa noite — respondo, um pouco surpresa. — Posso entrar? — pergunta, como se fosse algo natural. — Claro — digo, abrindo a porta para ele passar. — Posso ajudar em algo? — Eu trouxe seu carro — ele revela, com um olhar que não consigo decifrar. — Queimado? — pergunto, quase sem querer acreditar no que ele está dizendo. — Um carro novo, igual ao seu — ele responde. — Ninguém vai perceber que não é o mesmo. — Obrigada — falo, tentando disfarçar o desconforto. — Mas eu não posso pagar por um segundo carro. — É um presente — ele diz, com uma leveza que me deixa ainda mais inquieta. — Um presente seu? — pergunto, levantando a sobrancelha. — Desculpe, mas não sou de aceitar presentes de estranhos. — Eu não sou estranho para você, você sabe quem eu sou — ele afirma, sem pestanejar. — Chefe da máfia. Estive na minha sede. — Obrigada, você acertou a cor, eu gosto de azul — digo, pegando a chave de sua mão, ainda desconfortável com a situação. — Fico feliz que tenha aceitado meu presente — ele diz, e eu não sei o que pensar sobre a expressão dele. — Você me deu com tanto carinho, não tem como recusar — respondo, tentando desviar do olhar dele, que parece mais intenso a cada segundo. — Você está com fome? Tem pizza ainda. Ele me observa de cima a baixo, e então me dou conta de que estou apenas de camisola, curta e com um decote bem chamativo. Sinto meu rosto esquentar. — Você recebe todo mundo assim? — ele pergunta, com um tom de curiosidade. — Só os chefes de máfia que me ajudam, mas também me ameaçam ao mesmo tempo — falo, tentando desviar do assunto. — Eu não sei se devo ter medo de você e ficar aqui ou se eu devo fugir com o carro novo e deixar tudo para trás. — Se você fugir, vou achar que você é uma x9 — ele responde, de forma direta. — E se eu ficar? — pergunto, mais curiosa do que qualquer outra coisa. — Vou te observar — ele diz, com um tom sério. — Até ter certeza de que você não vai contar nada para ninguém sobre o que viu. — Não é mais fácil me matar, então? — indago, desafiando-o. — Você quer morrer? — ele pergunta, com um olhar penetrante. — Um dia, todos vamos — respondo, sem pensar muito. — Vamos morrer, ser enterrados, encontrar Jesus... quer dizer — olho para ele, com um sorriso forçado — eu vou, você, não sei. Ele fecha os olhos e solta um riso baixo, quase imperceptível. — Desculpe, não queria ofender — falo, tentando disfarçar o nervosismo. — Você fala demais — ele diz, sem perder o foco. — Só quando estou nervosa — respondo, tentando manter a calma. — E você está nervosa o tempo todo, então — ele continua, com um leve sorriso. — Fui sequestrada, machucada, quase estuprada, sequestrada por você, ameaçada, levada para um lugar cheio de homens armados, você me coloca uma arma na cabeça e ainda quer que eu conte piadas? Não dá, não — falo, o nervosismo transparecendo em minha voz. — Se você ficar mais cinco minutos dentro do meu apartamento, eu desmaio de medo. Ele me observa em silêncio por um instante. — O que você acha que eu sou? — pergunta, sua voz baixa e cheia de intenções. — Você disse que é chefe de uma máfia, me levou para ela — respondo, com franqueza. — E o que você acha que eu faço? — ele pergunta, com um sorriso perigoso. — Mata pessoas, o tempo todo, olha para alguém e, se não gosta, mata. Tortura, depois cozinha os membros e dá para os porcos... sei lá — falo, tentando manter a compostura, mas minha voz falha. Ele se aproxima de mim, e eu recuo instintivamente, até sentir a mureta da bancada americana nas minhas costas. Ele vem mais perto, e sinto a tensão aumentar. Seu corpo se aproxima do meu, e a sensação de estar em um jogo perigoso me consome. — Você é bonita, mas com medo, é ainda mais — ele fala, encostando seus dedos em minha pele. Um arrepio percorre meu corpo. Eu sempre fui treinada para me antecipar aos homens, mas com ele, tudo é diferente. Ele passa a mão pelo meu corpo e, quando seus lábios tocam os meus, algo dentro de mim responde. Não entendo bem o que está acontecendo, mas o desejo mistura-se ao medo. Quando ele encosta a mão na minha i********e, fecho os olhos, sem saber como reagir. Ele se afasta, e eu fico ali, sem saber se o que aconteceu foi real ou se era apenas uma jogada dele. — Boa noite, Sophia — ele diz, com uma expressão enigmática. — Espero que aproveite o carro. Ele caminha até a porta, mas antes que saia, eu o chamo. — Espera — digo, meu coração batendo forte no peito. Ele se vira, e, sem pensar, vou até ele, o empurro contra a porta e beijo sua boca. Fico na ponta dos pés, e ele responde ao beijo com a mesma intensidade. MARATONA A PARTIR DAS 144H DE DOMINGO
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